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JOHN C. DVORAK

POR JOHN C. DVORAK

Cadê aquela idéia?

Como o amor de bush pelas

corporações afeta a tecnologia

Para entender as tendências nos Estados Unidos, de tecnologia ou de outra coisa, é preciso compreender que o conjunto da sociedade é inacreditavelmente influenciado pelos seus líderes. O efeito superior subalterno é evidente em qualquer corporação americana. Se você encontrar uma secretária que seja gentil, cortês e útil, o CEO terá muito desse comportamento. Se a secretária for rude, então você quase sempre encontrará um CEO rude. Gosto de chamar isso de gestalt corporativa.

Ensinavam-nos na Universidade que o presidente dos Estados Unidos tinha o poder de ser o líder moral do povo, de tal modo que, se ele fosse um escroque, a maioria da população espelharia isso. Atualmente temos um presidente moralista e muito religioso, e isso se reflete tanto no modo americano de pensar quanto na forma como os negócios são feitos. Ele não é um bom gerente, produziu a maior dívida pública da história, e vemos isso reproduzido nas dívidas acumuladas no cartão de crédito e na incompetência generalizada.

Uma das coisas observáveis nesse presidente é o seu amor por grandes empresas. Testemunhamos, assim, o surgimento de corporações e sua influência excessiva sobre o sistema. Isso afeta severamente o mundo high-tech, uma vez que as novas empresas se desenvolvem tendo em mente que um desses conglomerados possa comprá-las. Pode ser bom para os fundadores das empresas, que ganham milhões de dólares rapidamente, mas não serve para o público.

No mundo high-tech, em geral, os visionários que têm as boas idéias precisam ficar no comando ou as empresas e as idéias simplesmente se deterioram. Um exemplo clássico é o FrontPage, programa de edição de páginas web criado por uma empresa que foi comprada pela Microsoft. Nos anos em que passou sob os cuidados da Microsoft, o produto degenerou numa peça de programação miserável e está sem previsão de desenvolvimento. Os melhores produtos da Microsoft têm sempre sido feitos na sede do visionário.

O Yahoo! compra uma companhia atrás da outra, e a deterioração torna-se o tema principal. O que aconteceu com a Broadcast.com, por exemplo? Mais recentemente, o Yahoo! comprou o site de compartilhamento de fotos Flickr. Não sabiam o que fazer com ele e, agora, começam a modificar coisas — para pior. Não consigo mais ter acesso à minha conta desde que passaram a exigir a Yahoo! ID. Mas a minha Yahoo! ID não abrirá minha caixa do Flickr.

Assim, com esse presidente, temos visto poucas pequenas empresas desenvolverem-se completamente porque são compradas pelas grandes e condenadas a minguar por incompetência ou negligência.

As grandes companhias simplesmente não servem para recém-chegados criativos por causa da política de escritório. A maior parte do trabalho é feita para preservar o emprego ou obter uma promoção. Isso implica muitas ações que podem não ser boas para a companhia, mas são boas para a carreira. Como os interesses de grandes companhias vão prevalecer durante anos, temos de olhar para as tendências emergentes sabendo que algumas das melhores idéias serão absorvidas e destruídas no processo. “Deus, o que aconteceu ÀQUELA idéia?” é, de fato, o tema aqui.

Também não é porque as boas idéias ou as companhias interessantes desaparecem que devemos considerar que não eram assim tão boas ou que não possam reemergir em um clima econômico diferente. Há um ciclo nos negócios americanos que se compõe de consolidação seguida pela fragmentação. Em outras palavras, as companhias tornam-se muito grandes e, então, começam a produzir pequenas empresas de vários modos. E começa tudo de novo.

Espero que isso o alegre!

       


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