“Um que Tenha” some da web. Quem sai perdendo?

por Sandra Carvalho
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O blog “Um que Tenha”, o UQT, a mais completa coleção de MPB da web, acaba de sumir do Blogger, sob pressão das gravadoras.

Em vez de pressionar o Google a expulsar o UQT, as gravadoras deveriam
erguer uma estátua para o Fulano, o anônimo criador do UQT, o mais
eficiente agitador cultural em pró da MPB dos últimos anos.

Ele mereceria uma medalha do Ministério da Cultura por manter no ar
jóias da MPB que não se encontravam em nenhum outro lugar, e por ser
capaz de despertar, com seu trabalho de arqueólogo da música
brasileira, entusiasmo por um gênero que está morrendo a olhos vistos.

Confesso que não tenho sido muito fã da MPB há um tempão.
Enjoei do gênero. Mas qualquer um tem de reconhecer que o UQT apresentava
gravações tanto raras quanto originais, que jamais tocariam no rádio, com um cuidado
meticuloso que chegava a ser comovente.

Hoje as gravadoras de MPB , como a Biscoito Fino, podem achar que
marcaram um ponto ao tirar o UQT da internet, pelo menos
provisoriamente. Puro engano.  Elas golpearam seu mais convincente
divulgador.

Se você quer saber mais do UQT, veja a ótima entrevista com Fulano que o Link publicou.

Comentários
  • Concordo plenamente e cito um pesquisador da área de direito do autor na informática que diz que “quando se impede a cópia e as recombinações, cria-se uma zona de exclusão social e cultural que interfere na liberdade de informação e enfraquece o processo de criação corporativa de bens de informação.”
    “a lei não pode bloquear ou controlar a criatividade e a cultura não pode ter amarras para evoluir e assim como o copyright foi o motor do século passado, periga ser o freio deste atual se alguma coisa não for mudada.”

    Apesar de estarmos falando de software livre, creio que o mesmo se aplica à distribuição de música e outros bens culturais.
    Como se já não bastasse toda a exclusão social pela qual passamos neste país, ainda querem restringir a música de qualidade apenas àqueles que têm condições de pagar 30 reais em um cd? Justo no momento em que surge uma chance de disseminar a cultura entre todos?
    Com iniciativas como o UQT só não tem acesso à verdadeira música brasileira quem não tem interesse mesmo, aí não tem nem mais desculpa para dizer que não conhece as coisas realmente boas do Brasil.

    Algo deve ser feito. Precisamos evoluir.

    enviado por: Guilherme Dias em 22/8/2009
  • Prezada Sandra, talvez, pelo fato não estar ligada em MPB (coisa difícil de entender, se tratando de uma jornalista brasileira), você não faça mesmo idéia de quem são os reais merecedores de medalha do Ministério da Cultura. Pelo jeito você não conhece mesmo o que é blogosfera e quem são os verdadeiros blogs que disponibilizam música. Por certo você nunca ouviu falar no Loronix ou no Toque Musical e isso não é por falta de qualidade dos mesmos. É que coisa boa a gente não encontra em qualquer esquina. Quando se fala em resgate musical, memória fonográfica, sabe-se logo onde estão os verdadeiros arqueólogos da MPB. Postar milhares de discos sem critérios, inclusive lançamentos sem permissão dos donos, não é exatamente um ato em prol da cultura e para isso também não precisa de qualquer conhecimento musical, basta navegar pelos milhares de blogs, sair catando e depois simplesmente publicar. Isso me fez lembrar o Mário de Andrade numa frase que ele diz algo como “as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. E é exatamente isso que acontece. Ninguém perdeu com a saída do Um Que Tinha, pois tudo que estava lá ainda está na rede, em outros blogs, basta procurar.
    Outra coisa que me causou espanto foi você, uma pessoa informada, dizer “um gênero que está morrendo a olhos vistos” De que gênero você se refere? Eu entendi que seria a MPB. Se for isso, você está mesmo por fora. A música brasileira nunca esteve em maior evidência, aqui e no mundo inteiro. A música brasileira é respeitadíssima e faz escola. Acho que você está precisando visitar outros blogs, conhecer nossas raízes e nossos diversos gêneros.
    Novamente, quanto ao UQT, eu acredito que logo estará de volta. Só espero que desta vez ele saiba respeitar o trabalho dos outros, deixado de lado essa ideia de querer sair na frente e cuide apenas daquilo que realmente merece ser lembrado, que foi esquecido ou que tenha sido autorizado. Isso sim é um trabalho digno, merecedor do nosso apoio.

    enviado por: Cleber Falieri em 22/8/2009
  • A internet acabou com uma coisa que os músicos sempre reclamaram: o poder das gravadoras. Hoje bandas novas não dependem de ninguém para divulgação e sucesso, basta serem bons e todo o lucro é deles. Vejam a Móveis Coloniais de Acaju por exemplo. Realmente o pessoal da MPB, que deveria perceber isso, deu um tiro na culatra! Uma pena, realmente uma perda para os artistas da MPB, um ganho para as gravadoras. Basicamente, se é produto não é arte, pois toda a arte deve ser livre.

