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50 truques para economizar tempo e dinheiro com o PC

POR AIRTON LOPES, ANDRé CARDOZO, CARLOS MACHADO, LUCIA REGGIANI E SILVIA BALIEIRO

Ligar o PC é a primeira coisa que Claudio Cortez faz ao acordar. Enquanto a máquina boota e se conecta à internet em banda larga, ele escova os dentes e ganha uns minutinhos. Toma café lendo os e-mails, ao mesmo tempo em que conversa com sua agente pelo messenger (ele é ator), economizando pulsos telefônicos. Passa os olhos pelo noticiário dos portais, descarrega fotos tiradas com a câmera digital de seu celular e inclui despesas numa planilha. Tudo embalado por um som em MP3, tocando direto do HD. O PC está tão integrado ao seu dia-a-dia, que ele nem questiona se a máquina está ajudando-o a poupar tempo e dinheiro como deveria. Ele e a torcida do Brasileirão.

A promessa de economia do PC se perde na poeira de seu lançamento, há 25 anos. O então revolucionário IBM 5150 rodava PC DOS com um processador de 4,77 MHz, 16 KB de memória e gravava dados em fita cassete. Era uma miséria de capacidade para os padrões atuais, mas dava para editar textos, fazer cálculos, programar no interpretador de Basic e, nas horas muito vagas, jogar Rebel Assault na tela de fósforo verde. Não era coisa para leigos nem de lazer. Ao preço de 3 000 dólares, não se podia considerá-lo acessível.

Neste um quarto de século, perto de 1,6 bilhão de PCs foram produzidos e há 870 milhões deles girando seus HDs em todo o mundo, algo em torno de 32 milhões no Brasil, segundo o instituto Gartner e estimativa do IBCD. E apesar de ter sua morte anunciada várias vezes pelos futuristas de plantão, o PC resiste vendendo feito pão quente.

Só no ano passado, 5,5 milhões de desktops e notebooks foram vendidos no país, 35% mais que em 2004, segundo a IDC Brasil, resultado espetacular para uma economia que, no todo, avançou 2,3%. O motivo principal foi o preço, que vem caindo por conta da redução de impostos patrocinada pela Lei do Bem. E se está barato, compramos. Tanto que o primeiro semestre deste ano fechou com vendas de 3,3 milhões de máquinas, mais que o total negociado em 2003. “A tendência é continuar vendendo muito até 2010”, diz Reinaldo Sakis, analista de mercado da IDC Brasil.

Um segundo fator que impulsiona a propagação de PCs é a internet e o sentimento de que quem está fora dela está fora de tudo. Já são 21,2 milhões os brasileiros com acesso à web em casa. Desses, 13,4 milhões ficam na frente do computador, navegando 20 horas e 39 minutos por mês, em média, o tempo mais longo do mundo, segundo dados de julho do Ibope/NetRatings. O que fazem essas pessoas? Entre outras coisas, abrem o orkut para cumprimentar um amigo, vêem um vídeo no YouTube ou deixam o cachorro passar fome para alimentar o blog. Sério. O mundinho web abrigava em abril 35,3 milhões de blogs, que brotam feito cogumelos: 75000 novos por dia, um por segundo, nas contas do Technorati, site rastreador de diários online. E há sempre algo novo. O número de domínios .br cresceu 20,2% em julho sobre o mesmo mês de 2005, batendo em 957 979, segundo o Comitê Gestor da Internet.

No rol dos novos conteúdos da web há muito vídeo e som, algo que requer banda suficiente para um tráfego confortável. Os brasileiros usuários de banda larga ainda são poucos, apenas 1,9% da população. Mas a redução de preço dos serviços de acesso aumentou a turma em 73% no ano passado, elevando o número de conexões a 3,46 milhões, segundo a IDC Brasil. A tendência é de aumentar mais 48% este ano, no rastro das promoções dos combos de TV digital, banda larga e telefone VoIP. E com mais banda, mais tempo online.

As novidades são tantas que acabam distanciando o uso do PC de sua promessa original: economizar tempo e dinheiro. Por isso INFO foi atrás de formas novas de poupar, utilizando redes sem fio, gerenciamento de documentos, aplicativos online, VoIP, celulares, videoconferência, messenger, e-mail, banda larga, compras online, internet banking, software livre, serviços públicos e fotográficos. Tudo sem atrapalhar a diversão.

1. Velocidade é com rede G

Instalar uma rede sem fio em casa ou no trabalho melhora a produtividade e o conforto na hora de usar o PC. É o fim dos cabos de rede, do transporte de arquivos em memory key e HDs externos e da necessidade de ficar grudado ao computador. Quem está pensando em montar uma rede sem fio deve dar preferência a uma infra-estrutura do padrão 802.11g com suporte a tecnologias como MIMO e SRX, que proporcionam ganho real de velocidade em relação às redes G convencionais. Deve-se ainda ter o cuidado de comprar ponto de acesso e placas do mesmo fabricante, para evitar problemas de compatibilidade e obter velocidades maiores.

O INFOLAB testou dois roteadores 802.11g com tecnologia de aceleração: o WRT54GX, da Linksys, e o TEW-611BRP, da TRENDnet. Em ambos os casos, a velocidade medida ficou bem acima da obtida em redes G comuns, que é de cerca de 20 Mbps. O WRT54GX proporcionou uma taxa de transferência média de 28,3 Mbps. Já o TEW-611BRP foi melhor ainda, e obteve a marca de 30,7 Mbps. Para chegar a essas marcas, ambos os roteadores foram testados com placas Wi-Fi do mesmo fabricante, condição essencial para ganho de velocidade.

