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Supermáquinas do amanhã
Cada vez mais recheados de
tecnologia, os carros ganham segurança
e inteligência. E poluem menos
POR SILVIA BALIEIRO
O estepe, o retrovisor, o tanque de gasolina e até o motor a combustão que conhecemos hoje nos carros já têm um destino definido: dentro de algum tempo vão virar peça de museu. Com o avanço da tecnologia, itens como esses serão substituídos ou simplesmente banidos dos carros. Não só para aumentar a segurança e dar mais conforto ao motorista e aos passageiros como também para proteger o meio ambiente.
A diminuição da emissão de poluentes vem sendo perseguida pela indústria automobilística, pressionada por regulamentações governamentais em todo o mundo. Nos salões de automóveis, pululam carros experimentais chamados “limpos” que, em vez de CO2, liberam vapor de água. Cada empresa apresenta seu modelo, mas a matéria-prima é sempre a mesma: o hidrogênio. Nos carros do futuro, o gás será a fonte de energia para as células de combustível. Esse dispositivo funcionará como uma espécie de pilha, produzindo uma reação eletroquímica capaz de gerar energia elétrica para locomover o veículo.
GM, BMW, Ford, Mercedes-Benz, Suzuki e Honda já têm protótipos desse tipo de automóvel, mas dificilmente algum deles será visto comercialmente em ação antes de 2010. Ainda há problemas não solucionados, como a baixa autonomia e as possibilidades de recarga. O que pode se ver pelas ruas são os modelos híbridos, que unem um motor elétrico a um motor convencional, a gasolina. Carros desse tipo poluem menos, mas possuem limitações como o peso e o tamanho da bateria, que chega a ocupar quase o porta-malas inteiro. Por isso, têm sido adotados somente por artistas politicamente corretos de Hollywood ou ambientalistas fervorosos. Leonardo di Caprio e Cameron Diaz já têm o seu.
Ao mesmo tempo que se tornam menos poluentes, os carros vão ficando mais seguros e capazes de prevenir acidentes. Suponha que um motorista durma ao volante e saia da pista ou se aproxime perigosamente de outro veículo. Para evitar uma colisão, o carro emitirá um alerta sonoro e visual ou, em último caso, acionará o freio automaticamente, se antecipando ao reflexo do condutor. Para esse tipo de recurso funcionar, será usada uma evolução dos já conhecidos sensores de proximidade, que hoje ajudam motoristas a estacionar o carro.
Os faróis também trabalharão sozinhos dentro de alguns anos. Mais uma vez o crédito será dos sensores. Eles serão capazes de diminuir a intensidade da luz automaticamente, quando outro veículo se aproximar no sentido contrário. Além disso, também poderão identificar curvas e adaptar a iluminação ao trajeto do carro. Com movimentos verticais e horizontais, esses faróis inteligentes iluminarão mais precisamente o caminho do motorista. “Quando a curva for para a direita, o farol iluminará mais o lado direito da pista, acompanhando a sinuosidade da curva”, explica Arnaldo Marques, membro da SAE Brasil, a Sociedade de Engenheiros da Mobilidade.
Os sensores não se limitam ao pára-choque do carro. Conectados às centrais eletrônicas, estão espalhados por todos os cantos do veículo e já foram responsáveis pela extinção de peças importantes, como o carburador e o cabo do acelerador. “Gradativamente, os carros estão ficando mais eletrônicos e menos mecânicos, o que dá ao veículo mais estabilidade e ao motorista, mais controle”, afirma Marcio Alfonso, chefe de engenharia da Ford.
Seguindo a onda da eletrônica, até o retrovisor pode estar com os dias contados. A tendência, dizem os especialistas, é que o tradicional espelhinho no topo do pára-brisa suma do mapa e dê espaço a um visor de LCD que irá receber imagens captadas por câmeras posicionadas em pontos estratégicos do carro. Elas darão ao motorista visão total da traseira do veículo, incluindo os irritantes pontos cegos, que não são visualizados hoje.
Se a eletrônica está tomando conta dos automóveis, por que não rechear as supermáquinas de recursos que hoje podem ser encontrados nos PCs e nos celulares? Os controles por comando de voz, por exemplo, já chegaram aos carros. A idéia a partir de agora é que esse recurso fique cada vez mais presente nos veículos, a ponto de o motorista precisar se mexer apenas para controlar a direção e os pedais. A própria fala acionará outros itens, como rádio, ar-condicionado, vidros e lâmpadas. “A tendência é que os carros façam sozinhos cada vez mais funções, liberando o motorista para focar sua atenção em dirigir o carro”, diz Carlos Eugênio Fonseca Dutra, diretor de produtos da Fiat.
Nem mesmo o grande esforço de trocar os pneus será necessário. Pneus sem ar estão em teste e devem chegar aos carros dentro de aproximadamente 15 anos. A novidade foi apresentada pela empresa francesa Michelin, no último salão do automóvel de Paris. Um dos modelos exibidos foi o Tweel, uma espécie de banda de rodagem feita de borracha e unida ao eixo por meio de raios flexíveis. Outro modelo é o Airless, que tem uma estrutura radial colada a uma banda de borracha, concebida para ter a mesma vida útil de um veículo. Esse pneu não precisará ser inflado ou trocado, apenas recapado em caso de desgate. Outro pneu futurístico, o Active Wheel, incluirá, além da borracha, o motor de tração e a suspensão ativa. Desenvolvido especialmente para os carros elétricos, o pneu de amanhã será capaz de dizer adeus às peças como caixa de marchas, embreagem, cardã, barra estabilizadora e árvore de transmissão. Com tantos acessórios e facilidades, será que sobrará alguma função para o motorista? Talvez nem ele seja necessário. “No futuro, ainda que distante, poderemos ser todos simples passageiros”, diz Marco Aurélio Mazzillo, gerente de engenharia eletrônica da Ford.
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