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É fixo, mas parece celular
Os telefones sem fio estão ficando menores, com mais funções e bastante parecidos com aparelhos móveis
POR SILVIA BALIEIRO
Fazer e receber chamadas não são mais as únicas funções de um telefone sem fio doméstico. Assim como os celulares, os modelos fixos wireless vêm acumulando cada vez mais funcionalidades, como identificador de chamada, viva-voz, walkie-talkie e até babá eletrônica — tudo isso sem aumentar o tamanho. Ao contrário, os aparelhos estão cada vez menores e mais elegantes. Se antes vinham acompanhados de uma enorme antena retrátil que precisava ser levantada para a ligação ter uma qualidade aceitável, hoje esse dispositivo está bem pequeno ou, em alguns casos, embutido no produto.
O INFOLAB testou dois telefones sem fio: o Gigaset SL5010, da Siemens, e o MA250 Plus, da Motorola. Os dois atendem a perfis bem distintos de usuários, mas cumprem bem a função principal de receber e realizar chamadas. Nessa avaliação, a Escolha de INFO é oSL5010, da Siemens, que recebe avaliação técnica de 7,5 pontos. A começar pelo design, o equipamento impressiona. Com apenas 66 gramas e dimensões de celular (4,9 por 11,3 por 2,2 centímetros), pode ser discretamente acomodado num cantinho de mesa ou do criado-mudo. Além disso, a base (13,9 por 4 por 11,8 centímetros) que recebe a linha telefônica é separada do carregador de bateria. Assim, ela pode ficar num local conveniente, como embaixo da mesa, presa à parede ou mesmo no chão.
O MA250 Plus, da Motorola, é maior (5,6 por 16,2 por 2,7 centímetros) e pesa mais (186 gramas), mas há quem prefira conforto e um teclado com mais espaço para os dedos e, por isso, opte por um aparelho que possa ser segurado com mais facilidade. Talvez seja justamente pelo tamanho — que deixa a boca do interlocutor mais próxima do microfone — que o telefone da Motorola leva vantagem sobre o SL5010, da Siemens, no quesito qualidade de som. Nos testes do INFOLAB, o produto foi o que menos recebeu interferências de som ambiente.
Cada um dos telefones testados opera numa freqüência de rádio. Enquanto o MA250 Plus usa a faixa de 900 MHz, o SL5010 opera em 1,9 GHz. Teoricamente a faixa de 1,9 GHz é menos congestionada e, por isso menos sujeita a interferências. Mas, nos testes do INFOLAB, a única diferença detectada entre os dois foi no alcance. Fizemos as medições num ambiente com divisórias e paredes. Com alcance nominal de 50 metros, o MA250 Plus funcionou até uma distância de 40 metros. O SL5010, que tem alcance nominal de 300 metros, ficou bem aquém disso, funcionando até uma distância de 50 metros da base.
Os dois telefones sem fio também foram colocados à prova em ligações VoIP e funcionaram sem problemas com a ajuda do dispositivo ATA Mediatrix 2102, da GVT.
RECURSOS DE CELULAR
Esses telefones sem fio estão evoluindo e ganhando recursos que antes só eram encontrados em celulares. O identificador de chamadas, por exemplo, que era um dispositivo separado em linhas telefônicas fixas, virou figurinha fácil e está presente na maioria nos equipamentos disponíveis nas prateleiras. Os modelos experimentados pelo INFOLAB trazem também uma agenda, que permite armazenar 20 registros no MA250 Plus, da Motorola, e 200 no SL5010, da Siemens. Além da agenda mais encorpada, o equipamento da Siemens possui recursos que extrapolam, e muito, as configurações de outros telefones. Entretanto, seu preço é proporcional às funcionalidades e chega a 900 reais, contra 200 reais do Motorola.
Com dimensões e aparência semelhantes às de aparelhos celulares, o SL5010 reúne também recursos que são comuns em telefones móveis, mas raros nos modelos fixos. É o caso, por exemplo, das 16 melodias polifônicas e outras dez de toque-padrão que podem ser trocadas ou configuradas para identificar as pessoas que estão cadastradas como vip na memória do aparelho.
Para quem tem a intenção de espalhar telefones por vários cômodos da casa, o SL5010 pode ser mais vantajoso. O equipamento permite o uso de até seis extensões, com a vantagem de não precisar de uma linha telefônica para cada uma delas. Mas, para isso, é necessário comprar os terminais móveis específicos do SL5010, que nada mais são do que o mesmo aparelho acompanhado apenas de um carregador de bateria, sem a base para linha telefônica. Ao configurar cada um dos terminais, ele recebe um número de ramal interno, que pode ser usado para a comunicação dentro de casa. Além disso, podem funcionar como um walkie-talkie para conversas rápidas entre duas pessoas que estejam em lugares diferentes da residência. Todos esses recursos, apesar de vantajosos, custam caro. Cada ramal sem fio é vendido por 660 reais.
O modelo da Siemens também é capaz de aceitar comandos de voz. E, como um aparelho como esse é usado por mais de uma pessoa dentro de casa ele aceita registros de até quatro vozes diferentes.
Para usuários com filhos pequenos, o SL5010 também pode substituir as babás eletrônicas, fazendo a monitoração de ambientes. A qualquer barulho detectado, o telefone faz uma ligação para um número de celular ou um ramal sem fio e coloca o usuário a par de tudo que está acontecendo.
Há, ainda, recursos do telefone sem fio da Siemens que não estão disponíveis no Brasil, como o envio de mensagens por SMS. Essa funcionalidade não é oferecida pelas operadoras de telefonia fixa daqui. Mas se isso acontecer no futuro o SL 5010 já estará preparado.
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