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Windows a perder de Vista


A Microsoft não apenas vai atrasar o Vista como vem descartando alguns dos recursos mais quentes do sistema

POR JOHN C. DVORAK

Talvez a coisa mais interessante que aconteceu recentemente foi a repentina decisão da Microsoft em adiar as vendas do Windows Vista para 2007. Embora as razões sejam vagas, ninguém se surpreende mais com esse tipo de anúncio. O pior é que vários dos recursos prometidos foram descartados. Um deles era um recurso de banco de dados que seria a base de todo o sistema de arquivos. Já que 2007 é o ano em que podemos esperar um terabyte no desktop, seria mais útil que nunca.

Aparentemente, a Microsoft não consegue colocar esse sistema de arquivos para funcionar. Desde 2002, quase todos os novos e mais bacanas recursos foram removidos do Vista. Isso não nos deixa grandes expectativas, além de que seja uma versão melhorada do Windows XP. Esse tipo de sistema de arquivos não é algo novo. Foi popularizado nos minicomputadores com o PickOS — um gerenciador de banco de dados que fingia ser um sistema operacional. Sempre me perguntei por que a Microsoft não poderia chamar alguns dos velhos engenheiros do PickOS para que eles explicassem como fazer o sistema. Afinal, a Microsoft contratou David Cutler, o arquiteto do famoso DEC VMS, quando queria desenvolver o Windows NT.

Nos últimos anos, duas ou três empresas me mostraram programas de gerenciamento de discos capazes de organizar arquivos dessa forma e de fazer buscas de texto instantaneamente. Nenhum, entretanto, poderia trabalhar com discos de terabytes. Ou engasgam nos dados ou não podem indexá-los eficientemente. Mesmo as buscas do Google Desktop, que promete esse recurso, não funcionam assim. Instalei o programa duas vezes e levam-se semanas para indexar os drives. Já desisti: esse tipo de software promete mais do que pode entregar.

Um usuário de computador terá de começar a pensar como um bibliotecário e categorizar os dados e arquivos de forma que eles possam ser encontrados por ferramentas mais simples. A ironia é que colocamos as coisas no desktop porque elas não estão organizadas. Esperamos que o computador vá organizá-las para nós. E, em vez disso, o micro faz uma grande bagunça. Ótimo, não?

Enquanto muita gente perde o sono por causa do Vista, eu acredito que a principal razão do atraso é que a Microsoft tem prioridades demais. O fator-chave é o PlayStation 3, da Sony, que deve chegar às lojas em dezembro, depois de oito meses de atraso. O Xbox 360, da Microsoft, esperava um duelo pau-a-pau com o PlayStation em março, o que exigiu um tremendo esforço de marketing. Como a Sony não conseguiria terminar o produto a tempo, a Microsoft decidiu inundar o mercado com o Xbox. Isso depois de ter errado na demanda inicial e não ter feito máquinas suficientes. Se fosse mais agressiva desde o início, a Microsoft poderia ter matado o PlayStation.

A desculpa oficial da Sony para o atraso é que o DVD player Blu-ray, que supostamente estará no PlayStation 3, precisa de melhorias no software de Digital Rights Management. O fato é que essa história de o Blu-ray demorar para chegar ao mercado me incomoda. Já mostraram esses drives dois ou três anos atrás na CES (Consumer Electronics Show). Sim, eram protótipos, mas quanto tempo leva para colocar um protótipo em produção? Não tanto assim. Se a Sony não consegue colocar o PlayStation 3 em produção, terá sérios problemas financeiros. E a Microsoft, pode ter certeza, vai tornar a vida da Sony insuportável. Enquanto isso, continuo apostando no HD-DVD, protagonizado pela Toshiba, como o padrão vencedor nessa área. Com uma ironia: a Microsoft também parece estar do lado do HD-DVD. Que graça tem?

       


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