terça-feira, 28 de julho de 2009 - 22:35

Google e o mistério da filha de Bill Gates

De tempos em tempos, fotos que seriam da filha mais velha de Bill Gates têm ressurgido na web. Será que as imagens são dela? O Google diz que sim. Está errado.

O nome da herdeira do império Windows é Jennifer Katharine Gates. Ela nasceu em 1996 e tem 13 anos, o que dá um certo tom de pedofilia na história toda. As imagens da bela garota circulam em fóruns ou blogs e sempre vêm acompanhadas de algum comentário do tipo “Eu namoraria, mas o problema é que moro longe” ou “Nossa, com essa idade ela parece uma mulher. Não é mais adolescente” e também o muito sutil “I want to love her so much”.

Crimes à parte (ferro neles, Polícia Federal), o fato é que uma busca no Google por “Jennifer Katharine Gates” mostra uma seleção idêntica de fotos da menina e uma outra imagem dela, ainda bebê, no colo do pai. O problema fica maior ainda no Google Images, que confirma se tratar da adolescente. Com isso, o buscador mais famoso do mundo ajuda a perpetuar uma mentira. Não, ela não é a filha de Gates. General Protection Fault para o Google (foi uma licença poética, puristas).

O que redime (apenas em parte) o pessoal de Mountain View é que, quem for atrás de mais informações sobre a história acabará descobrindo a verdade. A mulher que está na imagem é uma atriz de 29 anos chamada Rachael Lee Cook. Ela começou a carreira como modelo, aos 10 anos, e tem uma vasta carreira no cinema. Ao que parece, não esteve ainda em nenhum grande sucesso de bilheteria. Fim de papo.

É importante notar que, se muitos sites reproduzirem uma mentira, como no caso aqui discutido, ela vira verdade no Google. Quantos internautas vão ficar com a pulga atrás da orelha e pesquisar a fundo a história? Poucos. Há, por isso, um potencial enorme no buscador para destruir reputações ou causar danos morais.

O algoritmo parece não conseguir dar conta de boatos, mentiras e falsas acusações. É bom que os engenheiros contratados a peso de ouro por Larry Page e Sergey Brin comecem a pensar seriamente sobre o problema. E nem venham me dizer que o Google não tem nada com isso – se for assim, os jornalistas que erraram no caso Escola Base também são inocentes.

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