
A disputa pela supremacia do mundo dos games travada por Nintendo e Sega desde os anos 80 estava próxima do fim. As duas empresas não suspeitavam que o PlayStation faria o sucesso que fez e gastavam dinheiro aos tubos na nova geração de consoles. Do lado da Nintento, a grande aposta (errada) foi o Nintendo 64.
Lançado em junho de 1996 no Japão, o videogame com processador de 64 bits representou um dos maiores erros da história da Nintendo. Enquanto a Sony e a Sega apostaram nos CDs como mídias para os jogos, a dona de Mario Bros., Zelda e cia. insistiu nos cartuchos. Isso representou uma desvantagem enorme em relação aos competidores devido ao preço alto de produção, de venda e até pela questão da pirataria.
Os jogos de PlayStation eram facilmente pirateados, popularizando o console, enquanto os donos de N64 precisavam juntar uma boa grana para se divertir com um punhado de títulos de qualidade duvidosa. Claro, pelo lado da Nintendo, vários lançamentos de peso exploraram bem a plataforma do “projeto Ultra”, como era chamado antes do anúncio oficial. As produtoras, no entanto, investiram pesado no PlayStation e deixaram a Nintendo na mão.
Antes de tudo isso acontecer, porém, era dado como certeza que depois da geração de 8 bits e dos consoles de 16 bits, os 64 bits do Nintendo seriam uma revolução. Confira a seguir esse texto publicado originalmente pela (já extinta) revista Home PC, em 01/02/1996;
“Nintendo apresenta suas armas para 1996”
Está chegando a hora. A Nintendo promete para o dia 21 de abril o lançamento do Ultra 64, seu tão esperado console de videogame de última geração. O aparelho chega primeiro às lojas japonesas e deve sair nos Estados Unidos e no Brasil alguns dias depois. Com ele, a empresa pretende desbancar sistemas de 32 bits, como o Saturn, da Sega.
O Ultra 64 foi desenvolvido em parceria com a Silicon Graphics — fabricante das estações gráficas que geraram os efeitos especiais de filmes como Jurassic Park. O console usa processador de 64 bits e vai trabalhar com games em cartuchos. Uma pequena amostra do que a máquina é capaz de fazer foi dada na 7-ª Feira Anual de Software Shoshinkai, realizada no Japão. A maior parte dos games apresentados estava nas versões preliminares e com nomes provisórios. Mesmo assim, já deu para perceber que os títulos terão ótimos gráficos e uma impressionante sensação de 3D.
O joystick do Ultra 64 deverá causar sensação. Com jeitão de morcego, ele possui oito botões, além do direcional. No centro do controle fica o “3-D stick”, um pequeno manche que possibilita controlar a velocidade do personagem e os movimentos de profundidade. Para completar, o morcegão tem entrada para um cartão de memória. Com ele, dá para salvar um jogo e continuar a disputa, do mesmo ponto, em outro aparelho. Para pôr as mãos num Ultra 64, os gamemaníacos do exterior deverão desembolsar 249 dólares. No Brasil, o preço ainda não está definido.
Ficha técnica
• CPU: processador de 64 bits da MIPS, com velocidade de 93,75 MHz e co-processador RPC dedicado aos gráficos, som e desenho dos pixels. Memória de 36 Mbits com taxa de transferência máxima de 4 500 Mbits por segundo.
• Recursos de vídeo: capacidade de resolução gráfica na tela de 640 x 480 pontos.
• Dimensões e peso: 26 cm (largura) x 19 cm (altura) x 73 cm (profundidade) e 1,1 quilo.