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VOIP


Está na hora de tirar o telefone fixo da tomada?

POR DéBORA FORTES

O cartunista mineiro Eduardo Evangelista, o Duke, de 33 anos, começa mais um processo de criação com o Flash e o Photoshop. O quartel-general das suas charges e animações é a própria casa, em Belo Horizonte. Desta vez, Duke faz dupla com um ilustrador que está a 40 quilômetros, na cidade de Contagem. Mas poderia ser Tóquio, Istambul ou Camberra. Remotamente, os dois trocam arquivos e falam sobre suas idéias, sem se preocupar com a conta. Nunca a expressão telefone fixo fez tanto sentido — só que com uma nova acepção. O aparelho fica imóvel, mudo, fixo. Quem trabalha é outra dupla: o Skype e a banda larga de 1 Mbps.

Duke aderiu a VoIP há dois anos pela mais habitual das vias de estréia. O objetivo era economizar nas ligações para a irmã que mora em Toronto, no Canadá. “Quando recebi uma cobrança da Embratel de 50 reais por 17 minutos, liguei na hora para questionar o valor”, diz. Ele entrou no Skype pelo sistema peer-to-peer, de computador a computador, e logo trocou a fatura de interurbanos por créditos de 25 reais do SkypeOut. “Agora, falo 20 minutos por 50 centavos”, afirma. O programa acabou virando uma ferramenta de colaboração no trabalho.

O cartunista é um exemplo de como o VoIP começa a silenciar — e até a tirar da tomada — as linhas tradicionais em casas e empresas brasileiras. Uma enquete feita em fevereiro pelo site da INFO com 1 149 internautas mostra que 4,8% deles já abriu mão da linha fixa e só usa voz sobre IP em casa.

Estima-se que o número de provedores VoIP no Brasil chegue a 250. No ano passado, o IDC mapeou 80 deles, sem incluir iniciativas peer-to-peer como o Skype. Juntas, essas empresas arregimentaram 213,9 mil usuários de voz sobre IP e uma receita de 573,3 milhões de reais. É pouco diante do que vem por aí. Neste ano, segundo o instituto, a população chegará a 420 mil, girando 1,2 bilhão de reais. “A baixa penetração de banda larga no país ainda é uma barreira. Mas o WiMAX e o 3G (Redes celulares de terceira geração. Já funcionam em regiões como a Europa e o Japão) devem estimular um salto no VoIP no fim de 2007”, diz Brendan Mark Conroy, consultor sênior de telecomunicações do IDC.

Na fábrica de equipamentos têxteis Denimmaq, do Rio de Janeiro, o telefone fixo praticamente se aposentou. “Se não fosse pela banda larga, não teríamos mais essa linha”, diz Elias Soteras Júnior, proprietário da empresa. Com clientes e fornecedores espalhados pelo país, a Denimmaq pagava de 2 500 a 3 000 mil reais por mês para a Telemar. Há oito meses, assinou o serviço Vono, da GVT, e agora gasta cerca de 550 reais a cada 40 dias.

Ligado na previsão do tempo? O VoIP está por trás da operação da paulista Climatempo. Desde junho do ano passado, a empresa usa o voipMais, da operadora TMais, com um link dedicado de banda larga de 2 Mbps. O gasto de telefone da Climatempo, usuária intensiva de interurbanos, caiu de uma média de 6 000 reais por mês para 3 500 reais. As linhas fixas viraram backup para o caso de uma queda na banda larga. “A única mudança para os funcionários é que passamos a esperar alguns segundos para receber o tom de discagem, mas isso não atrapalhou a operação”, diz Carlos Magno, diretor presidente da Climatempo.

Dá-lhe matemática!

Ao mesmo tempo em que o uso do VoIP se expande, vai caindo por terra um certo deslumbramento que imperou em suas fases mais embrionárias — o alô a custo próximo de zero. Na prática, nem sempre as tarifas do VoIP são mais baixas que as das operadoras tradicionais (confira na pág. 48), principalmente para quem faz poucos interurbanos. Ainda não se repassou para os usuários boa parte da economia trazida pelo VoIP, e a esperada guerra de preços não se materializou. “O mercado de voz de um modo geral vai mudar. E para o consumidor pouco importa se é pela internet ou não, o que conta é o preço e a qualidade”, diz Leila Loria, diretora superintendente da TVA, que oferece um serviço de VoIP em parceria com operadoras de telefonia.