    enviado por: Bruno Ferreira Porto em 22/8/2009
  • É simplesmente um absurdo o Brasil! Um país em que vivemos sufocados pelos politicos, pela burocracia e nas mãos de media duzia de vampiros! As gravadoras não cedem em reconher que a era da informação está ai! Vivemos na sociedade da informação e o modelo pela qual elas lutam devem morrer.Não existe pirataria, e sim compartilhamento de informação.conhecimento.conteudo. Um absurdo a industria fonografica fazer algo deste tipo.Sou a favor da completa falencia de gravadoras que agem desta forma. Velhos burocratas industriais. A propriedade intelectual define os direitos de uso e de autoria de produtos. como a musica. Enfim lamentavel o Brasil país de ladroes. De empresarios e Analfabetos. Por sinal o presidente se enquadara em duas destas né !

    enviado por: livarni debevec em 22/8/2009
  • Cleber,concordo com você que o Loronix e o Toque Musical são ótimos blogs de MPB. Obrigada por chamar a atenção para eles, porque seria mesmo uma injustiça, nesse contexto, não mencionar sua existência.

    enviado por: Sandra Carvalho em 23/8/2009
  • Só temos três certezas neste mundo: a morte, os impostos e a intelijumência dos Senhores de escravos do mercado cultural, esses meros especuladores suto-proclmados semi-deuses e donos do que podemos ver e ouvir.

    enviado por: Alan Pires Ferreira em 23/8/2009
  • Em tempo: ainda é possível encontrar a página CACHEADA pelo próprio Google:

    http://74.125.93.132/search?q=cache:Pca1INYbYYMJ:umquetenha.blogspot. com/+um+que+tenha&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

    enviado por: Marcelo Juventino da Silva em 24/8/2009
  • como o interesse de gravadoras não é a música, mas o dinheiro que ela pode render e o interesse de muitos compositores (quase todos e quanto mais novos mais ainda) é se tornar “artista” no sentido espetacular e, se não ganhar os tubos, viver como nababo às custas seja lá de quem for, como ‘gênio da raça’, em suas dimensões mais chãs do dia-a-dia, para aquém da qualidade de suas composições e mesmo para além da composição alheia, pois nem sempre estes têm obra digna, mas ‘comporiam’ a ‘categoria’ e fariam o coro dos descontentes com a falta do cacau, quaisquer interessado em música que não cante esta toada, será execrado.
    como a melhor música já se foi, também os melhores personagens deste mundo da música já não mais nos acompanham no reino deste mundo nosso cada vez mais venal.

    enviado por: sergio augusto menezes hespanha em 29/8/2009
  • Sandra, acabei de ler os comentários de seu leitor Cleber e não poderia deixar de contra-argumentar. No fundo, todas as colocações que ele faz são fruto de preconceito contra o fato de que o Um Que Tenha não se preocupa com a questão de o álbum publicado estar ou não catalogado, e somente isso é que basicamente diferencia o UQT dos demais citados blogs. É um viés equivocado, na minha opinião.
    Examinados por uma lente jurídica mais conservadora, nenhum blog musical que eu conheço é ético, é legal. Sob esse ângulo, todos eles ferem a legislação de direitos autorais e mais até: se você examinar, vai encontrar vários (repito: vários) álbuns disponibilizados que estão em catálogo das gravadoras e são facilmente encontrados. Duvido que as publicações tenham sido autorizadas por quem “detém” os direitos autorais, como pretende o seu leitor estampar como sendo verdade. Faço questão de esclarecer que os blogs citados são ótimos, eu os visito com frequência, admiro o belo trabalho de resgate que fazem. Acho o Loronix, ao lado do Abracadabra LP’s do Brasil, os dois melhores blogs musicais que existem.
    Assim, se ele deixar de lado esse preconceito, esse amargor com os critérios que diferenciam o UQT dos citados blogs, e examinar de fato o conteúdo do UQT vai perceber que há muito mais do que “milhares de discos sem critérios”, que há lá algumas publicações que efetivamente não se encontra em nenhum outro lugar, quer seja na internet ou fora dela. E também ele não percebeu que muitos dos álbuns que ele diz estarem à disposição em outros blogs na rede só estão lá porque foram resgatados pelo UQT, e isso não quer dizer que não aprovemos essa reprodução, ao contrário. Quanto mais divulgado, quanto mais compartilhado, melhor é para a memória cultural brasileira, melhor é para o artista. Mário de Andrade certamente não aprovaria o uso de suas palavras para a defesa de sua tese.
    Outro ponto é que o objetivo do UQT é ser um painel do que de melhor se produziu em termos musicais no Brasil e, ao mesmo tempo, ser um canal de divulgação de novos artistas. O critério qualitativo é facilmente percebido e não há preconceitos com relação a gêneros e artistas. Tem Ângela Maria (talvez o Cleber não saiba, mas foi a cantora que inspirou Elis Regina), e tem Cida Moreira. Tem Tonico & Tinoco e tem Tom Jobim. Tem Bucy Moreira e tem Uakti.
    Não faço questão de ter a aprovação de ninguém, mesmo porque não é o que me motiva. Só acho que meias-verdades equivalem a uma mentira completa. Abraços e muito obrigado pelos seus comentários em relação ao UQT, foram muito generosos.

    enviado por: Fulano Sicrano em 1/9/2009
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