Não são só as pragas virtuais que tiram o sono do pessoal
que cuida da segurança dos dados armazenados nos computadores das empresas. O
roubo de informações também pode ocorrer fisicamente. Basta espetar um memory
key no servidor de banco de dados, por exemplo, e copiar os arquivos desejados.
Ou então usar a câmera digital do próprio celular para fotografar um desenho ou
documento deixado sobre uma mesa.
Por isso, além de instalar antivírus, firewall e outros
tipos de bloqueio nos computadores, é importante reforçar também a segurança
física, controlando o acesso de pessoas a áreas consideradas críticas.
“Estatísticas mundiais indicam que dois terços dos incidentes de segurança têm
origem dentro das próprias empresas”, afirma Marcio Zapater, consultor de
negócios e tecnologia da Promon. “Ferramentas da biometria podem ajudar a
reduzir esses incidentes.”
No Brasil, o uso da biometria vem crescendo dentro das
empresas que buscam uma forma mais eficiente – e segura – de controlar o acesso
às mais diversas áreas. Em vez de senhas, cartões magnéticos ou com chip, que
podem ser perdidos ou emprestados, a biometria utiliza características do
próprio corpo da pessoa – como a impressão digital, a geometria das mãos ou a
íris dos olhos – para identificá-la. Essas características são capturadas por
leitores digitais e transformadas em algoritmos matemáticos, que são comparados
com os armazenados previamente em uma base de dados. Feito o reconhecimento, o
acesso é liberado.
A pesquisa “As 100 Empresas Mais Ligadas do Brasil”, da
INFO, mostra que as corporações estão mesmo aderindo à biometria. Em 2003, 21%
delas usavam essa tecnologia. No ano passado, o percentual saltou para 34%. A
pesquisa é feita principalmente em grandes empresas, mas, com a redução do custo
dos sistemas de biometria, as pequenas e médias hoje também começam a ter acesso
à essa tecnologia.
É o caso da Sawary Confecções, que fica no popular bairro
do Brás, em São Paulo. Em julho, a empresa trocou o crachá magnético pelo
reconhecimento da impressão digital, para controlar o ponto dos 110 funcionários
que trabalham em sua loja. Para isso, comprou um sistema da Dimep, que inclui o
leitor de digitais – instalado na entrada da loja –,banco de dados e o software
de controle de ponto, que roda em um PC com sistema operacional Windows XP.
“O objetivo é evitar a possibilidade de um funcionário
passar o cartão pelo outro”, diz Edmilson de Mello Brito, analista de recursos
humanos da Sawary. “Com a biometria, temos certeza de que isso nunca vai
acontecer. ”Segundo ele, os funcionários gostaram da mudança, principalmente
porque acabou com a preocupação em não perder – ou esquecer – o crachá.“Além do
mais, aqui no Brás,isso é uma inovação”, acrescenta. Com osucesso da
experiência, a Sawary Confecções planeja instalar outro leitor de digitais na
entrada da fábrica, para controlar o ponto de mais 150 funcionários.
SEGURANÇA SOB MEDIDA
O reconhecimento de impressões digitais é o tipo de
biometria mais usado no mundo – e o que mais cresce. É também o mais barato,
porém o que oferece menor grau de precisão. “Tudo depende do nível de segurança
que se quer”, observa Guilherme Gielfi Otero, gerente de marketing e produto da
divisão Building Technology da Siemens. “A tecnologia de reconhecimento de íris
é a mais segura, mas, por ser mais cara, é recomendada apenas para áreas de
acesso restrito, como CPDs”, afirma Otero. Além de mais barata, a biometria
baseada na digital é mais fácil de usar e não assusta as pessoas – como ocorre
no reconhecimento da íris, em que é preciso aproximar os olhos do dispositivo de
leitura.
Para contornar o problema da precisão, Otero recomenda o
uso da biometria associada ao cartão com chip. “Isso aumenta a segurança em até
15%, nos casos de biometria da digital ou da geometria da mão”, diz ele. Outra
vantagem da associação das duas tecnologias é a agilidade na identificação.
Otero explica que a pesquisa em um banco de dados com cerca de mil usuários, por
exemplo, pode demorar até 4 segundos a partir do momento em que a pessoa coloca
o dedo no dispositivo de leitura. Se ela passar o cartão antes, o sistema já
busca no banco de dados a sua digital e, quando o dedo é colocado no leitor,
apenas faz a comparação e o reconhecimento – o que leva menos de um segundo.
Esse tipo de solução é indicado para locais com maior circulação de pessoas,
como a entrada de empresas com grande número de funcionários ou academias de
ginástica.
NO CLUBE, REFORÇO PARA BIOMETRIA
No Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, câmeras IP estão
sendo usadas para ajudar os sócios com dificuldade de se adaptar ao sistema de
biometria digital implantado no novo ginásio de fitness, inaugurado em setembro.
Cinco câmeras IP — modelo DCS-5300, da D-Link — foram instaladas como piloto de
um projeto de segurança e monitoramento das várias áreas do clube, que ocupa um
espaço de quase 170 mil metros quadrados, em São Paulo.
“Quando o segurança vê pelo monitor que o sistema de
biometria não está conseguindo ler a digital do sócio, ele pode usar o telefone
ou ir até lá para resolver o problema”, diz Mário César Corniani, supervisor de
infra-estrutura de TI do Clube Pinheiros. As imagens capturadas pelas câmeras IP
são transmitidas para a intranet do clube e podem ser visualizadas a partir do
browser de qualquer PC conectado à rede. Na recepção do fitness, o segurança tem
um micro equipado com o software de monitoramento Monitor for IP Surveillance,
da própria D-Link, e um monitor de 17 polegadas, onde pode ver as imagens
geradas pelas cinco câmeras ao mesmo tempo. O clube pretende comprar mais 38
câmeras IP e usar sua infra-estrutura de rede já disponível para enviar as
imagens para os servidores e para a intranet.