A melhor opção para cada perfil? Só apelando para a matemática. É preciso avaliar itens como as assinaturas mensais, as tabelas enlouquecedoras de preços com múltiplos horários, a compra de dispositivos como o ATA (O Analog Telephone Adapter converte os sinais analógicos do telefone para digitais)... “Não existe milagre no VoIP. As pessoas têm de ponderar o custo-benefício”, diz um usuário experimentado da tecnologia, o gerente de trading Francisco da Silva, de 56 anos. Morador de São Paulo, ele adotou a voz sobre IP da Tellfree para falar com os três filhos que moram nos Estados Unidos — pagava 600 reais por mês de interurbanos. Com um ATA do outro lado, as conversas saem de graça.

Mais do que uma alternativa nas tarifas, a sacada do VoIP está na ubiqüidade — a possibilidade de levar o número para qualquer lugar onde exista banda larga —, na sintonia com a web 2.0 e no fato de questionar um modelo de telefone que imperou por 130 anos. Do softfone (Programa que permite usar o VoIP no computador) ao ATA e aos telefones IP e Wi-Fi, o VoIP abre opções praticamente ilimitadas. E tira as operadoras da inércia. “As empresas de telecom ainda dependem 85% de voz no faturamento. Elas terão de ser cada vez mais criativas e trazer novos serviços”, diz Luis Cuza, presidente executivo da TelComp, associação que reúne as operadoras brasileiras.

Na elite do Skype

Só o Skype tem cerca de 9 milhões de usuários no Brasil, o que coloca o país no TOP-5 da empresa, parte do grupo eBay. É um universo de 171 milhões de pessoas registradas. Por aqui, a empresa escolheu como parceiro para seu serviço SkypeIn, que oferece um número para receber chamadas, a operadora Transit Telecom. São 45 mil usuários. Nos laboratórios do Skype, na cidade de Tallinn, na Estônia, uma das prioridades está em aperfeiçoar codecs e estudar novas formas de transmissão de voz. “Vamos começar a trabalhar no 3G”, afirma Alberto Lorente, diretor de desenvolvimento de negócios do Skype para a Europa e a América. Há dois anos, o Skype partiu para a era do vídeo, umas das tendências quentes na VoIP.

No Brasil, o Terra é um dos provedores que investe nessa direção. A versão 3 do Terra VoIP passou a contar com videoconferência, mas ainda não oferece um número para receber chamadas. O serviço estreou há um ano e tem hoje 200 mil usuários, o que corresponde a 15% da base de clientes do provedor. Os engenheiros trabalham agora em aperfeiçoamentos na voz. “Estamos testando codecs que permitam oferecer som estéreo”, diz Paulo Castro, diretor-geral do Terra no Brasil.

Do lado das operadoras tradicionais, o VoIP ainda tem sido uma iniciativa tímida. Até se vende com desembaraço em grandes pacotes corporativos, mas nas linhas residenciais é outra história. Uma das exceções é a GVT, uma empresa espelho, que não tem grande mercado cativo a perder, e criou uma operação separada para o VoIP, a Vono. “Optamos por uma marca independente para ter uma empresa mais ágil, com dinâmica de internet”, afirma Ricardo Engelbert, diretor-executivo da Vono. São várias opções de serviço, com softfone ou ATA, mensalidade fixa ou pagamento de acordo com o uso. Pelo Vono, dá para ligar até para sacar o telefone para falar com endereços do Skype. O serviço está disponível em 151 cidades e tem 35 mil clientes.

