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A IPTV e as redes do futuro


Pense num cenário em que as casas terão redes 802.11n e a programação de TV será alimentada pela Internet

POR JOHN C. DVORAK

Quando a internet foi criada, ninguém sabia ao certo qual seria o significado para a sociedade. Acadêmicos e homens de negócios viam a internet como algo que poderia beneficiá-los — e estavam certos. O resto das pessoas a enxergava como uma ferramenta para alavancar a produtividade pessoal. Mas uma coisa não foi percebida — e, para a maioria das pessoas, continua sendo ignorada. A internet não é a World Wide Web, nem o e-mail nem qualquer outra coisa. É um mecanismo de transporte com muitos usos. Começou com e-mail, evoluiu para o gopher e o ftp e parecia ter culminado com a WWW, mas não parou por aí.

Se algo não foi completamente antecipado na internet é a IPTV. Essa é a aplicação que vai mudar as coisas para o rádio, a TV e os filmes, como a WWW fez com os livros, os jornais e as revistas. Basicamente, trata-se da habilidade de transmitir sinais como pacotes na internet, em vez de eles irem pelo ar ou pelos cabos. A IPTV está sendo considerada uma tecnologia de ruptura, ao lado do VoIP. Ou seja, é algo que substitui e muda a forma como algo funciona. Mas, diferentemente do VoIP, não substitui tecnologias: cria um veículo de distribuição totalmente novo. Na distribuição de mídia, as coisas tendem a evoluir, em vez de serem substituídas. A gravação, por exemplo, foi dos fonógrafos de cilindro de Thomas Edison aos discos de 78 rotações, depois para o LP e o CD.

A IPTV é o terceiro passo num esquema de distribuição de TV em evolução, dos sinais pelo ar ao cabo/satélite. Inicialmente, o uso será similar ao do cabo. Na verdade, em lugares em que a IPTV está sendo implementada, como a Suécia, é uma substituta para a TV a cabo — e a maioria das pessoas nem nota a diferença. A TV será parte integral da experiência na internet, e a rede vai entregar tanto streaming de HDTV como baixar e tocar conteúdo, quando chegarmos à banda necessária para aproveitar essas possibilidades. É algo que começa a ser viável em velocidades de 10 Mbps. Quando as conexões de internet subirem para 30 Mbps ou 100 Mbps, a IPTV vai virar a forma dominante de distribuição de mídia. Em algumas partes do mundo, isso acontecerá rapidamente.

A questão é saber onde entra o computador. Os velhos adeptos das TVs não gostariam de ver nenhum PC nessa história, e não há razão para que não se possa ter o sinal da internet num set-top box. Só que esse modelo é um substituto para a TV a cabo — e é algo que será eventualmente rejeitado. O que vai vingar é um sistema híbrido de computador-internet- tevê. Ele usará o micro como um ponto de ligação com a tevê. Imagino a seguinte arquitetura: começa com uma conexão de 10-100 Mbps de HDSL ou WiMAX. O computador funcionará como uma ferramenta de busca de programação, um servidor de vídeo primário e PVR (Personal Video Recorder), com um disco de alguns terabytes. A casa será conectada por 802.11n, a 240 Mbps, podendo acessar o computador para alimentar a programação. Qualquer set-top box será um thin client, e o sistema principal agirá como um servidor. O computador funcionará como uma estação de TV programada para exibir tudo que você costuma assistir.

Com internet à velocidade de 30 Mbps, o sistema poderá prover de cinco a dez canais simultâneos (alguns em alta definição), e ainda sobrará banda para as atividades usuais da web. E não seria algo complicado de se usar ou configurar. Aqui está o seu futuro. Você não achou que discos com terabytes de capacidade e redes de 100 Mbps estavam sendo criados apenas para ler blogs e rodar um processador de textos mais rapidamente, achou?

       


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