REVISTA / EDIÇÃO 266
Agora que os preços caíram, chegou a hora de comprar o seu?
É no balcão de um restaurante japonês, em São Paulo, que o sushiman Fabrício Tabata Ui, de 32 anos, trabalha diariamente. Mas nas segundas-feiras de folga ele e os peixes mudam de cenário. Pescador por hobby, Ui sai de barco por uma das represas do estado e leva como companheiro de navegação um GPS. “Já passei sufoco perdido em Igaratá. Fiquei duas horas procurando a entrada da marina, estava anoitecendo e o combustível quase acabou”, diz. “Agora, eu até ajudo a outros pescadores perdidos.”
Por KATIA ARIMA
O aparelho, da americana Humminbird, especializada em pesca, serve também para marcar os pontos onde há mais cardumes. Devido ao clima, a aparência dos locais muda e fica difícil reconhecer o mesmo ponto depois. Para isso, o módulo GPS é acoplado ao sonar, equipamento capaz de identificar onde estão os peixes e representar graficamente o relevo do fundo do rio.
O GPS pode estar no barco, no carro, no smartphone ou até no relógio. Pode mostrar o caminho, rastrear a entrega, monitorar o exercício físico. Independentemente do tipo de uso (e do formato), a tecnologia vem invadindo o cotidiano das pessoas e, de carona, faz a transição dos sistemas de mapas e de localização para a era da web 2.0. Dê uma olhada nos números. Em 2007, foram vendidos 39 milhões de dispositivos com GPS em todo o mundo, segundo a empresa de pesquisas de mercado Canalys. Isso significa um crescimento de 136% em relação a 2006.
Um dos estímulos para essa adoção acelerada está na queda de preços. Quando chegaram ao mercado brasileiro, há cerca de dois anos, os primeiros PND (Personal Navigation Device, dispositivo com GPS dedicado à navegação, com software de mapas embutido) custavam por volta de 2 mil reais. Hoje, é fácil encontrar opções por menos de mil reais — e até nas gôndolas dos supermercados. O modelo G61c, da Cyber Sound, por exemplo, custa 600 reais no Extra.
O boom do GPS vem atraindo vários nomes internacionais da área para o Brasil, como a TomTom, que desembarcou aqui em dezembro passado, e a Airis, no país desde 2006. A espanhola Airis observa um crescimento nas vendas de 30% a cada trimestre no Brasil, segundo Ricardo Kamel, vice-presidente para a América Latina da empresa. “Os consumidores estão começando a perceber os benefícios do navegador GPS”, diz.
O taxista Fidel Correia, de 46 anos, desembolsou 600 reais, em janeiro, para comprar um navegador, o genérico Kazum. “Já cheguei sem erros a uma ruazinha de terra, em um condomínio fechado, onde nunca estive antes”, diz. “Meu stress e os gastos com combustível diminuíram.”
O GPS também ajuda a monitorar a frota e atender aos chamados mais rapidamente. Hoje, todos os 320 carros da cooperativa Use Táxi, em São Paulo, estão equipados com GPS e são rastreados pela central, que distribui automaticamente as corridas para os veículos mais próximos dos passageiros. As informações sobre a corrida chegam por escrito, o que evita confusões. “Os clientes são atendidos com mais agilidade e divididos entre os taxistas de forma mais justa”, diz Correia.
Mapas colaborativos
O produtor musical Agildo Lásaro, de 41 anos, vive se deslocando pela cidade de São Paulo para locais de eventos nem sempre familiares. Há quatro meses, ele comprou o navegador One, da TomTom. “Várias vezes escapei de um congestionamento monstruoso pois ouvi a informação de trânsito pelo rádio e tracei uma rota alternativa”, afirma.
Um dos diferenciais do TomTom, segundo Lásaro, é a participação da comunidade para corrigir os erros dos mapas. “Os próprios usuários avisam de mudanças como troca de mão, nome de rua e bloqueios”, diz. Desde dezembro, os usuários brasileiros já apontaram 400 correções, de acordo com Emanuele Farini Quartara, diretor-geral da E-Motion Brasil, distribuidora da TomTom no país. Em fevereiro, a TomTom registrou 1 milhão de colaborações mundiais de usuários nos mapas.
Lásaro também já usou o software de navegação Destinator, da Maplink, no seu smartphone S630 Cavalier, da HTC. Para incorporar o recurso ao aparelho, ele adotou um módulo Bluetooth, o GPS BT338, da Globalsat. Porém, ele prefere o TomTom One, que é um equipamento dedicado à navegação automotiva (PND). “Ficava confuso com as múltiplas funções do smartphone”, diz.
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