A Embratel entrou no VoIP no ano passado com o NET Fone, em parceria com a NET, também do grupo mexicano Telmex. E vem fazendo barulho. O produto fechou 2006 com uma massa de 182 mil assinantes, em 22 cidades. Como na telefonia tradicional, paga-se uma assinatura mensal de 34,90 reais (no plano básico). O internauta instala um MTA (O Multimídia Terminal Adapter reúne cable modem e ATA), que combina cable modem e ATA. O sinal sai do telefone do usuário pela rede HFC (Rede que combina o uso de fibra óptica e cabo coaxial) (Hybrid Fiber/Coax) até uma central da Embratel. “A tendência é ir agregando serviços ao VoIP. O sistema poderá avisar, por exemplo, quando eu estourar o valor da minha franquia de assinatura”, diz Marcio Carvalho, diretor de produtos e serviços da NET. “Além disso, queremos acompanhar nosso cliente fora de casa. Estamos estudando um NET celular”, afirma.

Já a Telemar entra indiretamente no pacote TVA Voz, num acordo com a TVA. Quem presta o serviço é a operadora brasileira Neo Voice, criada em 2005. “Quando o assinante tira o telefone do gancho, reservamos uma faixa de banda do Ajato para garantir a qualidade”, diz Amilton de Lucca, diretor de desenvol- vimento do mercado corporativo da TVA. A empresa estreou nessa área em junho de 2005, com a operadora Primeira Escolha, que já saiu de circulação. Com a venda de parte da TVA para a Telefônica, o grupo espanhol também pode entrar em campo. “Existe a possibilidade de a Telefônica ter um serviço VoIP próprio ou minutos no nosso pacote”, afirma Leila Loria.

Na Telefônica a estratégia tem sido a de mexer nas tarifas do sistema tradicional. E, em alguns casos, chega a bater o preço do VoIP. A empresa afirma que está estudando a voz sobre IP, mas não diz quando estreará. “Deverão ser serviços complementares aos que o cliente tem hoje”, diz Benedito Fayan, diretor regional de inovação da Telefônica. Nem em sua sede, na Espanha, a empresa mostrou a cara de seu VoIP doméstico. Por lá, a oferta de triple play (Pacote de serviços com banda larga, telefonia e TV) inclui o ADSL, o Imagenio (nome de sua IPTV, com mais de 60 canais) e pacote de telefone tradicional.

A Brasil Telecom colocou no mercado há um ano o VoipFone, mas afirma que as vendas ainda não são expressivas. O usuário contrata uma franquia de minutos e paga como um celular. “Por enquanto, o tráfego do VoIP é incremental. Se estivéssemos sendo invadidos pelo Skype, estaríamos reagindo com mais força”, afirma Ricardo Knoepfelmacher, presidente da Brasil Telecom.

É numa nova geração de empresas, criada sob o signo do VoIP, que brotam boa parte das iniciativas. São nomes como Tellfree, TMais, Hip Telecom, Transit Telecom, Taho e Nexus. Fundada no início de 2005 por dois sócios brasileiros, a Tellfree tem 30 funcionários e 5 mil clientes, 90% deles corporativos. Está presente em 161 cidades. Para se expandir pelo país, bolou um sistema de franchising — são 62 franquias VoIP, com previsão de chegar a 150 até o fim do ano. A Tellfree se prepara para oferecer serviços baseados no protocolo ENUM (Trabalha na unificação de endereços de e-mail e números de telefone) (sigla de TElephone NUmber Mapping), que permitirá unificar números de telefone e endereços de e-mail. Também estuda a escolha de um softfone com recursos de colaboração. “Até abril, teremos vídeo e transferência de arquivos”, diz Daniel Duarte Filho, diretor-geral e um dos sócios da Tellfree. Imitando os princípios da telefonia fixa, a empresa vai começar a trabalhar com minutos mais baixos para ligações locais no VoIP.

Muitos dos novos nomes do VoIP estão se dirigindo para o SMB, o mercado das pequenas e médias empresas. É o caso da TMais. “É um segmento onde o valor da conta pesa muito”, afirma Marcos Gordon, diretor comercial da TMais. A Transit Telecom tem entre 4 e 5 mil clientes, a maioria no SMB. “Também olhamos para as redes de acesso sem fio, que vão concorrer com o 3G e o 4G”, afirma Alexandre Alves, vice-presidente de tecnologia da Transit Telecom.

