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Quer inovação? Siga o Google

Para ser um agitador no mundo dos negócios, experimente seguir as pistas de Sergey Brin e Larry Page

Se existe um benchmark para inovação em negócios, hoje em dia, ele está no Google. Quebrando paradigma atrás de paradigma, a empresa chegou a seus 100 bilhões de dólares de valor de mercado. Lá dentro, tudo é estudado meticulosamente para que a inovação floresça. Para atrair talentos para o Googleplex — como é chamado o campus de mais de 85 mil metros quadrados de sua sede, em Mountain View, na Califórnia, a empresa combina charadas matemáticas, ótimos salários, piscinas aquecidas, quadra de vôlei de areia, mesas de bilhar e pebolim e até salão de beleza, com estilistas contratados para atender quem quiser mudar o visual com um novo corte de cabelo. Os cachorros (mas não os gatos) têm livre acesso aos prédios do complexo. E nem é preciso sair do Googleplex para levar o notebook ou outro dispositivo eletrônico com problema ao conserto: a empresa mantém técnicos lá dentro mesmo, justamente para isso. A comida é um capítulo à parte. O Google oferece três refeições classe A (nada de junk food) por dia aos seus funcionários, todas na faixa.

Mas o principal não é nada disso: é a cultura da inovação, em si. Larry Page e Sergey Brin ouvem pessoalmente as idéias para novos projetos, da boca de seus criadores, depois que elas passam pelo filtro da engenheira Marissa Mayers, vice-presidente com foco em buscas. Em vez depensar em Wall Street a cada vez que ouvem uma proposta nova, Page e Brin levam em consideração, em primeiro lugar, os benefícios que ela trará a seus usuários. Se as vantagens não forem evidentes, nada feito. Marissa chega a cobrar multas de qualquer pessoa que esteja acompanhando no computador o valor das ações, segundo revelou a revista americana Time em fevereiro. A multa: o valor de uma ação. Na empresa, quem dá as cartas são os engenheiros, não a turma de marketing. Cada funcionário tem de se organizar para se dedicar 70% do tempo às principais atividades da empresa, 20% a questões correlatas e 10% a projetos que não tenham nada a ver com nada. Foi assim, por exemplo, que nasceu o Orkut, essa mania tão brasileira.

Page e Brin, dois nerds excêntricos, dão o tom ao Googleplex. Eles normalmente vão para o trabalho de camiseta preta, jeans e tênis — em ocasiões especiais, como quando precisam tomar decisões, usam um avental branco —, costumam participar de partidas de hóquei sobre patins no estacionamento e às vezes são vistos montando alguma coisa usando peças de Lego. Eles amam tecnologia. Page, 33 anos, é filho de um professor de ciência da computação de Michigan e de uma programadora. Brin, 32 anos, nasceu em Moscou e foi para os Estados Unidos ainda criança, com os pais — um professor de estatística da Universidade de Marylande uma funcionária da NASA. Os dois se conheceram na Universidade de Stanford, na Califórnia, onde começaram — como um projeto acadêmico — o desenvolvimento do que viria a ser o mecanismo de busca mais famoso do mundo.


       
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