sexta-feira, 3 de julho de 2009 - 19:56

Quero ver o Street View no Morro do Juramento

O Google anunciou que o Street View vai fotografar São Paulo, Belo Horizonte e Rio. Mas os carros do serviço vão rodar por regiões violentas?

Será uma vergonha se nenhum dos 30 Fiat Stilo, com câmeras acopladas no teto, tiver coragem de circular por ruas com altos índices de criminalidade. Ninguém aqui está falando de vielas estreitas por onde dificilmente um automóvel consegue passar. As três cidades estão repletas de ruas largas encravadas em zonas perigosas. Nem poderia ser diferente: estamos em um dos países com pior distribuição de renda do mundo.

Mostrar as mazelas de cada uma das três metrópoles só vai contribuir para que o planeta tenha uma noção mais precisa desses problemas. Até agora, o Google Street View ficou conhecido por acusações de violação de privacidade ou pelo oba-oba de permitir ver belíssimas cidades turísticas, como Nova York, Paris, Tóquio…

Isso pode mudar radicalmente quando os carros mostrarem o Morro do Juramento (na foto acima), palco de um tiroteio entre traficantes nesta sexta-feira (3) que fechou uma das linhas de metrô do Rio. Ou o Capão Redondo, em São Paulo. Isso só para dar alguns exemplos.

Na entrevista coletiva em que o anúncio do serviço foi feito, na quinta-feira, o Google afirmou que o objetivo do projeto é fotografar tudo. Mas os executivos da empresa desconversaram quando questionados sobre se os carros vão circular também por áreas violentas. Disseram que imagens de zonas sensíveis a questões de segurança pública poderão ser removidas da base de dados, se as autoridades responsáveis pedirem. Isso não responde à pergunta.

Claro que os motoristas dos carros correm enorme perigo nesses casos. Traficantes, milicianos e policiais corruptos não querem que ninguém conheça com profundidade as regiões em que atuam. Pode haver tiroteio, danos ao equipamento, roubos ou até algo pior. Mas por isso mesmo é fundamental ter fotos desses lugares.

As imagens detalhadas do Street View podem auxiliar a ação de governantes, polícia e sociedade civil no combate à violência, mostrando onde estão e como são as zonas desprovidas de qualquer ação do poder público. Há o risco, no entanto, de os burocratas preferirem pedir para que a verdade seja deletada. E de o Google aceitar.

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