Lá em casa / fevereiro de 2011

A estranha nostalgia dos telefones fixos

por Kátia Arima
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Foto: Getty Images

Tenho uma amiga que adora decorar a casa com objetos retrô. Tanto que comprou um daqueles telefones antigões, pretos, que exigem discar o número, para atender a linha fixa. Nada contra o estilo dela, eu concordo que esses telefones antigos têm seu charme.

Mas há quem exagere na nostalgia: acho estranho quando alguém pega um objeto prático, livre, soltinho como um celular e o transforma….em um tradicional telefone fixo.

Ora, ora! Tantos engenheiros se debruçaram em projetos para deixar o telefone livre de fios e agora surgem acessórios para adaptá-los novamente à mesa? Dá uma certa estranheza esbarrar com esse tipo de acessório durante minhas navegações na web. Veja alguns que encontrei, a seguir:

iFusion Smartstation

Para iPhone. Tem viva-voz e se conecta com o aparelho também por Bluetooth. Disponível apenas em abril, por 149 dólares.

iPhone Desktop Handset

De alumínio, o suporte acomoda o iPhone na vertical e na horizontal. A conexão é pela entrada do fone de ouvido. Por 59,95 dólares

Moshi Moshi Office Phone

Esse acessório pode ser ligado ao iPhone ou ao iPad pela entrada de fone de ouvido. Segundo o fabricante, também serve para falar via Skype. Por 81 dólares.

Bluetooth Retro Handset

Mais indicado para fazer uma graça do que para aumentar a comodidade, esse dispositivo se comunica com o celular por Bluetooth, que devem estar, no máximo, à distância de 10 metros. A bateria do acessório pode ser carregada por USB. Preço: 24,99 dólares.

Ok, esses produtos não condenam o celular à imobilidade. Quer andar com o celular, basta desconectá-lo. E também vamos reconhecer que o fixo é mais cômodo para conversas mais longas. Fazendo essas considerações, é verdade, não se trata de um retrocesso tecnológico, mas questão de comodismo. Ainda bem!

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O Facebook dos outros sempre é mais florido

por Kátia Arima
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Foto: Creative Commons/JoshBerglund19

A vida na timeline do Facebook é cor de rosa. Em um curto período de tempo, desliza pela sua página um cenário digno de propaganda de margarina: são fotos das férias em uma praia paradisíaca. Comentários sobre o fim do mestrado no exterior (e muita gente “curtindo” isso). Sorrisos, muitos sorrisos, com o grupo de amigos na última balada ou no churrasco da família reunida. Comemorações da corrida de revezamento completada no fim de semana passado. Posts de gente aproveitando a vida ao máximo em jantares, shows e outros eventos divertidíssimos. Quanto glamour!

E, diante do desfile de maravilhas da vida alheia, muita gente fica triste. Sim, o efeito colateral das redes sociais é se comparar aos outros, superestimar a felicidade alheia e se sentir inferior. É o que concluiu um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Stanford, na Califórnia, nos Estados Unidos.

O psicólogo Alexander Jordan, um dos pesquisadores que estudou 140 estudantes de Stanford, percebeu que quanto mais as pessoas subestimavam as emoções negativas dos outros, mais solitários e tristes elas ficavam. A pesquisa não foi centrada no uso de redes sociais, mas Jordan notou que essa tristeza surgia após a checagem da página no Facebook.

E as mulheres sofrem mais com isso. Outra conclusão do estudo é que o sexo feminino estava ainda mais vulnerável ao efeito depressivo do Facebook, por prestar mais atenção às atualizações voltadas à vida pessoal dos seus contatos.

Portanto, não se engane. Por trás daquela bela praia paradisíaca da foto tem alguém que ralou durante meses para juntar dinheiro e implorou ao chefe para sair de folga. Depois daquela balada, todos aqueles jovens belos, bem vestidos e sorridentes ficaram de ressaca. Aquele cara metido a atleta acorda todo dia de manhã para correr, faça chuva ou sol, e está cheio de bolhas nos pés. E o outro sujeito que vive comentando sobre todos livros que lê nem sempre chega à última página. Nada disso apareceu no Facebook. Nem elas, nem você são super-heróis. E você, que não é bobo, também não vai transparecer as mazelas do seu cotidiano no Facebook, certo?  ; )

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