Um novo fracasso entrou no currículo do pessoal do Google. As vendas do Nexus One por meio da loja virtual da empresa foram encerradas nesta segunda-feira (19).
Estava claro, desde o começo, que o sistema tinha grandes chances de dar errado. Não foi culpa do aparelho, um dos melhores smartphones com Android testados pelo INFOLAB. O primeiro problema foi a ideia de restringir a venda a moradores dos Estados Unidos, Reino Unido, Cingapura e Hong Kong. Isso causou uma frustração em escala mundial, com consumidores inundando com reclamações tanto os fóruns oficiais como o Twitter. Publiquei inclusive um texto aqui no blog no início do ano, falando dessa revolta.
O segundo motivo da derrocada foi o preço. Desbloqueado, o Nexus One saía por US$ 530 lá fora. É muita coisa, principalmente se compararmos com os valores de smartphones oferecidos pelas operadoras mediante a contratação de planos mensais. Quem conseguia o aparelho no Brasil precisava pagar uma fortuna e apelar para “fornecedores não oficiais”, sem qualquer garantia.
Faltou também variedade lá fora. Os gringos que conseguiam comprar legalmente não tinham muitas opções de operadoras. Nos Estados Unidos, por exemplo, dava para comprar o Nexus One bloqueado apenas na T-Mobile. A Verizon e a Sprint quase chegaram a oferecer o smartphone, mas passaram a vender o HTC Droid Incredible e o HTC EVO 4G, respectivamente.
Para completar o desastre, o suporte aos consumidores era feito inicialmente apenas no fórum oficial do Nexus One. As reclamações foram tantas que o Google se viu obrigado a criar um telefone para atendimento aos clientes nos Estados Unidos. Tudo isso junto fez as vendas minguarem até que a loja virtual fosse fechada definitivamente.
O modelo de venda direta do Nexus One foi uma aposta arriscada do Google, que resolveu peitar as operadoras. A proposta era a seguinte: serviços incômodos para essas companhias, como o Google Voice, poderiam ser incluídos sem chiadeira. Também foi uma maneira de passar por cima dos fabricantes, vendendo um celular capaz de receber as últimas atualizações do Android – o que é bom para os desenvolvedores. As empresas, que não são bobas, preferiram boicotar.
Aos que queriam comprar o aparelho por aqui, vale lembrar que Alexandre Hohagen, diretor do Google na América Latina, afirmou à Folha de S. Paulo que ele seria vendido no segundo semestre deste ano. Parece bem difícil. Apesar do fiasco, as vendas de smartphones com Android continuam em alta. São ativados quase 5 milhões de smartphones com o sistema por mês no planeta, segundo o Google.
Não, imagina, fui eu quem perdeu dinheiro. É difícil ler isso, parece que tem gente que vive em outro mundo… O mercado do Android foi impulsionado pelas vendas de aparelhos com Android de DIVERSAS fabricantes, mas o Nexus One (que apesar de ser montado pela HTC, vinha com a marca da Google) não foi nem de longe responsável por mudança significativa nesse mercado. Mais do que óbvio.
Concordo com o Denis e Ricardo. O Google tem apresentado, desde sempre, um perfil inovador e audaz. Não sou um aficionado google-maníaco, mas reconheço que nos últimos tempos, em se tratando de “arriscar” o Google tem atirado para quase todos os lados, e não acredito que eles queiram “perder” dinheiro.
E quem disse que a Google perdeu dinheiro Leonardo? Até onde eu saiba, a criação do Nexus One foi para impulsionar ainda mais o mercado de smartphones com Android no mercado. E conseguiu.
Também não concordo com o título. A própria matéria diz: ” Apesar do fiasco, as vendas de smartphones com Android continuam em alta”.
O problema foi a forma de comercialização, e não do produto em si.
“Comercialização do Nexus One, outro fiasco mundial do Google”, como sugere o Richardson soa meio estranho, mas é reflete melhor o caso.
Claro, Denis, toda empresa adora perder dinheiro e fracassa comercialmente de propósito… Por favor, né.
Já falei zilhões de vezes: negócio da google é buscador que tem propaganda. Isso é mais de 80% da receita da google. O resto… é “resto”.
Mude o título da matéria: “Comercialização do Nexus One, outro fiasco mundial do Google”. Refletiria melhor o que aconteceu. Seus comentários estão perfeitos no texto.
Fiasco ou não, estou tremendamente satisfeito com o meu. Fora a questão de exclusividade, já que poucas pessoas possuem o aparelho. Não é igual a iPhone que se vê aos montes.
Se a Google mandou mal na comercialização, sabemos que isso não se aplica ao aparelho e muito menos no sistema operacional, onde o Nexus sempre recebe as atualizações antes dos demais.
Espero que a Google não abandone o aparelho, apenas a comercialização pelo site. Talvez essa seja a chance de popularizar o aparelho.
Fiasco ? Talvez. Mas vale considerar que a pressão realizada pela empresa, bancando a criação do seu próprio produto, frente a apple foi uma decisão acertada. Quem disse que tudo isso não foi pensado antes ?
Para comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.
Os comentários da INFO são moderados. Ofensas, spam, publicidade não são permitidos neste espaço. Para mais detalhes, leia nosso termo de uso.