Outro exemplo que mira tanto o SMB como as tecnologias sem fio é a Hip Telecom. “O atraso do WiMAX está prejudicando a evolução das empresas de VoIP. Não tenho banda larga, por exemplo, em boa parte dos meus clientes da região de Diadema, na Grande São Paulo”, diz Paulo Humberg, presidente da Hip Telecom. Fundador da empresa, Humberg foi o empreendedor por trás do leilão online Lokau, incorporado ao MercadoLivre.

A estreante brasileira Nexus buscou um parceiro na área do hardware para criar seu serviço Vonex: a Linksys, divisão da Cisco. Seu VoIP entrou no ar há cinco meses e começa a ser oferecido ao varejo neste mês. A empresa tem cerca de 5 mil clientes. “Estamos trabalhando para oferecer serviços no celular”, diz Rabih Hanna, diretor e um dos sócios da Nexus.

Enquanto o VoIP flerta com os mais diferentes tipos de dispositivos, existe uma turma torcendo para que a palavra suma do mapa. E não são as operadoras de telecom: é o time do próprio Skype. “O VoIP será algo tão transparente e fácil de usar que ninguém lembrará desse termo. Teremos serviços que não dependem do tipo de dispositivo nem da rede”, diz Alberto Lorente. Alô? Hello? Hallo? Tanto faz a língua que você está falando neste momento. O telefone irá aonde você for.

Celular na rua, fixo em casa

Duas operadoras brasileiras já embarcaram na tendência de oferecer um telefone que funciona como celular na rua e assume a linha fixa quando chega em casa. A Brasil Telecom saiu na frente, em agosto do ano passado. Agora em fevereiro foi a vez da Telemar. A TIM, por sua vez, bolou um esquema que diferencia tarifas do celular na rua e na área da casa do cliente, por meio do rastreamento de sua localização.

Celular de graça?

A startup inglesa barablu encontrou uma forma de driblar as tarifas de celular. Desenvolveu um software que permite fazer ligações por Wi-Fi de graça entre dois celulares que rodem o programa. Os primeiros testes foram exibidos em fevereiro, no 3GSM, em Barcelona, usando aparelhos equipados com os sistemas Windows Mobile e Symbian. O VoIP da barablu permite ainda ligar para telefones que não usam o programa. Pagando, é claro.

O celular desliga a linha

O IBGE ainda não pesquisa o fenômeno VoIP, mas aponta um outro tipo de substituição da linha fixa. Segundo a última edição da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), que abrange 51,7 milhões de casas, em 16,4% delas usa-se apenas o celular. “Hoje a maior ameaça à linha fixa ainda é o telefone móvel”, afirma Alex Zago, líder de pesquisa da consultoria Frost & Sullivan.

Vonage, ano 1 do VoIP

Boa parte das startups de VoIP segue o modelo da empresa americana Vonage, a que mais fatura no mundo nesse mercado. No ar desde 2002, a companhia já ultrapassou os 2 bilhões de clientes. Mas o lucro ainda não deu as caras no balanço — em 2006, a receita foi de 607 milhões de dólares e o prejuízo, 286 milhões. Uma das últimas investidas da Vonage é o v-Phone, um memory key com fone de ouvido que carrega as aplicações VoIP para onde o usuário for.

De pulso para minutos

A partir deste mês começa a entrar em vigor no Brasil a nova regra que cobra as ligações de telefone fixo por minutos e não mais por pulsos. Segundo as normas da Anatel, as operadoras terão de oferecer aos assinantes pelo menos um plano básico, para quem fala pouco, e um alternativo. As empresas têm até julho para colocar o novo modelo em prática.

Spam de voz

Os spams ganharam uma encarnação própria no VoIP. São os SPITs (Spam Over IP Telephony). Já apareceram programas criados para tentar infestar as redes com ligações de telemarketing, trotes e companhia.

