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Portáteis prontos para o mundo g
Com menos de 6 mil reais, dá para
sair navegando em notebooks com chips de
última geração e até gravador de DVD
POR AIRTON LOPES
Para quem sempre sonhou em ter um notebook como escritório móvel ou simplesmente para substituir o desktop de casa, esbarrar nas ofertas de notebooks por 4 mil reais em sites, lojas e hipermercados é motivo suficiente para sentir um comichão. No entanto, quem entende do assunto só precisa dar uma passada de olhos nessas pechinchas para constatar que as configurações espartanas abrem mão de um item essencial hoje em dia: o Wi-Fi. Além, é claro, de esses notebooks exibirem todos os outros efeitos colaterais de qualquer computador econômico, seja ele portátil, seja desktop, como memória e HD reduzidos, drives defasados etc.
Subindo o patamar de preços para uma faixa que começa em 5 mil reais, já é possível fazer um bom negócio arrematando um notebook prontinho para navegar nas redes 802.11g e com processador Pentium M, como os quatro modelos testados por INFO, o InfoWay M7510,da Itautec, o Latitude 110L, da Dell, o Pavilion ze2030, da HP, e o ThinkPad R51, da Lenovo (ex-IBM). Todos eles têm tamanho e peso parecidos (cerca de 2,8 quilos), tela de 15 polegadas e são baseados em processadores Pentium M com velocidades entre 1,5 GHz e 1,7 GHz, o que ilustra bem a quantas anda a disputa entre Intel e AMD no terreno dos notebooks. Hoje, a Intel nada de braçada com o Pentium M, uma geração de chips criada especialmente para computadores móveis, e não uma adaptação da arquitetura dos processadores para PCs, como ocorria até pouco tempo atrás. A vantagem dos Pentium M sobre chips, como o Pentium 4 para notebooks, é que, mesmo com clocks mais baixos, eles obtêm bom desempenho com um melhor gerenciamento de recursos e, principalmente, menor consumo de bateria. A AMD anunciou em janeiro que vai tentar recuperar terreno com o lançamento de uma linha de chips para laptops chamada Turion, que só deve chegar ao consumidor no segundo semestre. Outra vantagem da Intel é que a palavra Centrino está se popularizando com uma espécie de sinônimo para notebook Wi-Fi. Centrino é o nome da chancela que a empresa dá aos equipamentos que contam com Pentium M, chipset e interface Wi-Fi com a marca Intel. Apesar disso, na prática, não há diferenças significativas entre laptops Centrino e outros com Pentium M, chipset Intel e interface Wi-Fi de outro fornecedor, como acontece com o Latitude 110L.
A Escolha de INFO é o Latitude 110L, que oferece uma combinação difícil de ser superada: configuração respeitável, bom desempenho nos benchmarks, bateria de longa vida e o menor preço entre os produtos testados, 5 399 reais. O Pentium M de 1,6 GHz chega acompanhado de 512 MB de memória, disco rígido de 30 GB, que deveria ser maior para ficar no nível dos demais componentes, e um gravador de DVD de última geração, item raro em notebooks nessa faixa de preços. Além de gravar DVD-R em 4x e DVD+R em 8x, o drive da Sony que vem instalado no Latitude 110L também trabalha com mídias DVD+R de dupla camada, efetuando a gravação em 2,4x.
BATERIA DE LONGA VIDA
Com exceção do ThinkPad R51, que conta com uma placa dedicada, tanto o Latitude 110L como os outros modelos possuem vídeo onboard com alocação dinâmica de memória de até 64 MB. Isto é, o volume de memória compartilhada do sistema para vídeo varia de acordo com as exigências dos aplicativos rodando na máquina a cada momento. A diferença entre eles é que o controle de vídeo é feito pelo chipset Intel 910GML no Latitude 110L, o que pode explicar a diferença positiva de desempenho nos benchmarks de vídeo AquaMark e 3Dmark sobre o Pavilion ze2030 e o InfoWay M7510, que trazem chipsets da família Intel 82852/82855. Outro destaque do Latitude é a duração da bateria, que passou de duas horas com o Wi-Fi ativado e quase chegou a três horas de vida com a rede sem fio desligada, nos testes com o programa Battery Eater. Mas se por dentro a máquina da Dell não deixa a desejar o mesmo não pode ser dito do seu exterior. O design é burocrático e faltam conectores. Não há portas FireWire ou leitores de cartão de memória. O modelo também fica devendo uma saída de vídeo no padrão S-Video.
