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TI entra no clima


No CPTEC, supercomputadores ajudam a acabar com a má fama dos meteorologistas

POR LUCIANA BENATTI

O QUE TÊM EM COMUM O DONO de uma lavanderia em Curitiba e um dos responsáveis pela atracação de petroleiros no porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina? Ponto para quem disse que ambos precisam de previsões do tempo confiáveis. Para isso, recorrem à mesma fonte que eu e você usamos para saber se vai dar praia ou não: o CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), em Cachoeira Paulista, a 200 quilômetros de São Paulo, capital. De lá, saem previsões para os 5 508 municípios do país.

No mundo todo hoje, meteorologia e tecnologia caminham juntas. As piadinhas sobre os erros dos meteorologistas diminuem — e é graças ao uso de recursos de TI que as previsões estão mais confiáveis. Antes dos supercomputadores, fazia-se uma mera extrapolação do diagnóstico das condições de um dado momento para as 24 horas seguintes. O processo se sofisticou com a chegada de modelos meteorológicos, equações físico-matemáticas que simulam o comportamento da atmosfera.

No CPTEC, as previsões eram baseadas apenas em imagens de satélite até 1994. A compra de um supercomputador SX-3, da japonesa NEC, possibilitou a virada. Essa máquina foi aposentada em 2003, sucedida por outra, mais rápida, um SX-4 de 16 gigaflops, hoje usado apenas para pesquisas. O terceiro a chegar foi o SX-6, que tem 12 nós, com oito processadores cada, rodando Unix Super-UX, e hoje processa todos os cálculos. Sua velocidade de pico é de 768 GFlops, mas a efetiva fica em 40% desse valor.

Dia após dia, são produzidos novos dados de temperatura, pressão, velocidade do vento, umidade e precipitação em diversos pontos do país. Nenhum é jogado fora. “Para o meteorologista, dado é como dinheiro em banco”, diz Eugênio Sper de Almeida, chefe da supercomputação.

O apetite por espaço em disco é voraz. O SX-6 tem 16 terabytes de capacidade, onde ficam os dados que estão sendo trabalhados. Depois de um tempo, são armazenados num silo de fitas Storagetek L5500, com capacidade para 1 petabyte. Outro silo de 70 TB é usado como backup. Uma rede Gigabit interliga os sistemas.

O cérebro computacional do CPTEC está numa sala de 930 metros quadrados. A poucos metros dali, fica o coração meteorológico. É lá que todas as manhãs a equipe se reúne para analisar os dados e chegar a uma previsão de consenso. E agora diga: hoje você confia mais num economista ou num meteorologista?

       


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