Bits de US$ 82 bilhões
As 200 maiores empresas de tecnologia do Brasil emplacaram um crescimento real de 11% em 2005
POR DéBORA FORTES
O gráfico de evolução de vendas das 200 maiores empresas de tecnologia do país, estampado na página ao lado, nunca alcançou números tão altos como em 2005. Juntas, as companhias listadas na 9a edição do INFO200 movimentaram 81,6 bilhões de dólares, o equivalente a 10% do PIB brasileiro. É um salto e tanto em comparação com o recorde anterior do levantamento — 65 bilhões de dólares — cravado em 2004.
Para a maior parte das empresas, 2005 foi um ano de crescimento. Entre as 200, nada menos de 166 emplacaram um aumento de vendas. E não foi algo discreto: o índice conjunto chegou aos dois dígitos. Houve um crescimento real de 11% em relação ao que essas mesmas empresas faturaram em 2004, já descontada a inflação de 1,2% medida pelo IGPM. Os números mostram também que os bits brasileiros vêm evoluindo numa velocidade maior que a economia do país — o PIB alcançou um crescimento real de 2,3% em 2005.
Entre as 10 maiores do INFO200, os índices de expansão de vendas mais altos ficaram com duas empresas da área de telefonia celular (e ambas adeptas da tecnologia GSM): a TIM, com 35,7%, e a Claro, com 23,2% (confira os dados completos das 200 maiores na pág. 72). Parte desse aumento de faturamento é explicado justamente pelo ganho de participação das duas em relação à Vivo, a primeira colocada em número de usuários de celulares no país.
Veja o que mostram os números da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Em maio de 2005, a Vivo tinha 38,18% do mercado de telefonia móvel, seguida pela TIM (21,70%) e pela Claro (21,46%). Exatamente um ano depois, segundo os dados do último relatório da Anatel, a Vivo caiu para 32,99%, a TIM ficou com 23,59% e a Claro, com 22,24%.
De fato, como nas edições anteriores, as operadoras de telecomunicações continuaram a puxar a maior parte das vendas registradas no INFO200. Somadas, as 29 integrantes do grupo faturaram 48,7 bilhões de dólares no ano passado — 59,7% do valor apurado pelas 200. Mais uma vez, o topo das vendas ficou com a Telemar, com 10,2 bilhões de dólares. Em seguida, apareceram a Telefônica, com 8,7 bilhões de dólares, e a Brasil Telecom, com 6,3 bilhões de dólares.
“Se as 200 fossem uma única empresa, o perfil seria de uma limitada com significativa participação de capital brasileiro, mas sob controle de uma multinacional. A companhia estaria satisfeita com o resultado obtido em 2005, mas preocupada em diminuir a concentração do faturamento em telecomunicações”, afirma Edson Taniguti, consultor responsável pelas análises financeiras do INFO200. Para as operadoras, a banda larga — e conseqüentemente o triple play, que reúne voz, dados e vídeo num mesmo provedor — tem sido um braço de serviços cada vez mais estratégico (veja matéria sobre o novo impulso na internet e da web 2.0 no Brasil na pág. 90).
TI PARA EXPORTAÇÃO
Entre as 200 empresas incluídas no ranking, 62 informaram ter vendido tecnologia para o mercado externo em 2005. Juntas, essas companhias exportaram 990 milhões de dólares — ou seja, 1,2% do faturamento total do INFO200. A análise dos números do levantamento mostra que o percentual de vendas externas vem registrando uma ligeira expansão. Em 2004, era de 0,9% e em 2003, de 0,7%. Um dos setores que mais contribuíram para esse resultado é o de serviços de software. As 51 empresas da área somaram vendas de 5,7 bilhões de dólares em 2005. Uma das tendências em que as integrantes do grupo embarcaram está nos captive centers. São fábricas de software criadas por subsidiárias de multinacionais para desenvolver software para suas matrizes (veja matéria na pág. 98). “Desenvolvimento de software é uma das grandes oportunidades para países como o Brasil. Você mantém pessoas no país e gera riqueza exportando trabalho”, afirma Vinton Cerf, evangelista-chefe de internet do Google.
LUCROS E PERDAS
Em 2005, as empresas de TI venderam mais — e aumentaram seus lucros também. Das 147 integrantes que informaram o valor do lucro líquido, 121 fecharam o balanço no azul. Somadas, essas companhias embolsaram 2,9 bilhões de dólares. Foi um tremendo salto em relação ao apresentado pelo conjunto das empresas de 2004: as 105 companhias lucraram 1,7 bilhão de dólares. Nesta edição, mais uma vez, a Telefônica encabeçou o ranking das mais lucrativas, com 1,1 bilhão de dólares. A Telemar ficou em segundo, com 476 milhões de dólares.
O prejuízo, por sua vez, deu as caras no balanço de 26 empresas. Elas perderam juntas 1,3 bilhão de dólares. No ranking dos maiores prejuízos, as cinco primeiras posições ficaram com nomes da categoria comunicação. A TIM foi a dona do topo, com 592,5 milhões de dólares, seguida pela Vivo/Telesp Celular, com 388,4 milhões de dólares, e pela Brasil Telecom, com 129,7 milhões de dólares.
EMPREGOS EM ALTA
As 200 maiores empresas de tecnologia do país fecharam o ano de 2005 com 390 mil postos de trabalho direto — sem incluir a massa de terceirizados. É o maior número desde que o INFO200 foi criado. Em 2004, eram 315 mil empregos. As empresas de serviços operacionais puxaram o ranking. As três primeiras posições ficaram com companhias ligadas às áreas de call center e contact center. O maior número de funcionários foi da Atento, que empregava no fim do ano passado 54,4 mil pessoas. Depois, apareceu a Contax, com 49,9 mil, e a Dedic, com 16 mil.
Também foi um ano de alta para a produtividade, já que paralelamente ao crescimento dos postos de trabalho houve um aumento de faturamento ainda maior. Em 2005, as vendas por funcionário foram de 209 mil dólares — contra 197 mil dólares no ano anterior. Se os resultados foram bons, boa parte dos trabalhadores pôde comemorar: 48% das empresas listadas no INFO200 declararam possuir um programa de remuneração variável.
Confira, nas próximas páginas, o desempenho de cada uma das 200 maiores empresas de tecnologia do país em 2005.
As melhores e as maiores
Os destaques do INFO200 em cada um dos setores analisados
SETOR - Hardware
MELHOR - LG ELECTRONICS
MAIOR - HP BRASIL
SETOR - Comunicação
MELHOR - TELEFÔNICA SP
MAIOR - TELEMAR
SETOR - Infra-estrutura
MELHOR - FICAP
MAIOR - NOKIA
SETOR - Serviços de software
MELHOR - STEFANINI
MAIOR - IBM
SETOR - Serviços operacionais
MELHOR - VISANET
MAIOR - VISANET
SETOR - Software
MELHOR - RM SISTEMAS
MAIOR - MICROSOFT
SETOR - Distribuição
MELHOR - BRASOFTWARE
MAIOR - OFFICER
Melhor do ano - LG ELECTRONICS