quinta-feira, 22 de julho de 2010 - 12:28

Após consumir R$ 300 mi, Brasil não produz chips

Boi chipado pela Ceitec: projeto brasileiro, produção asiática

A criação da Ceitec, primeira fábrica brasileira de semicondutores, é um orgulho dos pesquisadores de Porto Alegre, mas após consumir mais de R$ 300 milhões em recursos públicos ainda não fabrica chips.

Criada em 2005 na capital gaúcha por uma associação civil, a Ceitec conseguiu projetar e desenvolver semicondutores para aplicações RFID e conversores de TV digital. A inteligência por trás da fábrica saiu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e reúne pesquisadores de várias partes do Brasil.
O produto mais famoso a levar a grife Ceitec é um chip RFID usado para rastrear bois e armazenar informações como idade, raça, procedência e histórico de vacinação dos bovinos. O chip, embora leve a etiqueta “Made in Brazil”, é, na verdade, produzido em linhas industriais da Ásia. Aliás, totalidade dos semicondutores usados pela indústria nacional de eletrônicos é importada.

Segundo o pesquisador e ex-diretor da estatal federal Ceitec Sérgio Bampi, no entanto, falta pouco para a fábrica gaúcha produzir chips nacionais. “O que mais me perguntam é quando a Ceitec vai começar a produzir. Falta pouco para isso acontecer, mas a fabricação ainda depende de decisões do Ministério das Ciências”, diz Bampi, em visita à FISL 11.

A fábrica já produz protótipos de chips em escala de laboratório, ou seja, 200 ou 300 unidades por vez em câmera limpa, o que ainda não é suficiente para tornar a Ceitec comercialmente viável. “Desde 2008 a câmera limpa (item mais sofisticado para a produção de semicondutores) está pronta. Mas ainda faltam equipamentos para a produção em série de milhões de unidades de chips wafle nacionais”, revela Bampi.

Para o pesquisador, a construção da Ceitec não tem apenas importância estratégica na produção de semicondutores, fazendo o Brasil dominar essa tecnologia industrial, mas também representa um avanço econômico para o país.

“Inicialmente, a produção nacional deve dar prejuízo por uns dois ou três anos. Mas depois, torna-se competitiva e poderá servir de fornecedor para fabricantes de eletrônicos, competindo com chips importados da Ásia”, afirma.

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