Após a Uniban decidir pela expulsão da aluna Geisy Arruda, considerada culpada do grave crime de vestir-se com roupa curta, o MEC pediu explicações formais. Para o Ministério, a expulsão – se não for bem justificada – fere a dignidade acadêmica e a moralidade.
A Uniban optou por outro ponto de vista moral, ao desqualificar publicamente a estudante a quem acusou de comportamento inadequado e insinuante. É interessante notar que, para os garotos que tentaram enfiar o celular sob as pernas de Geisy, agredi-la, gritar e chutar portas a ponto de ser necessário chamar a polícia (!!!) para controlá-los, a universidade definiu uma punição menor. Vão ficar suspensos um par de dias.
Qual é a ofensa moral mais grave? Obrigar uma jovem a trancafiar-se numa sala, sob os gritos de ´puta´, ´vagabunda´ e ´pega ela´, filmá-la e expô-la à humilhação pública ou uma saia curta?
Viceja aqui e ali o argumento de que a jovem é mesmo culpada, pois provocou a confusão ao vestir-se reiteradas vezes de modo provocante. O pensamento é de um machismo profundo pois, na origem, parte da ideia de que as mulheres não têm o direito de dispor de seu corpo e, se não andarem na linha, não são mesmo merecedoras de respeito.
O caso fomenta uma dúzia de virais, vários com legendas trocadas do filme A Queda de Hitler. A previsível repercussão negativa mostra que a Uniban pode ser muito boa em moralismo, mas nem tanto em relações públicas.