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Música na frente do Micro
Fones de ouvido no trabalho ajudam ou atrapalham a produtividade?
Embalados em MP3, os fones de ouvido estão invadindo os ambientes de trabalho. Empresas mais liberais aceitam e até incentivam seu uso. Acham que estão estimulando a concentração dos funcionários. Para outras, isso é um anátema. Onde já se viu, argumentam, pagar alguém para ouvir música? Daniel Turini, diretor da empresa de software Crivo, já havia notado que um de seus programadores vivia com fones a maior parte do tempo. O som que estava rolando? Nenhum. O fone não estava ligado a nada. “Era apenas uma forma de colocar uma plaquinha de ‘não perturbe’ de maneira bem visível”, diz Turini. “Achei tão interessante que eu passei a usar o truque.”
Na Crivo, não há dúvidas: fones e música ajudam no clima da companhia, e os funcionários são encorajados a não passar vontade de ouvir seu sonzinho. Tanto que a própria empresa fornece fones para os nove programadores e equipe de suporte. “No comercial não há como, pois as pessoas passam bastante tempo ao telefone”, afirma Turini. Há regras, é claro. A primeira é: nada de fones que cubram a orelha inteira, impedindo escutar sons externos. Messengers ajudam na comunicação, mas não resolvem tudo, diz o diretor. A segunda regra é não exagerar no volume. “Não queremos que ninguém tenha problemas auditivos no futuro”, diz. E a terceira é não usar os computadores da empresa como depósito de MP3.
O mais comum nas companhias é não haver regra sobre os fones. O uso não é estimulado, mas também não é proibido. “Nunca tivemos problemas com isso, então vamos deixando as coisas se acertarem por si mesmas”, diz Marcos Camano, diretor de tecnologia da agência web Tesla. “As pessoas que mais usam os fones são os programadores, que passam horas concentrados na mesma tarefa. O pessoal de criação tende a usar menos”, diz Camano. A comunicação interna é feita principalmente por messengers e pela intranet, o que facilita a vida de quem está com os ouvidos ocupados. “Nunca notamos problemas de produtividade ou comunicação. Mas em certas atividades, como atendimento, não há como trabalhar ouvindo música.”
Para quem trabalha longas horas sem falar com ninguém, imerso em suas tarefas, os fones e a música são vistos como aliados. “Passo 90% do meu tempo com fone. Quando estou criando, é mais fácil trabalhar isolado do resto das conversas e dos barulhos do escritório”, diz Rodrigo Morbey, designer da agência de publicidade EverMedia. Se a vontade for a de matar trabalho, o designer acredita que há alternativas mais eficientes. “Ninguém fica ouvindo música olhando para o teto. As fugas para o café ou para fumar são opções mais populares.”
Os fones podem realmente ser uma ferramenta de produtividade, explica Renata Soneghet, fonoaudióloga do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. “A música é mais harmônica para nossos ouvidos e para nosso cérebro, e contém padrões sonoros mais previsíveis. Isso tem um efeito tranqüilizador quando comparado aos diversos ruídos de um escritório.” Os fones podem até funcionar como proteção em locais barulhentos — desde que em volume não muito alto. “Se o ruído ambiente for maior do que 85 decibéis (o equivalente a uma rua com movimento ou um local com várias conversas em tom elevado), os fones podem servir de barreira e diminuir o cansaço auditivo. Basta não exagerar no volume”, explica.
É preciso tomar cuidado para que o fone não passe de mocinho a vilão no escritório. “Um uso prolongado ou com volume muito alto pode causar cansaço mental, dores de cabeça e até aumentar a pressão arterial”, afirma Renata. Como o fone tapa o canal auditivo, ele pode contribuir para o aparecimento de infecções e outros problemas no ouvido externo. A longo prazo, o volume alto pode levar a uma redução temporária ou definitiva da audição. “Headfones podem ser uma ótima ferramenta de produtividade, mas precisam ser usados com bom senso”, diz Renata.
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