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Guardiões do WI-FI


Entende de rede? Veja como pegar carona na área de segurança para ambientes sem fio

POR JANICE DI LORENZO

No fim de 2003, Regina Pistelli, gerente de Tecnologia da Informação do laboratório Fleury, decidiu colocar em ação um projeto de rede sem fio para a área de atendimento a clientes. A idéia, no entanto, foi engavetada assim que a CIO começou a questionar os parceiros sobre os requisitos de segurança para o ambiente sem fio. “Diziam que eu não precisava me preocupar, mas me sentia como se estivesse falando grego”, afirma. Essa foi a brecha para que um dos administradores de rede do laboratório buscasse especialização em segurança e em redes sem fio — e cavasse uma promoção.

Formado em Ciências da Computação, Luiz Claudio Pires — hoje com 25 anos — partiu para o curso de redes wireless da Sucesu, após ter obtido a certificação Microsoft Certified Systems Engineer. “Como não há nenhuma formação específica, cada profissional deve escolher os cursos que melhor se adaptem à necessidade de sua empresa ou cliente”, diz Pires, atualmente analista de suporte pleno do Fleury e o responsável pela segurança da rede sem fio. Além da área de atendimento, o Wi-Fi está sendo implantando na operação de coleta de exames.

Exemplos como o de Pires são cada vez mais comuns no mercado brasileiro. É dos próprios profissionais das redes tradicionais cabeadas que está brotando a maior parte dos especialistas em Wi-Fi e em segurança de redes sem fio. O salário médio nessa área gira, hoje, em torno de 4 mil a 5 mil reais, mas pode passar dos 10 mil no caso dos profissionais mais experientes. A demanda também está em alta. “O cuidado com segurança passa a ser redobrado nas redes sem fio, aquecendo a procura por profissionais que possam protegê-las. Aqueles que aliarem certificações de segurança e networking vão sobressair”, afirma Paulo Renato Fernandes, diretor de canais da Symantec. Atualmente, segundo ele, quem mais contrata profissionais com essa especialização são integradores e revendas.

COMO SE PREPARAR

O perfil de quem vem se dando bem na área revela graduados em áreas como ciências da computação e engenharia eletrônica, com uma sólida bagagem em análise de projetos de rede. Já que não há nenhum curso específico para ingressar nesse segmento, o background deve incluir a especialização em segurança para redes tradicionais e conhecimento em criptografia e algoritmos de autenticação. Uma das certificações mais indicadas é a CISSP (Certified Information Systems Security Professionals), do (ISC)2 — e que é vendor neutral, ou seja, independe do fornecedor de soluções. “As provas avaliam o domínio do candidato em sistemas de controle de acesso, criptografia e práticas de gerenciamento de segurança”, diz José Antunes, gerente de engenharia de sistema da McAfee. O número de pessoas com esse título também está em alta no país. “Há cinco anos, existiam menos de dez profissionais de segurança certificados pelo CISSP no Brasil. Hoje, são mais de 100 e altamente qualificados”, afirma Nelson Correa, gerente de segurança para a América Latina da Lucent Technologies.

A Security+, da Computing Technology Industry Association (CompTIA), é outra certificação vendor neutral recomendada, especialmente para quem tem uma experiência de pelo menos dois anos em rede. Os tópicos da avaliação incluem, além de criptografia e controle de acesso, segurança em comunicação e infra-estrutura, autenticação, ataque externo e segurança organizacional e operacional. Além das certificações vendor neutral, outra opção de formação são os títulos dos fabricantes, como Cisco, 3Com e Microsoft.

O caminho das certificações foi a escolha do engenheiro eletrônico Diogo Superbi, de 27 anos. Ele começou a carreira em 2000, quando estagiou nos Correios e já sabia que o trabalho em redes era a sua praia. Depois, já na distribuidora paulista Mude, virou analista de pré-venda e buscou especialização, com as certificações da Cisco para configuração de redes (CCNA e CCNP) e de design (CCDA e CCDP). Em 2003, surgiu seu primeiro contato com o uso de soluções sem fio, quando a Mude começou a testar equipamentos com essa tecnologia. “O meio de propagação e a mobilidade que a tecnologia sem fio oferece me fascinaram e comecei a me aprofundar, conhecer todos os níveis de segurança, entender as limitações de cada solução e seu uso adequado”, diz. Superbi se tornou Cisco wireless LAN design specialist, certificou-se em instalação e passou a ser visitante assíduo de sites sobre o tema, como Wireless Workforce Online (www.wirelessworkforceonline. com) e CWNP (www.cwnp.com). Hoje, trabalha como gerente de produtos da Mude.

Quem quer cavar um espaço na área também precisa estar antenado às especificações técnicas de segurança para redes WLAN, que são obtidas no IEEE (Institute of Electrical and Electronic Engineer www.ieee.org). Com a tendência de convergência de redes de voz e dados em wireless, as habilidades também devem abranger noções de telecom — VoIP, por exemplo — para não correr o risco de ficar sucateado rapidamente.

Ser autoditada, aliás, é uma regra fundamental para brilhar hoje no caminho da segurança nas redes sem fio. Garimpar livros e sites de entidades internacionais e universidades — repletos de artigos, normas e tutoriais sobre o tema — é um hábito altamente recomendado para quem quer se aprimorar. Outro terreno fértil para ampliar seus conhecimentos são os fóruns, grupos de discussão e eventos específicos. Tudo para não ficar por fora dos protocolos de segurança que não param de evoluir e para não ser pego pelas novas artimanhas dos vírus e dos crackers.

       


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