Serviços / Operadoras

Sai o fixo, entra o VoIP

A telefonia VoIP já pode bater a fixa

até mesmo em chamadas locais

Airton Lopes

Artes

Até os marcianos sabem, a esta altura, que o VoIP e as chamadas interurbanas e internacionais nasceram um para o outro. A novidade é que, agora, o VoIP também se defende bem em ligações locais. Tornou-se uma alternativa prática para o dia-a-dia. Nunca foi tão fácil comprar uma linha VoIP capaz de fazer e receber chamadas, inclusive de forma independente do PC. As tarifas locais baratas, que sempre foram o grande trunfo das operadoras fixas, não são mais. Os minutos de papo em uma ligação local custam praticamente o mesmo na telefonia convencional e na IP. A diferença é que os serviços de VoIP quase sempre têm assinaturas muito mais baixas. Assim, mesmo considerando a franquia obrigatória de 200 minutos em ligações locais dos planos básicos das operadoras fixas, em algumas situações, o VoIP passa a ser mais vantajoso até mesmo para quem fala apenas com telefones da mesma cidade.

Para verificar quando e quanto sai mais barato falar por VoIP do que por uma linha fixa, INFO elaborou três perfis de consumo: o do sujeito que fala pouco (57 reais em média, na telefonia fixa), o de uma casa com uma conta capaz de irritar qualquer adulto (cerca de 278 reais) e o de um profissional liberal que trabalha em casa e tem contatos em outros Estados e países (1 740 reais por mês). Comparando os custos de sete serviços VoIP testados pelo INFOLAB com as contas de um cliente do plano básico das três maiores operadoras do Brasil, alguns serviços VoIP são mais vantajosos que a linha fixa em todos os cenários.

Mas, apesar de decisivo, o custo das tarifas não é o único fator a ser pesado na escolha de um serviço VoIP. Outros aspectos, como a qualidade de voz e maior oferta de prefixos para linhas virtuais, também merecem atenção. Existe ainda a opção entre a comodidade de ter a linha virtual ligada a um telefone independente do PC ou a mobilidade proporcionada pelo softfone. Levando em conta essas características, veja, a seguir, o que tem de melhor e de pior os planos do Vono, Skype, TVA Voz, NET Fone, Hip Net, Tellfree e Tmais. O VoiPMais, da Brasil Telecom, não pode ser avaliado porque a solicitação de contratação do serviço feita no site da empresa não foi respondida.

Vono (plano conforto)

Com suas tarifas imbatíveis, o Vono é a Escolha de INFO para chamadas locais e DDD. Nos três perfis de consumo adotados como referência para os gastos com telefonemas, o Vono apresenta o menor custo. Outro diferencial é o cardápio de prefixos virtuais brasileiros disponíveis, 151 cidades de 13 Estados. O minuto da chamada local para telefones fixos custa 0,11 real. O valor é o mesmo para fixos de qualquer uma das 151 cidades atendidas pelo Vono e cai para 0,06 real se o número chamado for da GVT, a operadora fixa que controla a Vono. A ligação de Vono para Vono é gratuita. Um recurso interessante é o Acesso Telefônico, que permite ao usuário, a partir de uma linha fixa, realizar chamadas pela sua conta do Vono. O ponto fraco do Vono observado nos testes do INFOLAB foi a qualidade da voz, que freqüentemente apresentava algum tipo de interferência. As conversas foram feitas entre o softfone do Vono e números fixos e celulares.

Skype (skypeIn/Out)

O Skype, a Escolha de INFO para DDI, é disparado o serviço de maior abrangência na venda de linhas virtuais. Assinando o SkypeIn (106,66 reais por ano ou 40 reais por 3 meses), pessoas de qualquer lugar do mundo podem habilitar até 10 números de telefone de 11 cidades no Brasil ou de centenas de localidades em 13 países para receber chamadas de telefones fixos e celulares no PC. Para ligar do PC para telefones comuns e móveis, é necessário comprar créditos pelo SkypeOut. O Skype tem os principais recursos de telefonia desejados em um serviço VoIP, como correio de voz, redirecionamento de chamadas, teleconferência, identificador etc. Se levarmos em conta também os recursos de comunicação de PC para PC, a vantagem do Skype sobre outros softfones passa a ser monstruosa. Afinal, o papo por voz no Skype pode ser acompanhado com transmissão de vídeo, mensagem instantânea e transferência de arquivos.

