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Voando com MIMO e WiMax
Em 2005, as 100 empresas mais ligadas do país investiram 2,3 bilhões de dólares em pura tecnologia
POR SILVIA BALIEIRO
WiMAX, MIMO, EDGE e outras tecnologias ainda inéditas para a maioria dos mortais fazem parte do cardápio de bits de algumas das companhias mais antenadas do país. É o que mostra a 11a edição do ranking “As 100 Empresas Mais Ligadas do Brasil”. Veja o caso do WiMAX: 8% das listadas já experimentaram essa tecnologia de transmissão de dados sem fio. São nomes como Casas Bahia, Embratel e Telemig Celular. O padrão de transmissão EDGE, das redes celulares GSM, conquistou espaço em 12 companhias, como a TV Globo, a farmacêutica Glaxo Smithkline e a siderúrgica Usiminas. O novíssimo MIMO (Multiple Input, Multiple Output. Tecnologia que aumenta a velocidade e o alcance de redes g.), por sua vez, tem como representante o Bradesco. Alguém aí falou em VoIP? Bem, a sigla definitivamente entrou para o dia-a-dia das mais ligadas: é adotada por 86% das empresas.
Para brilhar em TI, as mais ligadas não economizam nos investimentos. Juntas, gastaram 2,3 bilhões de dólares com tecnologia no ano passado. E em 2006 a cifra deve crescer: chegará a 2,4 bilhões de dólares, considerando apenas as 95 empresas que informaram esse dado na pesquisa. Em máquinas e em gente, os números também impressionam. As 100 Mais Ligadas estão à frente de nada menos que 706 942 computadores e 51 880 servidores. Empregam na área de TI 21 254 funcionários contratados e outros 15 381 terceirizados.
Nesta edição, o Bradesco faturou mais uma vez o primeiro lugar no ranking das Mais Ligadas — posição que agarrou e não largou desde 2003. O banco gastou 519 milhões de dólares em tecnologia no ano passado. Parte desse valor — mais exatamente 12,8 milhões de dólares — foi destinada à primeira fase de um projeto batizado de TI Melhorias. Realizado em parceria com a CPM, o trabalho tem o objetivo de passar um pente fino na área de TI do banco. Um dos frutos dessa iniciativa é o novo Centro de Operações. Inaugurado há três meses, ele possui 114 computadores e um supertelão DLP de 67 polegadas que serve para monitorar toda a TI da instituição, de uma simples CPU à rede de caixas eletrônicos e mainframes.
Ao mesmo tempo que implanta novos projetos, o Bradesco corre atrás de novidades. Não por acaso, é a única empresa listada entre As 100 Mais Ligadas que já possui um projeto piloto de uso do MIMO. Dois grupos de profissionais do banco visitaram a CeBIT, a feira gigante de tecnologia realizada no mês passado em Hannover, na Alemanha. “Estamos sempre com um pé no presente e outro no futuro”, diz Laércio Albino Cezar, vice-presidente executivo do Bradesco e o comandante da TI da instituição.
Mais de 11 mil TB de dados
Junto com os investimentos em TI, cresce também o volume de dados que as empresas produzem e precisam armazenar de forma segura. Entre as 100 Mais Ligadas, os dados guardados ultrapassam a marca de 11 mil terabytes. Só na Petrobras, a segunda colocada do ranking, o volume total é de 1,2 petabyte. E haja TI para manter a altíssima produção responsável por um faturamento acima de 61 bilhões de dólares. No ano passado, a empresa concluiu a instalação do sistema de gestão da SAP. Para que o aplicativo funcionasse em tempo real em todos os seus pontos de presença, precisou construir seu próprio anel redundante de fibra óptica para levar o acesso às plataformas de petróleo, em alto-mar. “Damos preferência para serviços já existentes, mas quando não há fornecedores abrimos nosso próprio caminho”, afirma Washington Salles, CIO da Petrobras.
Sala cofre de 140 m2
Um dos principais méritos da TI nas Mais Ligadas é justamente garantir a disponibilidade dos recursos de tecnologia. Para não deixar um único posto de atendimento da rede de 508 lojas fora do ar, a Casas Bahia investiu 20 milhões de reais no seu novo data center. Inaugurado em dezembro do ano passado, o site possui uma sala cofre de 140 metros quadrados, montada exclusivamente para o mainframe IBM de 5 000 Mips (milhões de instruções por segundo), o storage DS 8300, também da IBM, e um robô de fitas, que ficam protegidos contra fogo e outras ameaças externas.
Para nunca deixar de funcionar, as máquinas ficam ligadas a dois geradores de 450 KVA e dois no-breaks hospitalares de 150 KVA cada um. E se por algum motivo esses computadores pararem, o trabalho continuará sendo realizado pelo segundo data center, onde outras supermáquinas funcionam paralelamente, com carga balanceada. “Todo investimento feito em TI é para garantir a disponibilidade e a velocidade no atendimento ao cliente”, diz Frederico Wanderley, CIO da rede varejista, a oitava entre as Mais Ligadas.
Desde o controle dos data centers até os pequenos detalhes da TI da Casas Bahia, tudo é executado por uma equipe interna. Mas há empresas que preferem o caminho da terceirização. Cinqüenta das 100 companhias do levantamento da INFO investem mais de 30% do orçamento de TI em outsourcing. Na Gol Linhas Aéreas, por exemplo, 62,4% é destinado a terceiros. A empresa, que ocupa o 12º lugar no ranking, investiu 26,5 milhões de dólares em TI no ano passado. E quer investir mais 47 milhões de dólares em 2006.
A segurança dos dados também continua no foco da TI corporativa. Itens obrigatórios como antivírus e firewall estão em uso em 100% das companhias. Agora, começam a ficar mais populares recursos como a biometria, presente em 33% dos pesquisados, e o token de identificação, usado por 41% deles.
Fios para quê?
Outra tecnologia que também vem ganhando popularidade são as redes sem fio: cerca de metade das empresas responderam que usam o padrão 802.11b ou 802.11g. Para fazer jus aos investimentos wireless, não podiam faltar máquinas. Pela primeira vez, a pesquisa INFO discriminou o uso dos diferentes computadores. Das 706 942 máquinas em uso dentro das empresas, 38 215 são notebooks, 8 207 são handhelds, 1 587 são smartphones e 116 são tablets.
Critérios do levantamento
Em fevereiro, a INFO enviou um questionário com 41 perguntas sobre tecnologia a 983 empresas, entre as maiores do país. Chegaram à redação 138 respostas. Para montar o ranking das 100 Mais Ligadas foram utilizados os seguintes critérios e pesos: investimento em TI (20%), número de máquinas (10%), tecnologias de segurança (12%), tecnologias de ponta utilizadas (10%), aplicações de gestão (6%), tecnologias de transmissão de dados (7%), integração de voz e dados (6%), tecnologias de armazenamento (5%), uso de código-fonte aberto (5%), administração pela intranet (5%), compras pela internet (5%), cobertura da rede Wi-Fi (3%), usuários de rede Wi-Fi (3%), trabalho remoto (3%). As 100 empresas mais bem colocadas de acordo com esse critério compõem o ranking. Nos casos de empate, o desempate foi feito pelo investimento em TI em 2005. Foram excluídas do ranking as empresas que não informaram o valor dos investimentos em tecnologia em 2005, as que não responderam até o dia 10 de março, assim como as com um número de computadores inferior ou igual a 200. Para conhecer todas as companhias que participaram da 11a pesquisa INFO As Empresas Mais Ligadas do Brasil, acesse www.info.abril.com.br/ligadas/2006/lista.shl.
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