O SUSE 10 esbanja poder
O Linux Enterprise Server 10 incorpora virtualização de servidores
POR CARLOS MACHADO
Apresentado em meados de julho, o SUSE Linux Enterprise Server 10, SLES 10, a nova versão do sistema operacional para servidores da Novell, encontrou uma impressionante boa acolhida no mercado. Nos dez primeiros dias em que o produto esteve disponível, mais de 165 mil downloads foram feitos no site da empresa. Baseado no kernel 2.6.16.21 do Linux, o SLES 10 traz novidades de peso. Uma delas é o virtualizador Xen hypervisor, produto de código aberto da Xen Source. A outra, a aplicação de segurança AppArmor, da própria Novell.
O SLES 10 faz parte da nova estratégia da Novell, voltada especificamente para o mundo corporativo. Junto com o SLES 10, a empresa lançou também o SUSE Linux Enterprise Desktop, uma versão cliente. Observe-se: ambos os sistemas trazem no nome a palavra “Enterprise”. Os dois podem ser baixados no site da empresa e avaliados por 60 dias. Após esse prazo, é necessário adquirir assinatura, válida por um período determinado, para ter direito a suporte e atualizações. No Brasil, a assinatura custa 2 240 reais para o prazo de um ano, para plataformas Intel de 32 ou 64 bits.
Xen hypervisor
O virtualizador Xen hypervisor é uma camada de software que se coloca entre o hardware e o sistema operacional. Com isso, permite que cada servidor físico rode um ou mais servidores virtuais. A mesma máquina, portanto, pode abrigar mais de um sistema operacional. Entre as numerosas vantagens da virtualização, uma é dar continuidade ao uso de um aplicativo que só funciona com uma versão antiga de um sistema operacional — por exemplo, Windows NT 4.0. Cria-se um Windows NT virtual para atender às necessidades do aplicativo. As máquinas virtuais criadas com o SLES 10 não interferem no custo da assinatura.
Briga de pingüins
Ao incorporar o virtualizador Xen hypervisor, a Novell espera reforçar sua posição no mercado corporativo de Linux, onde ocupa o segundo lugar, bem atrás da Red Hat. A empresa quer se beneficiar do crescimento da procura por virtualização em empresas e datacenters. A Red Hat, que ainda não incorporou o recurso ao seu Linux, já abriu uma área em seu site para afirmar que pretende integrar a tecnologia de virtualização ao Red Hat Enterprise Linux. Atualmente, a empresa tem uma solução em versão alfa integrada ao Fedora Core 5, versão livre do Linux que patrocina. A base de virtualização da Red Hat será a mesma já apresentada pelo SLES 10 — a tecnologia Xen. Acredita-se que a empresa não terá uma versão final antes do final deste ano. A Novell quer aproveitar essa vantagem.
Segurança
O AppArmor, da Novell, é uma ferramenta de segurança que protege o sistema operacional e seus aplicativos contra tentativas de ataque, programas maliciosos e vírus. Permite criar políticas de proteção para os programas que estão rodando no servidor. O SLES 10 também oferece criptografia, firewall e gerenciamento de usuários. Traz ainda um pacote completo de ferramentas para desenvolvimento e ambientes para infra-estrutura web: servidor web Apache, as linguagens Perl, Python e PHP e o banco de dados MySQL.
Instalação
O SLES 10 instala-se sem nenhuma dificuldade. No INFOLAB, o produto rodou num Pentium 4.0 com 2 GB de memória. A cópia utilizada foi baixada no site da Novell, na forma de quatro imagens ISO de CD. A configuração de rede pode ser feita durante a instalação ou depois dela. A interface-padrão do sistema agora é o Gnome (antes era KDE). A mudança está associada ao fato de a interface Gnome ter sido desenvolvida por um projeto de código aberto controlado pela Ximian, empresa que a Novell adquiriu há cerca de três anos. Quem preferir pode usar a outra interface.
Virtualização
Para instalar o servidor de virtualização Xen, o operador precisa ir ao bloco Sistema, no Yast, o painel de controle já tradicional no SUSE Linux. Lá, um clique na opção Gerenciamento de Máquina Virtual traz um aviso: o servidor Xen não está configurado. Instalados os pacotes do Xen, é preciso reiniciar a máquina e usar uma nova opção oferecida no menu de boot para carregar o kernel do virtualizador. Agora, com o Xen ativo no sistema, quando se retorna ao item Gerenciamento de Máquina Virtual, surge uma caixa de diálogo mostrando as máquinas existentes. Ao lado, botões para iniciar, parar e visualizar as MVs. A visualização é feita numa janela de texto — o que constitui um ponto fraco desse recurso. O botão Adicionar cria nova máquina virtual. Para isso, ele precisa instalar o sistema naquela máquina.
Com as novidades incluídas no SUSE Linux Enterprise Server 10, a Novell reforça o prestígio do produto no mercado. A iniciativa também confirma a tendência de haver duas distribuições Linux posicionadas como as maiores no segmento corporativo: Red Hat e SUSE.
Teste do INFOLAB: SUSE Linux Enterprise Server 10
Fabricante - Novell
O que é - Sistema operacional para servidores
Pró - Inclusão do Xen hypervisor, que cria servidores virtuais
Contra - Há poucas ferramentas gráficas de gerenciamento para o Xen
Recursos - 8,5 (Traz todos os itens para a montagem de servidores locais ou servidores web)
Gerenciamento - 8,5 (O painel de controle do Yast oferece boa interface de administração)
Segurança - 8,0 (O AppArmor permite que o administrador reforce as regras de proteção dos aplicativos)
Avaliação técnica(1) - 8,3
Preço (R$) - 2 240 (licença por um ano)
Custo/benefício - 8,2
(1) Média ponderada considerando os seguintes itens: Recursos (50%), Gerenciamento (20%) e Segurança (30%).