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BlackBerry verde-amarelo


A TIM e a Claro começam a vender o serviço para todo o mundo. Será que emplaca?

POR DANILO GREGóRIO

Enquanto aguardava na fila das disputadas atrações da Disney World, como o Soarin’, que simula um vôo de asa-delta, o paulista Paschoal Pipolo Baptista, de 47 anos, não se entediou com os cerca de 30 minutos de espera. Ao lado da esposa Bernadete, de 46 anos, e da filha Bárbara, de 10, ele se distraía checando e-mails em seu BlackBerry 7230. Mesmo em férias, Baptista, diretor gerente do Banco Itaú, aproveitou a mobilidade do serviço para despachar mensagens urgentes da empresa e esvaziar a caixa de correio. Tanta facilidade acabou “viciando” o executivo. “Me via pegando o aparelho no cinema, no teatro, quando estava com a minha família”, diz ele.

Baptista é um dos executivos de empresas brasileiras que adotaram em seu dia-a-dia a solução móvel de e-mails desenvolvida pela canadense Research In Motion (RIM). Até o mês passado, apenas o público corporativo tinha acesso ao serviço no país. Mas em maio esse cenário mudou. A operadora TIM — que até então era a única a comercializar a solução no país — passou a vender o produto para clientes individuais. O modelo é o BlackBerry 8700g, que custa 1 500 reais e oferece acesso ilimitado a e-mails por 69,90 reais mensais. Quem também quer navegar pela web, paga 79,90 reais. Esses valores, no entanto, não incluem pacotes de voz.

Em junho, mais uma operadora passou a vender o BlackBerry por aqui: a Claro. A empresa começou com o pacote para usuários corporativos e, neste mês, deve anunciar a versão para consumidores finais. “Queremos popularizar o uso do e-mail em plataformas móveis”, diz Marco Quatorze, diretor de serviços de valor agregado da Claro.

Como um Tamagoshi

O maior atrativo do BlackBerry, que tem mais de 4 milhões de usuários no mundo, está na tecnologia push, que permite receber e-mails em tempo real no aparelho. Esse recurso conquistou a paulista Tania Nossa, gerente de TI da Alcoa, de 40 anos. Foi justamente usando o BlackBerry que a executiva liberou a equipe de help desk da Alcoa durante a onda de ataques do PCC ocorrida em São Paulo, no dia 15 de maio. Tania chegou até a dar um apelido para o aparelho, seu companheiro de viagem. “Quando desço do avião, já ligo o Tamagoshi. Se não alimentá-lo, ele morre”, brinca.

Outro viciado declarado é o analista de sistemas paulista Leonardo Cohen, de 36 anos. “Não conheço ninguém que tenha um BlackBerry que não o seja”, diz. Ele adquiriu seu primeiro modelo, um 7510, em 2003 nos Estados Unidos. Desde então, comprou mais dois. O uso é intensivo: ele divide seu tempo de trabalho entre Brasil, Portugal e Estados Unidos. Pelo BlackBerry, Cohen se mantém conectado ao MSN Messenger. “Uma vez um cliente em Washington se assustou quando cheguei à reunião. Ele tinha acabado de me ver online e pensou que eu estivesse no escritório”, diz.

Diferentemente dos Estados Unidos, onde se tropeça num BlackBerry a cada esquina, no Brasil o número de adeptos ainda é restrito. Resta saber se agora, com a queda de preços e a venda para usuários finais, a tecnologia vai deslanchar rapidamente por aqui. As operadoras, é claro, acreditam que sim. “As pessoas recebem de 7 a 10 vezes mais e-mails que telefonemas”, diz Fabio Pascuzzo, diretor de serviços agregados da TIM.

       


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