TVA Voz (plano nacional 250)

Para utilizar o TVA Voz é preciso escolher uma de suas modalidades, como o Plano Nacional 250, e comprar um adaptador (299 reais). Esse equipamento faz a ponte entre o aparelho de telefone comum e o modem de banda larga. O link de internet não precisa ser o de um provedor específico, o que permite que pessoas de qualquer cidade ou país usem o TVA Voz ou mesmo que o assinante leve na mala o adaptador para usar sua linha VoIP em qualquer lugar do mundo. Hoje, o TVA Voz vende apenas linhas virtuais com o prefixo 11 (São Paulo). No Plano Nacional 250, o usuário paga uma assinatura mensal de 49,90 reais, o que lhe dá direito a falar por 250 minutos em chamadas locais e interurbanas para linhas fixas. Ultrapassada a cota, as ligações passam a ser cobradas por minuto, assim como os telefonemas internacionais, que não são abatidos da franquia. O problema do TVA Voz é que todas as ligações para celulares do Brasil são cobradas como minuto excedente (0,99 real), o que leva as contas às alturas.

NET Fone (plano fale simples)

Vários serviços permitem a comunicação por VoIP sem o uso do computador. No caso do NET Fone, além de dispensar o PC, o usuário não precisa sequer ser assinante de banda larga. Basta que ele tenha um aparelho de telefone comum, que será ligado a um adaptador (chamado MTA) conectado ao cabo da NET. O cliente não paga nada pelo adaptador, que é cedido em comodato pela empresa. No entanto, quem já possui ou contrata outro serviço da NET (a banda larga do Vírtua ou TV por assinatura) fica livre da taxa de instalação (300 reais), que é feita por um técnico da empresa, e do custo da assinatura (34,90 reais) por no mínimo seis meses e no máximo um ano. O serviço tem uma franquia no valor da assinatura que pode ser utilizada em ligações para telefones fixos e celulares de qualquer local. O NET Fone vende linhas VoIP de nove cidades (São Paulo, Campinas, Santos, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Florianópolis), mas apenas para quem mora nessas localidades.

Hip Net (plano light premium)

O Hip Net é uma opção para quem pretende aderir à telefonia VoIP sem abrir mão da facilidade de uso da linha fixa. Mas, desde que ele não se assuste com os custos envolvidos nessa migração. Para usar o serviço é preciso comprar o adaptador Hip Box (449 reais, no Submarino). O valor da assinatura também é elevado. Custa 59,90 reais, mas, pelo menos, inclui uma franquia no mesmo valor para ser usada livremente para telefonemas locais, interurbanos ou internacionais. Mas quem liga muito para celulares deve ficar atento à tabela de tarifas do Hip Net Light Premium para os minutos excedentes da franquia. O valor cobrado por minuto nos telefonemas para celulares brasileiros é altíssimo: 1,30 real.

Tellfree (plano residencial)

Com uma oferta de linha virtuais com prefixos de 29 cidades do Brasil, o plano residencial da Tellfree cobra uma assinatura mensal de 20 reais, sem direito a franquia de minutos. Se quiser fazer os telefonemas, o usuário terá de comprar créditos. E também correr atrás de um softfone por conta própria, a menos que ele já tenha um software de VoIP, um ATA ou um telefone IP. O Tellfree não tem um softfone oficial nem indica em seu site links para o download de um programa que possa ser habilitado com a conta do serviço. O site também é confuso a respeito da habilitação, informando que ela seria paga (99 reais), mas que é feita gratuitamente. Nos testes do INFOLAB, o Tellfree foi habilitado em um ATA HandyTone 486, da Grandstream. Com a ajuda do suporte técnico da empresa, a configuração do dispositivo foi tranqüila.

