segunda-feira, 28 de novembro de 2011 - 10:41

O declínio da internet grátis


Pena que a festa durou pouco. Bem pouco. Entre 1999 e 2001 a genial ideia de prover acesso à internet (discada) sem cobrar virou moda e os maiores portais embarcaram nessa. Os lucros com a publicidade, no entanto, não fechou as contas e os provedores gratuitos foram acabando rapidamente. Relembre essa história.

 

Na edição 176 da INFO, de novembro de 2000, um texto do Edu Vieira mostrou com precisão o que estava acontecendo e o que iria acontecer com as empresas de internet que ofereciam discadores que se conectavam à web sem cobrar nada. Confira a seguir;

Acesso grátis até quando? 

Quem lançou a onda foi o Bradesco, em novembro de 1999. Logo depois vieram Unibanco, BRFree, iG, Tutopia e até a Igreja Católica. Com uma empolgação de escola de samba, nascia talvez a maior moda da Internet brasileira até agora: o acesso grátis. O que poucos esperavam é que esse modelo fosse ameaçar um colapso tão cedo.

A morte do Super11 e da NetGratuita só reforçou as teses pessimistas de que o acesso gratuito é uma idéia furada, porque inviável financeiramente. Enquanto o Super11 faliu de vez, deve mundos e fundos aos funcionários e viu seu principal investidor, o Banco Safra, cair fora sem dar satisfação, a NetGratuita parou as máquinas antes que o vermelho comprometesse as contas do UOL Inc., empresa-mãe. “O modelo do acesso grátis está condenado”, disse Luís Frias, presidente do UOL Inc., no enterro da NetGratuita.
Outros especialistas compartilham a mesma visão. “Vamos assistir a sucessivas falências dos provedores gratuitos, como um efeito dominó”, profetiza Ruy Mendes, diretor do IDC Brasil. O consultor da AT Kearney, Bruno Lascowsky, arremata: “Não há espaço para mais de dois provedores gratuitos no país”.

Os sobreviventes procuram se esquivar da crise. A Terra Networks mantém o Terra Livre como elemento estratégico, apesar de não fazer força para promovê-lo. O iG, que já lançou alguns serviços pagos, defende o acesso grátis como marketing. Mas mudou o jeito de usar o próprio nome, que foi de Internet Grátis para Internet Group. O Grátis1, da StarMedia, e o Tutopia, da IFX, não se pode dizer que estejam indo bem. E o portal Cidade Internet mudou os planos e já cobra dos usuários pelo suporte técnico.

Se as contas não fecham, resta saber até quando as portas ficarão abertas.

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