ALTA CONECTIVIDADE
No quesito conexões, o Pavilion ze2030 vai em sentido oposto ao Latitude 110L, com fartura de portas e slots. São três portas USB 2.0, uma porta FireWire, um leitor para cartões SD/MMC, Memory Stick, Memory Stick Pro e xD e saída S-Video. O resto da configuração também é muito bom. O Pavilion é um Centrino com processador Pentium M de 1,5 GHz, 512 MB, disco rígido de 60 GB, o mais espaçoso entre os modelos testados, e um drive DVD-ROM/CD-RW. Assim como nos combos do InfoWay M7510 e do ThinkPad R51, a velocidade máxima de gravação de CD no Pavilion ze2030 é de apenas 24x. Um diferencial da máquina da HP são os alto-falantes Harman/ Kardon. A qualidade do som é nitidamente superior à dos concorrentes, que não economizam em distorção quando a música rola no volume máximo. Outro detalhe bacana é a presença de um botão para ativar ou desativar o Wi-Fi rapidamente, o que ajuda a poupar a bateria. O curioso é que, seguindo a lógica dos resultados de duração de bateria obtidos nos testes feitos pelo INFOLAB, o botão não chega a ter muita utilidade. A autonomia do Pavilion ze2030 foi praticamente a mesma com o Wi-Fi ligado ou desligado. O laptop funcionou quase 100 minutos de forma ininterrupta quando submetido ao Battery Eater, uma marca que deixa a desejar. Ainda mais quando você desembolsa 7 999 reais.
WIRELESS EM ALTA
Com um chip Pentium M de 1,6 GHz, 256 MB, HD de 40 GB e drive combo, o Centrino InfoWay M7510 foi a máquina que apresentou a conexão sem fio mais consistente e veloz nos testes de velocidade real, realizados dentro de um ambiente Wi-Fi no padrão g. A taxa média de transferência verificada com o software Qcheck foi de 18,18 Mbps. Pode parecer pouco se comparada com os 54 Mbps nominais do padrão, mas é satisfatória dentro da realidade das conexões 802.11g, que gira em torno dos 24 Mbps. Assim como no caso do Pavilion ze2030, a riqueza de portas (três USB 2.0 e uma FireWire), a saída S-Video, sempre útil para quem precisar plugar o notebook em uma TV para assistir a filmes ou apresentações numa tela maior, o leitor de cartões SD/MMC e o botão liga/desliga do Wi-Fi facilitam o uso e deixam o InfoWay M7510 mais versátil. Quem usa programas VoIP encontra no modelo outro detalhe muito útil: um microfone embutido na moldura da tela. Naturalmente a qualidade na captação de áudio não é a mesma de um microfone externo, mas, definitivamente, quebra um galhão. Outro diferencial é a saída de áudio digital no padrão SPDIF. Com tudo isso por um preço de 5 921 reais e o melhor design entre os notebooks testados, a relação custo/benefício do InfoWay M7510 acaba sendo das mais positivas.
GRIFE COM DESEMPENHO
O ThinkPad R51 representa uma das mais famosas grifes de portáteis, consagrada pela IBM e que agora pertence aos chineses da Lenovo. O modelo conseguiu a marca mais alta nos testes de desempenho do sistema no PCMark, cravando 3 008 pontos. O índice foi alcançado com um Pentium M de 1,7 GHz, com 256 MB, HD de 40 GB e drive combo. Com uma placa ATI Mobility Radeon 7500, de 32 MB, a performance de vídeo também foi das melhores. A taxa de transferência média em Wi-Fi do ThinkPad R51 ficou em apenas 8,18 Mbps. Mas o modelo compensa a lanterna nas redes sem fio quando se trata de velocidade em redes ethernet, pois é o único com interface Gigabit (10/100/1000). O manuseio do ThinkPad R51 desperta sensações distintas. Fechado, o corpo do notebook é carrancudo e com design ultrapassado. Em compensação, o teclado e o touch-pad são confortáveis. Seria melhor ainda se o teclado não estivesse no padrão americano, sem cedilha. Porém, o maior problema do ThinkPad R51, que custa 7 216 reais, foi a durabilidade da bateria. A máquina não agüentou mais de uma hora e 33 minutos de atividade intensa sem precisar voltar para a tomada.
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