Tomb Raider (2013)

Novo Tomb Raider renova franquia com primor técnico

• terça, 19 de março de 2013
Foto: Divulgação
Avaliação
9.2 /10
R$ 179,90
Tomb Raider Tomb Raider Tomb Raider Tomb Raider Tomb Raider

Nossa avaliação

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prós Tecnicamente incrível; ótima direção artística; momentos de tirar o fôlego
contras Narrativa falha em tornar a história interessante; personagens mal desenvolvidos; multiplayer descartável
conclusão Apesar dos problemas narrativos, Tomb Raider é uma aventura impressionante com momentos únicos.

Ficha técnica

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  • Plataformas: PC, PS3 e Xbox 360
  • Lançamento: 5 de março de 2013
  • Desenvolvedora: Crystal Dynamics
  • Produtora: Square Enix

Lara Croft é uma das mais importantes e influentes personagens dos videogames. A desenvolvedora Crystal Dynamics vem tentando recuperar sua reputação com bons jogos há anos. Foi então que a empresa decidiu começar do zero e renovar totalmente a franquia. 

Tomb Raider passou por uma reformulação total para se adaptar aos tempos atuais. Com o mesmo charme de sempre e novos truques, arriscamos dizer que essa é a melhor aventura de Lara. 

O recomeço apresenta uma jovem Lara em uma de suas primeiras expedições. Inexperiente e mais frágil, a nova protagonista passa por um desenvolvimento pessoal durante o novo jogo. A cena em que ela mata o primeiro inimigo, aliás, é um dos ponto altos desse amadurecimento, mostrando a fragilidade de um ser humano e, ao mesmo tempo, a coragem de uma exploradora única como Lara Croft. 

Nós fizemos uma experiência antes de testar o novo Tomb Raider: fomos jogar os títulos antigos, lançados em meados da década de 1990 para PlayStation. É impressionante como os jogos envelheceram mal – justiça seja feita, como qualquer outro jogo de plataforma em 3D da época. Jogando as primeiras aventuras, imaginamos como seria o recomeço ideal pensando nos padrões dos jogos de hoje. E o novo Tomb Raider é exatamente tudo aquilo que imaginávamos. 

Imagine Uncharted com uma garota. Essa comparação soou estranha, certo? Talvez porque todos nós usamos o inverso para definir Uncharted para quem nunca escutou falar da franquia exclusiva da Sony. O novo Tomb Raider é extremamente cinematográfico, com momentos de arrancar o fôlego e que nos deixam com os olhos arregalados. 

As cenas de ação de Tomb Raider são incríveis, uma das experiências mais próximas de se estar controlando um filme. Arriscamos dizer que são tão boas quanto e até melhores que as de Uncharted. Lara sofre do mesmo azar crônico de Drake e constantemente está despencando de penhascos, fugindo de explosões e passando por momentos nada confortantes. Mas, assim como o protagonista garanhão, ela sempre acaba ficando bem. 

Mas Tomb Raider não fica somente na sombra de Uncharted e tem personalidade para fugir das inevitáveis comparações. A principal diferença é que Lara está em uma ilha enorme e pode explorá-la quase que livremente entre as missões. Não é um mundo aberto como em Far Cry 3, mas a possibilidade de voltar a pontos anteriores e explorar torna a aventura muito menos linear que qualquer Uncharted. 

A sacada de Tomb Raider é permitir que você siga somente a história ou, se achar que deve, procurar por itens colecionáveis e missões secundárias espalhadas na ilha. As limitações de design foram muito bem adaptadas para que o jogador sinta-se confortável em explorar apenas se achar necessário. 

Precisamos dizer que a direção artística dá um show à parte. As diversas localidades da ilha possuem traços fortes e cenários tão bonitos que nos fizeram parar por diversas vezes para girar a câmera e admirar. Tomb Raider é um dos jogos tecnicamente mais impressionantes dessa geração. 

Só que a Crystal Dynamics pecou em um elemento essencial: o enredo. Lara e alguns amigos, entre eles Conrad Roth – um antigo conhecido da família – acabam naufragando ao tentar encontrar o reino perdido japonês Yamatai. Perdidos numa ilha repleta de perigos, Lara descobre que sua amiga Sam é descendente da linhagem real da civilização perdida japonesa. Bem, essa é a premissa para que o jogo aconteça. O mistério da ilha lembra muito a trama do seriado Lost, onde algo “sobrenatural” impede que as pessoas saiam do local. Cabe a Lara descobrir o que está acontecendo e salvar seus amigos. 

Parece legal, certo? Só que essa história é muito mal contada durante o jogo. Quem deseja entender (ou até mesmo se importar) com ela precisa ler e encontrar todos os documentos e tesouros escondidos. O maior problema é que Tomb Raider tem diálogos fracos e desenvolve muito mal os personagens secundários – a ponto de nem lembrarmos (e nos importarmos) com quem era aquele fulano que acabara de morrer. Nesse quesito, Uncharted continua imbatível. Faltou desenrolar melhor a trama nas cenas de corte, tornar a trama realmente interessante e desenvolver os personagens. 

Você lembra que falamos sobre como Tomb Raider apresenta uma Lara mais imatura e frágil? Pois bem, logo no começo ele é bem-sucedido em mostrar como Lara precisa superar seus medos para concluir sua missão. Só que em poucos segundos ela se transforma em uma predadora mortal que é recompensada por cada nova morte causada. Existe uma controvérsia no design do jogo que implica em derrotar centenas de inimigos - o que vai de encontro com a personagem que conhecemos no começo. 

E por maior que seja a transformação de Lara, acreditávamos que ela tentaria a todo momento se manter humana ou buscar meios alternativos. O sistema de upgrade, por exemplo, é unicamente baseado na experiência ganha ao matar inimigos. A caça, que no começo do jogo parecia ser um elemento essencial para a sobrevivência de Lara, logo se torna um extra desnecessário. Sentimos falta de um foco maior na sobrevivência na ilha ir além de empilhar montanhas de corpos. 

Essa inconsistência narrativa é decepcionante, visto o enorme potencial proporcionado pelos demais elementos do jogo. A história de Lara merecia um pouco mais atenção, e principalmente o desenvolvimento de sua personalidade. 

Após aproximadamente oito horas de campanha, lembramos de tudo aquilo que pensamos quando jogamos o primeiro jogo da série novamente. Mesmo com esses problemas, Tomb Raider superou todas as nossas altas expectativas entregando um jogo de ação e exploração incrível. Uma pena que pecou na narrativa. O inédito modo multiplayer, aliás, é descartável e nem merece muita atenção. 

Lara Croft teve sim um recomeço que merecia. No final das contas, nada mudou: vamos continuar lembrando de sua aventura por conta de momentos impressionantes, quebra-cabeças bem sacados e cenários incríveis. Quem sabe no próximo a história ganha mais relevância?

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