E se a notícia fosse repensada desde o começo? Ou “from scratch”, como disse Marissa Mayer em sua conversa com Michael Arrington, do TechCrunch.
A tecnologia muda a forma que consumimos informação. Aconteceu com a música. Antes era preciso comprar um álbum completo, com 12 ou 15 músicas. Tudo questão de um paradigma de distribuição. Valia mais a pena fazer um disco com mais músicas, para assim fazer compensar economicamente o esforço de colocar uma cópia física em cada prateleira. A web chegou e pronto! Podemos consumir música em sua “unidade atômica” (um conceito de “unidade indivisível” de um produto).
O mesmo aconteceu com o vídeo. Para consumir este tipo de conteúdo estávamos presos a uma grade televisiva. E esta grade, para se fazer mais compreensível / lembrável / criar hábitos, nos entrega conteúdo fora de sua “unidade atômica”. As video-cassetadas, por exemplo. Sabemos que em determinado horário no domingo podemos ver uma série de vídeos engraçados. Mas não podemos ver só um vídeo com gatos fazendo coisas legais, temos que ver todos os outros juntos. Agora, com YouTube e distribuição de video on demand, podemos ver só o que nos interessa. No modelo anterior, distribuir vídeos de 10 segundos era inviável, hoje não.
E o jornalismo? Bom, notícias tinham que ser impressas e distrubuídas nas bancas. Precisavam ser agregadas com outras (para valer a pena) e só podem ser atualizadas no dia seguinte (obedecendo a uma grade de produção). A web apareceu e a tecnologia eliminou estas necessidades, mas este modelo offiline continua sendo replicado nos sites. Por hábito, talvez. As coisas eram feitas assim, então o velho vicia o novo.
Por que não pemitir que usuários recebam apenas as notícias que lhes interessam, em “unidades atômicas”. Que sejam twits de 140 caracteres que me permitam me informar sobre mais coisas, sem perder tempo. E, quando for necessário, ir mais a fundo.
E por que uma notícia, quando atualizada, demanda a criação de uma nova página? Não seria muito mais simples se uma história evoluísse dentro de uma mesma página em vez de se fragmentar (e perder) em diversos links? Jornalistas podem aprender mais com a wikipedia, por exemplo. Onde um artigo vai crescendo e sendo melhor apurada de acordo com o tempo. Desta forma, a notícia se torna uma criatura viva, não uma página que embrulha o peixe no dia seguinte.
Sites de notícias em Google Wave, alguém? Onde uma notícia pode ser modificada em tempo real, quando surgem informações novas? E esta evolução pode ser acompanhada com o botão “playback” da wave. Ninguém falou nisso aqui, mas simplesmente viajei nesta possibilidade de fazer um jornalismo mais perene com o auxílio desta tecnologia.