ESPACO

REVISTA / EDIÇÃO 266


Onde a TI acontece


Descubra a tecnologia que move as 100 Empresas Mais Ligadas do país

Por SILVIA BALIEIRO

Tecnologias inovadoras nascem em laboratórios e em grandes centros de pesquisa, mas é nas empresas que elas viram realidade e ganham força para sair às ruas e entrar para o cotidiano. Foi assim com o Wi-Fi, o GPS, os notebooks. E onde as empresas andam apostando seus bits neste exato momento? Para responder a essa pergunta, a INFO convidou 1 344 companhias de todo o país a participar da 13a pesquisa As Empresas Mais Ligadas do Brasil. Em 29 questões, esquadrinhamos desde o número de computadores e smartphones até as tecnologias de web 2.0 adotadas.

Com os dados no Excel e os pesos de pontuação aplicados, saíram as 100 integrantes do ranking que você confere a seguir. Juntas, essas empresas investiram 2,9 bilhões de dólares em pura tecnologia em 2007 — sem considerar os gastos com manutenção. Quem puxa esse pelotão de elite é o Bradesco, pela sexta vez consecutiva, A Empresa Mais Ligada do Brasil.

Para manter azeitada a sua gigantesca estrutura — 5 821 agências de varejo e 25 974 postos de auto-atendimento usados por 18 milhões de clientes — o banco investiu no ano passado 907,5 milhões de dólares em tecnologia. Parte do montante foi direto para o novo Centro de Tecnologia da Informação. Concebido a partir do zero dentro da Cidade de Deus, onde fica a sede do Bradesco, o prédio consumiu 170 milhões de reais somente na construção e na instalação da infra-estrutura básica. Para a rede de dados, computadores, robôs de fita e armazenamento foram gastos mais 200 milhões de reais.

O prédio foi inaugurado no fim de 2007, e a transferência dos equipamentos está sendo feita gradativamente. A previsão é de que até novembro as instalações sejam concluídas. O espaço de 10 mil metros quadrados é movido por 1 900 quilômetros de cabeamento estruturado (equivalente à distância entre São Paulo e Salvador), iluminação fluorescente de alto rendimento, central de água gelada com uso de gás ecológico, além de geradores para garantir um nível de disponibilidade de 99,995%. Para que todos os equipamentos funcionem de forma orquestrada, foi projetada uma sala de monitoramento. Se a bateria de um no-break apresentar defeito ou um cabo de rede for desconectado, um alerta será disparado. “O coração do banco está lá”, diz Laércio Albino Cezar, vice-presidente executivo do Bradesco.

WiMAX entre agências

Além do CTI, a Cidade de Deus recebeu em 2007 uma nova rede de fibra óptica, que aumentou a velocidade de transmissão de dados entre os diferentes setores do banco. E para que a alta velocidade não se perca na última milha, todos os switches por onde chegam a fibra óptica nas agências estão sendo trocados. Nessa comunicação entre as centrais do banco e suas agências, entra em cena também o WiMAX. A tecnologia de transmissão de dados sem fio não foi regulamentada pela Anatel, mas está sendo testada no Bradesco há dois anos.

Inicialmente, quatro agências na cidade de Osasco tinham o WiMAX como segunda opção de comunicação. Hoje são 20. “A experiência foi tão positiva que passamos a usar o WiMAX como rede principal nesses pontos”, diz Cezar. Segundo o vice-presidente executivo do Bradesco, em dois anos de testes a comunicação parou uma única vez porque um equipamento foi desligado por engano.

Além do Bradesco, Votorantim, Grendene, Petrobras Distribuidora e Casas Bahia são outros exemplos de empresas adeptas do WiMAX. Na Casas Bahia, em 50 lojas no estado de São Paulo, a rede sem fio funciona como uma segunda linha de comunicação. Para garantir a redundância, as duas redes têm fornecedores diferentes: a convencional é da Telefônica, e a sem fio é da Brasil Telecom. “O desempenho do WiMAX tem sido tão bom quanto o da fibra óptica”, diz Frederico Wanderley, CIO da empresa que é a 17ª Mais Ligada.

Em breve o WiMAX deixará de ser a única redundância da Casas Bahia. Até o final de 2008 o sistema de contingência estará disponível em cada uma das 566 lojas. Se as duas redes falharem ou se o mainframe que roda os sistemas parar, as lojas nem sentirão a diferença. Em caso de indisponibilidade, a contingência começará a operar imediatamente realizando todas as operações necessárias. Restabelecida a comunicação, os dados serão atualizados automaticamente no mainframe. Hoje, se o sistema cair, é necessário sacar formulários dentro das lojas para realizar as vendas.

TI dentro de casa

Seja o sistema de contingência, seja a operação do main-frame, 100% da tecnologia da Casas Bahia fica sob responsabilidade dos 230 profissionais de TI da rede varejista. A terceirização está longe dos planos da empresa. “Fazendo tudo internamente ganhamos mais velocidade na hora de realizar mudanças”, afirma Wanderley.

Dante Nardelli Junior, diretor de tecnologia e planejamento técnico da Brasil Telecom, vai na mesma linha de Wanderley no que diz respeito ao atendimento ao cliente. No final do ano passado, o call center da operadora, a segunda colocada no ranking, passou por um processo de insourcing. Os 12 mil funcionários foram contratados pela empresa. “Fazendo o serviço internamente conseguimos aumentar o padrão de qualidade”, diz Nardelli. Mas a estratégia se limitou ao atendimento a clientes. Outros serviços como desenvolvimento de software e serviços de impressão continuam na mão de parceiros.

Entre as empresas mais ligadas, também votam a favor da terceirização empresas como Grupo Ultra, Pão de Açúcar e Alcoa. A mineradora gasta 30% do seu orçamento de TI com serviços de terceiros, entre eles contact center, data center, desenvolvimento de software, hospedagem e serviços de impressão. Os esforços da equipe de TI da empresa, que tem 82 funcionários contratados diretamente, têm se concentrado em projetos como a instalação de toda a infra-estrutura na longínqua mina de bauxita, no município de Juruti, no extremo oeste do estado do Pará, em pleno coração da Amazônia. Para chegar lá só mesmo de avião ou barco.

Independentemente do difícil acesso, a equipe de TI precisou criar condições para rodar por lá a mesma tecnologia que está disponível na sede da empresa, em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. Com o uso de internet via satélite e da infra-estrutura da telefonia local, os 5 900 funcionários de Juruti têm desde máquinas rodando sistemas de minas até servidores com ERP e programas de RH da empresa. E não falta o BlackBerry, para enviar e receber e-mails como se estivessem numa cidade grande.

No escritório em São Paulo ou em plena floresta amazônica, a colaboração é um dos principais focos da TI da Alcoa. “Numa empresa global a necessidade de falar com pessoas de outros países é constante e a tecnologia precisa criar formas de facilitar esse contato”, diz Tânia Nossa, CIO da Alcoa.

As Mais Ligadas, em números:

  • 252,5 bilhões de dólares de faturamento

  • 2,9 bilhões de dólares de investimento em TI em 2007

  • 857 791 funcionários

  • 17 838 funcionários de TI fixos

  • 12 196 funcionários de TI terceirizados


  • Clique aqui e veja a tabela completa das 100 empresas mais ligadas do Brasil

           



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