ESPACO
REVISTA / EDIÇÃO 265


Software para os pequenos


O desenvolvimento para empresas de menor porte inspira novos negócios

Por SILVIA BALIEIRO

Depois de oito anos trabalhando em confecções na região de Londrina, no Paraná, Adriano Zanini, 32 anos, decidiu trocar o holerite de 1 200 reais pelo comando do próprio negócio. O mesmo aconteceu com o matemático Marcos Fiori, 38 anos, que largou o cargo de diretor de tecnologia na empresa de internet Master Biz e abriu uma desenvolvedora de sistemas para marketing na internet. Apesar de bem diferentes, os negócios de Zanini e de Fiori têm características em comum: surgiram como solução voltada para pequenas empresas.

A Akna, de Fiori, foi fundada em agosto de 2005 com investimentos do próprio matemático — num total de 300 mil reais, distribuídos em seis meses. O primeiro software, o Akna E-mail Marketing, surgiu em dezembro do mesmo ano. Para divulgar a ferramenta, o empreendedor usou como recursos o boca-a-boca e os links patrocinados do Google. “Até hoje temos um bom retorno com esse serviço de divulgação”, diz Fiori.

Quando montou a Akna, a intenção do empresário era ter um grande portfólio de produtos. Mas a aceitação da ferramenta de envio de e-mails foi maior que o esperado e adiou a criação de novos programas. “Passei a me dedicar às modifi cações sugeridas pelos clientes”, diz Fiori. O resultado de toda essa dedicação aparece nos números. O faturamento da companhia é de 3,5 milhões de reais por ano. O número de clientes chega a 240. Apesar de a maioria ser micro e pequenas empresas, Fiori trouxe para sua carteira nomões como Blockbuster e Siciliano. A estratégia para continuar crescendo é lançar novos produtos, como o software de análise de audiência Akna Web Reports. Ainda este ano também deve chegar ao mercado um programa de CRM.

DIVULGAÇÃO POR DOWNLOAD

Enquanto a Akna desenvolveu um programa para negócios de todos os segmentos, a iSoft Sistemas focou no setor têxtil. Durante o período em que trabalhou nas confecções da região de Londrina, o paranaense Adriano Zanini percebeu que não havia programas específi cos para esse tipo de empresa e descobriu aí uma oportunidade de negócio. “Peguei uma fatia de mercado que as outras desenvolvedoras não queriam”, diz. Trabalhando em casa nas horas vagas, Zanini colocou o seu programa iShopping para rodar em 2004. Disposto a iniciar um negócio, demitiu-se e fundou a iSoft Sistemas. O investimento inicial foi de 2 mil reais, gastos em um desktop e móveis de escritório.

Além de oferecer serviços para firmas do norte paranaense, Zanini investiu na divulgação via internet. Preparou uma versão básica do iShopping e colocou-a gratuitamente em sites de download. O programa fez sucesso, mas o retorno fi nanceiro não era proporcional. Poucos downloads se convertiam em upgrade para o modelo pago. “O meu erro foi oferecer uma versão sem restrição nenhuma”, diz Zanini.

A virada da iSoft começou quando o empresário passou a limitar o uso da ferramenta gratuita para até 50 cadastros. Hoje o iShopping registra mais de 1 000 downloads por semana. E mensalmente vende 2 000 cópias. Com seis funcionários, o negócio faturou 680 mil reais em 2007. Neste ano, a previsão é que a receita chegue a 1,8 milhão de reais, graças ao lançamento do iTex, um ERP para indústrias de confecções e têxtil. O programa está sendo usado por oito clientes em fase piloto. “Levo vantagem sobre outras empresas de fora do Paraná porque consigo oferecer suporte local”, diz Zanini. A Akna e a iSoft estão longe de ser exceções. As chances de sucesso em TI para pequenos são bem concretas. Muitos estabelecimentos ainda usam a planilha Excel para defi nir preços, controlar estoques e cadastrar seus clientes. E boa parte deles tem intenção de usar a TI para ter uma melhor visão do negócio. “Falta mais conhecimento do que dinheiro para pagar pela tecnologia”, diz Jorge Pereira, consultor do Sebrae-SP

       



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