
Uncharted se transformou na franquia sinônimo de PlayStation nessa geração. Após um primeiro episódio empolgante e um segundo quase perfeito, o aventureiro Drake tem a difícil missão de superar a aventura anterior.
Para quem não conhece, Uncharted é uma mistura de Tomb Raider, Indiana Jones e filmes da Sessão da Tarde. Os clichês, humor e personagens extremamente carismáticos são características positivas do jogo que reproduz a todo momento cenas cinematográficas. Há quem diga que Uncharted é o mais próximo que um jogo já chegou em recriar a experiência de Hollywood nos games.
Uncharted 3: Drake’s Deception chegou com um objetivo para poucos: ser ainda mais impressionante que Among Thieves, segundo episódio da série lançado em 2009 e tido por muitos um dos melhores jogos de todos os tempos. A produtora Naughty Dog tinha a receita do sucesso nas mãos: muita ação, adrenalina, diálogos incríveis e cenas de fazer cair o queixo. De fato, tudo isso está presente em Uncharted 3, mas algo acabou dando muito errado no meio do caminho.

O enredo coloca o explorador Nathan Drake na busca por uma cidade perdida e apagada em quase todos os traços do passado. Drake conta com a ajuda de seu fiel parceiro Victor Sullivan, o Sully e demais personagens conhecidos da série como a bela Chloe e a jornalista Elena. No entanto, a história é essencialmente sobre o relacionamento entre Drake e Sully, contando até mesmo detalhes do passado dos dois.
Uncharted 3 é um daqueles jogos que, se vistos por 10 minutos, nos fazem acreditar que é uma obra prima – principalmente nas cenas de impacto, as “set pieces”. Mas existe um problema grave em Uncharted 3 que compromete toda a experiência: consistência narrativa.
Apesar de conter cenas incríveis de fugas, caçadas, desmoronamentos e destruição, tudo acaba não fazendo muito sentido quando se percebe que esses “momentos chaves” não fazem parte de uma evolução narrativa. A Naughty Dog fez cenas incríveis, só que muitas delas aparecem perdidas, como se todo o restante do jogo fosse construído em torno delas.

Essa opção de design é válida e deu muito certo em Uncharted 2, mas dessa vez ficou claro a “forçação de barra” em alguns momentos e é impossível definir onde está o clímax. Cenas que deveriam ser impressionantes acabam não sendo tão empolgantes por não se encaixarem perfeitamente com o resto do jogo. O contraste acaba destacando ainda mais os momentos ruins.
Não quero dizer que o jogo é uma porcaria – longe disso – mas uma superprodução como essa não poderia pecar em um elemento tão básico. Chloe, por exemplo, uma das melhores personagens de U2 é extremamente subaproveitada dessa vez. Ela simplesmente some, como se a parte que explicasse o que aconteceu fora cortada da versão final.
Não quero dar spoilers sobre o enredo, mas todos os grandes momentos que a história deveria fazer o jogador arregalar os olhos acabaram passando batido. O final é bastante desanimador e não colabora para “desculpar” os demais momentos sem ritmo.

Mas calma, Uncharted 3 ainda é um dos jogos mais impressionantes que já jogamos. Isso tudo graças a cenas inacreditáveis que vão fazer você desacreditar que tudo acontece em tempo real. Tecnicamente, Uncharted 3 beira a perfeição com visuais impressionantes e uma trilha sonora inspirada.
A jogabilidade continua seguindo os passos dos outros dois jogos; alterna-se entre momentos de plataforma, tiroteios e resolução de enigmas. Saltar entre os penhascos e cenários destruídos é uma habilidade única de Drake que é massivamente explorada em Uncharted 3 com a ajuda de eventos pré-determinados que fazem ele cair, escorregar e quebrar boa parte das coisas que tenta se pendurar.
O combate ganhou muito com um novo sistema de luta corpo-a-corpo que segue os mesmos princípios dos recentes jogos do Batman: um botão para ataque e outro para contra-ataque. Os quebra-cabeças são ótimos, desafiam de forma inteligente e criativa — são os melhores de toda a franquia.

Após terminar a campanha, restam poucos extras além de uma nova dificuldade e tesouros para coletar. Sentimos que faltou um pouco mais de conteúdo. No entanto, a modalidade cooperativa local ou online e competitiva estão muito boas. Seguem o modelo apresentado em Uncharted 2, só que com muitas opções adicionais de evolução de personagem e progressão de nível.
Chegar a um veredicto sobre Uncharted 3 é difícil. A expectativa para esse lançamento era alta, mas mesmo deixando o hype de lado não podemos fechar os olhos para os sérios problemas de narrativa que citamos aqui. Nossa nota não é tão alta quanto gostaríamos que fosse, mas fica a ressalva que a dublagem lamentável em português do Brasil não influenciou o resultado final – aliás, fique longe dela. Ative apenas as legendas e jogue com o áudio original. O trabalho de dublagem ficou extremamente amador com atuações sem nenhuma empolgação.
Começando como grande candidato a jogo do ano, Uncharted 3: Drake’s Deception termina como um bom jogo com um gostinho de que poderia ter sido melhor. Muito melhor.
