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Uma bomba sem fio
Transmissor de áudio wireless? Fuja
POR SANDRA CARVALHO
Um dos testes mais populares da história da INFO é o do Video Link, uma engenhoca sem fio totalmente despretenciosa, examinada pelo INFOLAB em 2003. Fabricado pela empresa brasileira Seto, o Video Link manda de um ambiente para outro de uma casa os sinais da programação dos canais de TV a cabo, por radiofreqüencia. Como publicamos este mês uma edição inteira sobre tecnologias wireless, resolvemos testar outro transmissor sem fio: o Audio Link, capaz de usar as ondas de rádio para mandar MP3 do computador a outros ambientes, tocando música em equipamentos com FM. Ele repetiria o mesmo sucesso do Video Link?
No way. O Audio Link é fabricado por outra empresa brasileira, a Rabrip, e marqueteado com a promessa de levar as músicas a um raio de até 300 metros do equipamento por uma ninharia: apenas 39,90 reais. Fizemos a primeira experiência no INFOLAB, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Ali, o aparelhinho se mostrou uma usina de chiados. Plugamos o cabo do Audio Link no PC, abrimos o Windows Media Player 10 com uma seleção de MP3 e brigamos à beça para fazer um walkman Aiwa se entender com o Audio Link, lutando com uma minichave que, ao mais leve movimento, esbarrava numa interferência atrás da outra. Achamos que o INFOLAB poderia estar saturado demais. Levamos o Audio Link a um ambiente tranqüilo, no Morumbi, para testá-lo em condições ideais. Plugamos o aparelhinho numa placa de som Audigy 2 NX, acionamos o Winamp para tocar MP3 ripado com ótima qualidade (bitrate de 192 Kbps), ligamos o tuner de um receiver Sony STR-DE 485 ancorado em caixas de som Polk Audio, achamos um ponto livre, sem emissora FM, e encaramos a chavinha. Como não há display no Audio Link, achar o ponto certo é uma tortura. Depois de dez minutos de insistência, andando de cá para lá nos 4 metros que separavam o Audio Link do receiver, driblando a chavinha e o sintonizador digital, a voz de Shaina Twain ecoou pelo ar, num som abafado, com um chiado leve de fundo, como num radinho de pilha das antigas. Bastou usar o PC por 30 segundos e mexer com o fio que faz o papel de antena para o chiado tomar conta de tudo. Hora de recrutar um receptor analógico, como recomenda o manual de uma página do Audio Link, porque ele facilita muito a sintonia fina. Um CD player Gradiente, a 3 metros do micro, deu conta do recado: conversou com o Audio Link em segundos. Mas o som... Abaixo da crítica. E mais longe? O Audio Link funciona? Huh... Bastou uma distância de 6 metros para as interferências acabarem com o MP3 no Gradiente. Conclusão: o Audio Link, como o Video Link, também fez história na INFO. Só que por motivo inverso: tirou a primeira nota 1, sinônimo de bomba, jamais dada pelo INFOLAB.
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