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Tão longe e tão perto no Serpro


Um projeto piloto leva o trabalho remoto para funcionários públicos

O Serpro, a empresa de tecnologia do governo federal, está testando um esquema de trabalho que muita empresa privada já tem, mas que não é nada comum no serviço público: o teletrabalho. Sem bater ponto, sem horas de batente definidas, sem o olho do chefe, a não ser por esporádicas videoconferências, 25 dos mais de nove mil funcionários do órgão começaram a trabalhar remotamente em dezembro.

Os altos e baixos da experiência foram expostos no INFO Governo Meeting, em Campos do Jordão, em 17 de março, por Joselma Oliveira, a coordenadora do projeto e sua principal evangelista. Joselma mergulhou no teletetrabalho por uma tragédia pessoal: com câncer ósseo, afastada do trabalho, caiu em depressão. Por iniciativa sua, para sair desse buraco negro, começou a trabalhar em casa, reduzindo um afastamento previsto para dois anos a apenas seis meses. Defendeu tese sobre o assunto e logo depois foi convidada a aplicar suas idéias no Serpro.

Hoje, recuperada mas ainda submetida a doses fortes de remédio, ela toca o projeto piloto de teletrabalho em três cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O objetivo da experiência: aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida dos funcionários. Os primeiros resultados, diz Joselma, são positivos. A produtividade subiu 16% e a qualidade de vida, 70%. Dos 25 funcionários, 18 continuam trabalhando em casa. Cinco seguem num centro satélite do Serpro em Campinas. Apenas dois abandonaram o barco. Um deles foi estudar no Japão e outro foi requisitado por um órgão do governo para trabalhar dentro de suas instalações, num projeto sigiloso.

Banda larga

Em julho, encerra-se a primeira fase do projeto piloto e a diretoria da empresa decidirá quais serão os próximos passos. A idéia, pelo menos por enquanto, é ir avançando aos poucos, porque o investimento necessário para transformar um funcionário comum num teletrabalhador não é barato: cerca de 8 600 reais, nas estimativas de Joselma. O investimento: um notebook com 1 GB de memória, um celular com despesas autorizadas de 150 reais por mês, banda larga (a mais rápida disponível na região), mesa e cadeira desenhadas com as devidas preocupações ergonômicas.

Por precaução de segurança, o sistema operacional utilizado no trabalho remoto não é o Linux, a escolha preferencial do Serpro. É Windows, já que o órgão ainda não tem um programa de rede virtual privada em código-fonte aberto. Também por razões de segurança, tudo o que os funcionários fazem com o notebook do Serpro é monitorado — com a utilização de um software da Novell, o Virtual Office. Nenhum uso pessoal da máquina é autorizado. Para evitar processos trabalhistas, a empresa também monitora o número de horas em que a banda larga é utilizada. Quem trabalha remotamente não tem horas a cumprir nem dias a trabalhar, e justamente por isso não recebe hora extra. Quando alguém passa de 40 horas por semana com a conexão de banda larga ligada, o link é cortado.

       


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