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Pegadinhas do Vista


Naveguei pelos recursos mais legais e mais polêmicos do novo Windows

POR ANDRé CARDOZO

"Como o Windows Vista se comporta no dia-a-dia? Para responder a essa pergunta, utilizei a versão Beta 2 do Windows Vista por dez dias, fazendo todas as minhas atividades no INFOLAB sem recorrer ao XP da rede da INFO. O computador usado foi um PC com processador Pentium 4 de 3 GHz, 1 GB de RAM, HD de 120 GB e placa de vídeo GeForce FX5600 com 128 MB de memória. No geral, o sistema se mostrou estável, sem travamentos ou ‘engasgadas’. Em compensação, não constatei um salto extraordinário em relação à experiência de uso oferecida pelo XP. Confira a seguir os detalhes do teste.

Segurança

Fiz de tudo para utilizar o Windows Vista como um usuário comum, como recomenda a Microsoft. Mas o trabalho extra de informar senha a cada instalação de programa me empurrou para a conta de administrador. Mesmo nela, não me vi livre das constantes mensagens do tipo ‘Tem certeza de que quer fazer isso?’ Elas aparecem na instalação de programas, na instalação de plug-ins do IE e no ajuste de configurações de rede, entre outras atividades. A Microsoft tem o mérito de adotar medidas para aumentar a segurança do sistema. Mas, após alguns dias de uso, o excesso de alertas irrita muito e a tendência é entrar em ‘piloto automático’, respondendo aos avisos sem sequer ler as mensagens. Não cheguei ao extremo de desabilitar o recurso de segurança UAC (User Account Control) no MSConfig, mas acho que muitos usuários mais experientes vão seguir esse caminho para se livrar dos alertas.

Busca

O sucesso de programas como Copernic Search e Google Desktop Search mostra que a ferramenta de pesquisa do Windows XP, lenta e de acesso complicado, já não dá mais conta do recado. Para avaliar melhor a busca do Vista, instalei também o Copernic Desktop Search e comparei o desempenho das duas. No geral, a ferramenta da Copernic foi um pouco melhor na quantidade de resultados, e tem a vantagem de oferecer uma prévia dos arquivos. Mas a busca do Vista é claramente um avanço e tanto em relação à do Windows XP. A opção ideal para heavy users ainda é a instalação de um aplicativo especializado.

Organização de arquivos

O recurso mais bacana do novo Windows Explorer é o menu em cascata, que mostra o caminho de diretórios percorridos em uma seqüência do tipo Fotos > Férias > 2006 > Julho. Esse esquema já muito usado em sites de comércio eletrônico para mostrar a relação entre categorias e subcategorias, e caiu bem no sistema operacional. Usando esse tipo de navegação, conhecido pelo termo ‘breadcrumb’, fica muito fácil sair de uma subpasta para um diretório de primeiro nível. Em pouco tempo de uso, troquei a tradicional navegação em árvore pela nova, que funciona melhor principalmente quando há muitos diretórios.

Interface gráfica

A nova interface gráfica Aero traz efeitos e transparências bacanas, mas nada que mude radicalmente o uso do PC ou facilite muito a execução de tarefas. Uma das poucas novidades que me ajudou foi a possibilidade de ver uma miniatura da janela ao passar o mouse sobre ela na barra de tarefas. É um recurso útil, principalmente quando a barra está lotada de programas, evitando que se clique em cada janela até descobrir a certa.

No fim das contas, os benefícios da Aero são poucos, levando em conta a alta exigência de mémoria de vídeo. O PC que usei no teste tinha uma placa boa o suficiente para agüentar o tranco e não notei nenhum problema significativo de performance de vídeo. O único incômodo foi uma lentidão ao acionar o Crtl+Alt+Del.

Mas quem possui computadores antigos ou com vídeo embutido na placa-mãe deve pensar muito antes de instalar o Vista. Vale observar que a Aero funciona em computadores com menos de 128 MB de vídeo, mas apenas em modo básico. Ficar sem os efeitos não é um grande problema, mas o modo básico também não traz o recurso de miniaturas de janelas.

Memória

O recurso ReadyBoost promete usar a memória de memory keys para acelerar o desempenho do PC. Testei o recurso com um memory key Kingston U3 Data Traveler de 2 GB, mas não houve aceleração perceptível. Usei os aplicativos RAM Idle e FreeRAM XP para monitorar a quantidade de memória disponível, mas a quantidade de memória não foi alterada mesmo com o ReadyBoost ligado. A documentação do Vista não dá informações precisas de como o recurso funciona. Mas Tom Archer, gerente da Microsoft para a área de ferramentas de desenvolvimento para Windows, explica em seu blog que o espaço extra de memória é usado principalmente para a criação de arquivos temporários do sistema operacional. Por isso, teoricamente, o recurso deve fazer mais diferença em PCs com pouca RAM e em situações de sobrecarga de memória.

Aplicativos

O Vista traz aperfeiçoamentos em programas tradicionais e em alguns aplicativos novos, mas nada de surpreendente ou muito superior ao que existe no mercado. O Windows Photo Gallery, por exemplo, é um gerenciador de imagens basicão e com poucas ferramentas. É uma opção adequada para iniciantes, mas fica atrás de produtos gratuitos como o Picasa.

Notebooks

A Aero é uma preocupação a mais para donos de notebook. Em teoria, uma interface gráfica mais poderosa aumenta o consumo de bateria. Para tirar essa dúvida, instalei o Vista em um laptop Asus Lamborghini VX1 com CPU Intel Centrino Duo de 2GHz, 2 GB de RAM e placa de vídeo GeForce Go7400VX. A diferença em relação ao XP foi pequena. Com o Vista, a bateria durou 1h43min, apenas cinco minutos menos do que com o XP. Mas vale observar que a interface gráfica estava em seu modo básico, já que, até o fechamento da matéria, não havia drivers do Vista para a placa de vídeo.”

       


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