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O Wi-Fi n não sai tão cedo


O padrão 802.11n emperrou. Empresas que não têm a tecnologia talvez estejam barrando o processo

POR JOHN C. DVORAK

O comitê da IEEE encarregado de padronizar a nova geração de sistemas wireless está parado mais uma vez. Trata-se da especificação 802.11n, que poderá operar com velocidades entre 300 e 600 Mbps e talvez mais, usando as tecnologias MIMO (multiple in, multiple out) desenvolvidas pela Airgo Networks, pequena empresa de semicondutores comandada pelo inventor do MIMO. Os usuários que querem ter os benefícios de velocidades superaltas em conexões sem fio podem comprar equipamentos pré-n baseados nos chipsets da Airgo. Infelizmente, o mercado ficou confuso com o surgimento dos dispositivos wireless chamados draft-n, que não oferecem tantos benefícios quanto os esperados.

A imprensa nos EUA não deu muita atenção aos produtos pré-n, e o processo do 802.11n parece ter empacado. Não se deve ter um padrão oficial estável antes de 2008. Até onde sei, isso parece orquestrado por todos os outros fornecedores de chips 802.11, que desejam retardar o processo para que eles mesmos tenham tempo de reinventar a tecnologia da Airgo. Mas essa tecnologia não é trivial. Parece ser uma nova teoria de propagação das ondas de rádio que viola uma série de idéias estabelecidas. Não devem existir mais que meia dúzia de pessoas que de fato entendem o mecanismo. E a maior parte delas trabalha para a Airgo. Enquanto o padrão n não chega, se você quer um equipamento mais rápido que o 802.11g, procure algo que contenha um chip Airgo. A propósito: todos os roteadores e placas de rede com essa tecnologia são compatíveis com os padrões 802.11b e g.

Em outra área, as notícias técnicas aqui nos Estados Unidos estão outra vez influenciadas por fatos políticos de todo o tipo. No topo da lista de temas debatidos, encontra-se algo chamado neutralidade da net, que é a tentativa de criar uma legislação que assegure aos usuários e provedores de informações (websites) igual acesso à internet. As grandes companhias telefônicas e as empresas de TV a cabo, que assumiram o negócio de acesso à rede, estão ameaçando cobrar mais de donos de sites e internautas, a fim de prestar “melhores” serviços.

Isso parece normal, uma vez que você pode pensar que já paga mais por uma conexão rápida. No entanto, a coisa vai além disso. Um exemplo: você tem um website que compete diretamente com um dos sites de propriedade da companhia telefônica. Esta decide limitar aos seus clientes a disponibilidade de banda. Então você precisa pagar mais se quiser enviar dados em alta velocidade. Pode parecer meio maluco, mas é disso que trata o debate.

Creio que tudo está ligado à forma como as empresas cobram os serviços de telefonia celular. Até o surgimento dos celulares, o telefone comum não tinha custo para quem recebia a chamada. Assim, se você nunca fizesse uma ligação, sua conta seria o mínimo. O celular é que começou a cobrar por telefonema recebido. Estou convencido de que as empresas telefônicas e TVs a cabo que fornecem conexão à internet querem encontrar formas similares de onerar os usuários em tudo que possam cobrar.

Isso certamente não agrada grandes empresas como a Google, que ficam à mercê de coisas que podem interferir em sua atividade. A Google começou a experimentar alguns serviços sem fio gratuitos e deverá tornar-se um provedor para competir com as companhias de cabo e as telefônicas. Por que não? A empresa diz que seu faturamento aumenta com o acesso mais rápido e entende que há relação entre as duas coisas.

       


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