Tmais (plano pré)

Quem fica pouco em casa e fala menos ainda, mas tem banda larga e quer um número fixo para receber telefonemas, encontra atrativos no plano Pré do Tmais. Com linhas virtuais de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador, ele é o único serviço testado que não cobra assinatura. O cliente paga apenas pelos telefonemas que faz — basta que abasteça sua conta com créditos do serviço. Ou seja, funciona de forma semelhante aos celulares pré-pagos. Com isso, no Tmais, os gastos de quem fala pouco corresponderam a menos de um terço da conta que seria paga por um assinante de telefonia fixa no perfil de baixo consumo adotado por INFO para a comparação de tarifas. O problema do Tmais é que ele economiza na conta e também nos recursos. Ele não tem correio de voz, teleconferência, redirecionamento e chamada em espera. Nos testes do INFOLAB, a qualidade de voz nas ligações para aparelhos fixos e celulares pelo Tmais decepcionou.

Telefonema na faixa

Serviços como VoIPDiscount (www.voipdiscount.com), VoIPBuster (www.voipbuster.com) e Gizmo Project (www.gizmoproject.com) trabalham com tarifa zero para diversos países. Todos estavam disponíveis para brasileiros no final de fevereiro.

Serviços / Portais

Alô barato pelo PC

Os serviços VoIP dos portais fazem ligações baratas, mas são espartanos

Airton Lopes

Artes

Os portais Terra, iG e UOL ainda buscam um lugar ao sol no mundo VoIP. Como não oferecem números virtuais para que as pessoas recebam no PC ligações de telefones fixos e celulares, só resta a eles a disputa pelo usuário menos exigente ou esporádico de VoIP. Isto é, o sujeito que não tem a intenção de trocar o telefone fixo por VoIP, mas busca alternativas para fugir das tarifas salgadas das operadoras fixas para ligações interurbanas e internacionais. Em compensação, os portais têm a seu favor a força das marcas, que podem ser fator determinante na dúvida entre um serviço desconhecido e o de um grande portal.

Pensando exclusivamente com o bolso, o Disk&Lig (www.melig.com.br), o UOL Fone (fone.uol.com.br) e o Terra VoIP (voip.terra.com.br) até podem ser atraentes. Afinal, as tabelas de preços dos portais trazem tarifas com valores competitivos em relação a outros serviços VoIP mais sofisticados. Fora isso, os recursos oferecidos são paupérrimos. A discagem para telefones convencionais pelo Disk&Lig, UOL Fone e Terra VoIP sempre exige o uso do prefixo regional do número chamado, mesmo que ele seja da mesma cidade do usuário. Nos testes do INFOLAB, a qualidade de voz nas ligações ficou aquém da observada em serviços mais completos. Veja, a seguir, mais detalhes sobre cada um dos serviços.

DISK&LIG

Assim como o Skype, além de comunicação gratuita com voz entre os usuários e ligações para telefones convencionais, o Disk&Lig faz o papel de mensageiro instantâneo. Um recurso bacana de personalização é o Click&Lig, um botão em HTML que pode ser inserido em assinaturas de e-mail, sites e blogs. Ao clicar sobre o botão, qualquer pessoa poderá iniciar uma conversa de voz com o usuário do Disk&Lig. O serviço não cobra assinatura mensal e, diferentemente do Terra VoIP e do UOL Fone, não inclui o boleto bancário entre as opções de pagamento.

TERRA VOIP

Um ponto positivo do Terra VoIP é seu softfone, que traz uma agenda esperta e alguns recursos legais. O melhor deles é o de videoconferência, que, é claro, só funciona nas conversas entre usuários do Terra VoIP que possuem webcams. Também é possível falar pelo Terra VoIP por meio de um ATA ou telefone IP. O site do serviço traz uma relação de dispositivos compatíveis. Nos testes do INFOLAB, a qualidade das ligações feitas pelo Terra VoIP foi superior à do Disk&Lig e do UOL Fone. A desvantagem é a assinatura mensal (9,90 reais).

UOL FONE

Mais pelado que o UOL Fone, impossível. Tirando uma agenda telefônica bem simples, o softfone é desprovido de qualquer outro recurso. Ele serve exclusivamente para ligar para telefones fixos e celulares. Não é possível nem mesmo falar com outro usuário do UOL Fone que esteja online. O atrativo do serviço está nas tarifas mais baratas para telefones de São Paulo e Rio de Janeiro. O minuto sai por 0,14 real, contra 0,16 real do Disk&Lig e 0,21 real do Terra VoIP.

       


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