2. Rede B também dá conta do recado

A diferença de velocidade entre a rede sem fio turbinada e a do padrão 802.11b é grande, mas quem tem equipamentos mais antigos não precisa trocar. A velocidade real média de uma rede 802.11b é de cerca de 6 Mbps. Esse valor é mais que suficiente para desempenhar a maioria das tarefas do dia-a-dia, como navegação na web e transferência de arquivos entre PCs. A rede B também funciona bem na hora dos downloads, já que mesmo conexões de banda larga mais parrudas não costumam ultrapassar o valor real de 4 Mbps. Nesse caso, o possível gargalo nos downloads é a conexão de banda larga, e não a rede sem fio.

3. Sinal fraco? Antena nele

Quem mora em lugares com muitos obstáculos físicos ou mais de um andar, como sobrados, pode ter dificuldade em acessar sua rede sem fio de qualquer ponto do ambiente. Nesses casos, a saída pode ser a instalação de uma antena Wi-Fi. Esse tipo de equipamento amplifica a potência do sinal da rede, aumentando seu alcance. Ao escolher uma antena, procure um modelo do mesmo fabricante dos outros aparelhos da rede, para evitar incompatibilidade. O preço de um equipamento desse tipo não costuma ultrapassar 150 reais. A antena DWL-50AT, da D-Link, pode ser encontrada por 40 reais. Já a TEW-A09D, da TRENDnet, tem maior potência e custa cerca de 140 reais.

4. Em vez de printar, tudo em PDF!

Uma boa forma de economizar em toner de impressora e papel é converter comprovantes de banco e outros tipos de fatura em arquivos PDF. Há diversos programas especializados nessa função, que normalmente funcionam como impressoras virtuais. Assim, basta acionar o comando de imprimir a partir de qualquer programa e escolher o conversor de PDF para gerar o arquivo.

INFO testou três conversores de PDF: DocuCom PDF Direct 7.8, FreePDF XP 3.07 e CutePDF Writer 2.6.

O DocuCom PDF Direct (www.info.abril.com.br/download/4252.shtml) foi o melhor entre os aplicativos testados. Além de funcionar como driver de impressora virtual, o conversor roda como um programa independente. O programa pode gerar um arquivo PDF para cada documento ou combinar os arquivos selecionados em um só PDF. O usuário pode também ajustar o nível de compressão, para atingir o equilíbrio desejado entre tamanho do arquivo e nitidez. O DocuCom permite ainda incluir níveis diferentes de compressão para imagens e textos. Há também ajustes para salvar os PDFs gerados automaticamente numa pasta designada pelo usuário, o que agiliza a vida de quem cria muitos PDFs.

O FreePDF XP (www.info.abril.com.br/download/4264.shtml) é uma opção básica para criação de PDFs. Ao fazer a conversão, o usuário pode escolher entre três perfis de qualidade, com diferentes níveis de compressão para texto e imagem, entre outros parâmetros. Os perfis podem ser editados e o usuário pode criar um novo perfil. Mas os ajustes ficam escondidos em submenus e são identificados por termos técnicos, que muitas vezes não esclarecem o que está sendo regulado.

O CutePDF Writer (www.info.abril.com.br/download/4017.shtml) é o mais espartano entre os programas testados. Ele não possui interface própria e funciona apenas como impressora virtual. A conversão para PDF é enxuta, sem direito a configuração de tamanho ou nitidez do arquivo. Em compensação, o programinha é valente: nunca dá pau.

5. Do livro direto para o Word

Universitários e estudantes de pós-graduação costumam perder muito tempo digitando citações que só são encontradas em livros. Uma boa forma de agilizar esse processo é usar um programa de OCR (Optical Character Recognition). Além de digitalizar documentos, esse tipo de programa lê os caracteres contidos no papel e os converte para o aplicativo desejado.

O shareware ABBYY FineReader Professional 8.0 (www.info.abril.com.br/download/4483.shtml) é uma excelente opção para esse tipo de tarefa. Ele permite jogar o texto digitalizado de um livro direto para o Word. O procedimento é simples. Depois de instalar o programa, baixe e instale o dicionário de português do Brasil, disponível no site da ABBYY. Isso fará com o que o programa reconheça caracteres do nosso idioma, como cedilha e acentos. Depois de instalar o dicionário, acesse o menu Tools > Options e clique na aba Read. Nela, escolha o idioma de reconhecimento como português e feche a caixa de opções.

Com o idioma configurado, clique no menu File > Scan Image. O FineReader vai chamar o aplicativo de digitalização e converter a página para o formato digital. Depois de digitalizar o documento, o FineReader abre a interface de reconhecimento de caracteres. Agora, você pode fazer o reconhecimento da página inteira ou apenas de uma parte dela. Na janela Image, clique na ferramenta de texto e selecione o trecho a ser reconhecido. A seguir, clique no botão Read. O conteúdo reconhecido aparecerá na janela Text. Clique no botão Save, escolha a opção Save Pages e, na tela seguinte, defina o formato DOC como o de saída. Pronto, o trecho desejado foi escaneado e já está no Word.

       


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