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Quem agüenta teclado e mouse?
Tem algumas coisas que simplesmente não combinam com a evolução dos computadores e da internet
Um dia desses, eu estava jantando no bandejão da firma com alguns colegas de redação quando disparei a falar sobre as vantagens da Web 2.0 e, em especial, dos práticos processadores de texto online. Falei e tudo que ouvi foi o silêncio do mais profundo desinteresse. Apenas um dos colegas me respondeu com a seguinte frase: “Eu, por mim, voltaria para a máquina de escrever”.
Claro que a minha conversa acabou por ali. Não ia passar o resto do jantar deixando explícita a minha profunda admiração pelos tempos tecnológicos em que vivemos. Já fiz isso demais na vida. Mas o fato de ser grato em viver na era do PC e da internet não implica que eu não tenha algumas queixas. Com todo o alucinado avanço da informática, o que poderia mudar no nosso dia-a-dia com os computadores? O que você gostaria que mudasse, prezado leitor? Bom, eu tenho uma pequena lista de pedidos.
1. Teclado Por falar em máquinas de escrever, o teclado é um brontossauro sobrevivente da era das Remington e das Olivetti. Tudo bem, ele está mais solto e funciona sem fios. Mas com as suas cento e tantas teclas, o teclado do mais moderno computador continua sendo no fundo o mesmo modelo QWERTY colocado no mercado em 1872. A ordem das teclas segue uma lógica interna da língua inglesa. Foram princípios inventados por um educador que decidiu quais letras deveriam ficar próximas uma da outra, como o “T” e o “H”. Pessoas de todo o planeta são obrigadas a decorar essa obscura ordem de teclas. O teclado também não é nenhuma maravilha ergométrica. O primeiro modelo tinha duas fileiras de letras, em ordem alfabética. A primeira ia de “A” a “L” e a segunda, de “M” a “Z”. Simples, tosco, mas muito melhor que ter de decorar que o “V” vem antes do “B”. Ninguém vai aparecer com uma idéia original para substituir o velho QWERTY? Um formato revolucionário, simples, que não entorte nossos pulsos? Uma opção inteligente, mais amigável? Um teclado em forma de direção de carro ou que nos permita escolher a ordem das teclas?
2. Mouse A grande novidade dos primeiros modelos Macintosh também mudou pouco desde 1986. Ficou menor, perdeu o fio e um raio laser substituiu a velha bolinha suja. Mas continua um desastre ergonômico. Por causa do mouse, temos que usar uma almofadinha para o pulso e, mesmo assim, continua incômodo. Os mouses têm ficado maiores, cheios de botões e luzinhas coloridas. Mas o conceito de mexer uma coisinha com a mão, e isso equivaler à movimentação de uma setinha no monitor, pode mudar radicalmente. Esse conceito já completou 20 anos, uma eteridade em termos de avanço tecnológico. O que pode mudar? Integrar suas funções ao teclado? Popularizar o touch-screen? É preciso repensar o mouse. Mas alguém na indústria está fazendo isso?
3. Conexão O que eu gostaria de ver na conexão pela internet já está acontecendo. Realizar o sonho, num país como o nosso, é questão de tempo e paciência. O ideal seria que ninguém precisasse se conectar à internet. Grandes redes wireless englobariam as cidades, como fazem os serviços de celulares. Ninguém precisa conectar um celular, ele já está conectado. Para o usuário de PC bastaria estar na área de cobertura do wireless. Fora das cidades, dois satélites dariam conta da cobertura nacional, sem limites. Um dia chegaremos lá.
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