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O coração bate no handheld


PDAs ligados por Wi-Fi ajudam os médicos do InCor a monitorar os pacientes internados no hospital

POR ROSA SPOSITO

Os médicos que trabalham no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, em São Paulo, não têm uma sala individual. Eles circulam pelos cinco andares de internação, visitando os pacientes, que ocupam os 550 leitos do hospital, sempre atentos para eventuais mudanças em seu quadro clínico. Quanto mais grave o caso, maior a atenção — e a necessidade de informações rápidas. Mas como acompanhar a pressão arterial e os batimentos cardíacos de vários pacientes ao mesmo tempo quando se está andando pelo hospital?

A resposta está na rede sem fio — baseada em equipamentos 802.11b da 3Com — e nas aplicações que o pessoal de TI do InCor vem desenvolvendo, justamente para permitir que o médico tenha acesso a informações importantes enquanto está em movimento. Uma das novidades nessa área é o sistema que coloca na telinha colorida de computadores de mão HP/Compaq, equipados com o sistema operacional Windows Pocket PC, os sinais vitais de pacientes internados, que podem ser acessados em tempo real pela intranet do InCor. São as mesmas informações exibidas nos monitores de beira de leito, que captam, pelos cabos ligados ao paciente, seus sinais vitais: pressão arterial, batimentos cardíacos (eletrocardiograma), respiração e consumo de oxigênio.

Na verdade, essas informações já estavam disponíveis na rede do hospital e podiam ser acessadas pelos médicos por meio de qualquer PC conectado à internet, graças a um software desenvolvido pela equipe de TI. “O que fizemos agora foi uma versão desse software para o Pocket PC”, explica Marco Antonio Gutierrez, diretor do Departamento de Informática do InCor, que é ligado à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Usando a canetinha e o browser Internet Explorer que acompanham o Pocket PC — o hospital tem 12 handhelds, todos da HP/ Compaq —, o médico seleciona o leito sobre o qual quer ter informações. Bastam alguns cliques na tela do micro de mão para que apareçam todos os gráficos referentes aos sinais vitais do paciente. É como se ele estivesse olhando o monitor de beira de leito, mesmo estando em outro andar do hospital. Tudo em tempo real, com transmissão garantida pelos access points da 3Com — o InCor tem dois em cada um dos cinco andares da área de internação.

Ligados na glicose

Outra aplicação baseada na rede sem fio, que está em fase final de teste, é a que permite monitorar a taxa de açúcar no sangue de pacientes internados na unidade de terapia intensiva (UTI) do InCor. “Para o médico cardiopata, é importante ter essa informação com freqüência”, diz Gutierrez. Ele explica que, hoje, as medições mais precisas são feitas nos laboratórios de análises clínicas, com base no sangue colhido do paciente. Em geral, essa coleta é feita quatro vezes ao dia. Além do incômodo para o paciente, esse método traz outro inconveniente: o resultado demora algumas horas para chegar ao médico e, quando isso acontece, é bem provável que já esteja desatualizado.

Para resolver esse problema, a equipe de Gutierrez adaptou um sistema de medição da taxa de açúcar no sangue, que já era utilizado nos pacientes do ambulatório, dentro da UTI. A base do sistema é um router de glicose. Ele consiste em um sensor do tamanho de uma agulha ultrafina e flexível que é inserido sob a pele do abdômen do paciente e que envia as informações — lidas a cada cinco minutos — para um aparelhinho semelhante a um pager, chamado MiniMed, onde ficam armazenadas. Os pacientes do ambulatório prendem esse aparelho à cintura e vão para casa. Quando voltam ao InCor, depois de 72 horas, os dados armazenados no dispositivo são transferidos para um computador. É nessa máquina que um software lê e transforma as informações em um gráfico da variação da taxa de açúcar no sangue.

Na UTI, o aparelho de medição fica ao lado da cama do paciente, em uma base que funciona conectada, por fio, a um Pocket PC. Um software instalado no micro de mão, desenvolvido pelo InCor em parceria com a Medtronic, fabricante do MiniMed, capta o valor da taxa de glicose a cada cinco minutos e gera um gráfico de tendências, que é exibido na tela do Pocket PC. Além disso, o micrinho envia a informação, pela rede sem fio, para o sistema de informação do hospital, baseado em banco de dados Oracle 9i. O banco de dados roda num servidor Linux (da distribuição SUSE) — equipado com dois processadores Intel Xeon de 3 GHz cada um — e armazena todos os dados e resultados de exames de 850 mil pacientes cadastrados no InCor.

“Dessa forma, o médico tem a taxa de glicose praticamente em tempo real, de cinco em cinco minutos, e sem desconforto para o paciente”, afirma Gutierrez. E, graças à rede sem fio, a informação não só fica disponível a distância para o médico como também pode continuar sendo transmitida mesmo quando o paciente está em trânsito pelo hospital — basta levar o MiniMed e o Pocket PC junto. Gutierrez afirma que o InCor vai continuar desenvolvendo aplicações baseadas no uso de sua rede sem fio. “A mobilidade é inerente à atividade médica e, sob esse aspecto, a rede sem fio tem um papel fundamental”, diz. O InCor também pretende usar comandos de voz para facilitar a vida dos médicos na hora de inserir dados sobre os pacientes e suas medicações no Pocket PC.

       


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