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A MS corre atrás do Firefox
Bill Gates preanunciou um
produto que não existe - o Internet
Explorer 7.0. Tive de rir bem alto
POR JOHN C. DVORAK
Um dos fatos mais interessantes do último mês foi o anúncio do Internet Explorer 7.0, feito pela Microsoft. Sinceramente, tive de rir quando li a notícia. Como se sabe, há muito tempo a MS não faz nada para melhorar seu web browser, depois que ele dizimou o Netscape Navigator. Desde a época da guerra dos browsers, quando as duas empresas davam combate uma à outra e adicionavam recursos aos produtos uma vez por mês, o IE parou no tempo. Isso foi em 1999. Perdida a batalha, o pessoal da Netscape abriu boa parte do código do Navigator e deixou que a comunidade de desenvolvedores combatesse o bom combate. O código aberto representa um processo extremamente lento. A primeira turma de desenvolvimento se transformou na Mozilla.org e começou a soltar browsers competitivos. Nos dois últimos anos, surgiu uma versão aperfeiçoada do produto, chamada Firefox. Quem usou esse software logo se convenceu de que ele é melhor do que o IE. Mas, certa de sua invencibilidade, a Microsoft não prestou muita atenção. E, de fato, a base de usuários do Firefox permaneceu abaixo de 10%.
Então algumas coisas ocorreram. Falhas profundas no IE deixaram os usuários à mercê de anúncios pop-up e spyware. Em contraste, o Firefox bloqueava facilmente essas intrusões. Em cerca de um ano, a maior parte dos usuários avançados já havia adotado o Firefox. A Microsoft, nesse momento, ainda estava adormecida. Agora, a Google, segundo rumores, está desenvolvendo um browser e contratou um dos líderes do projeto Mozilla/Firefox. Isso acordou a Microsoft. E o que faz a empresa? Bill Gates preanuncia o Internet Explorer 7.0 —um produto que não existe. Tive de rir, bem alto. Eu já havia assumido que a empresa abandonara o desenvolvimento do IE e se voltara para a área de segurança, a fim de tapar os buracos que aparecem no produto.
Então, o divertido nesse pré-anúncio é que ele foi feito com o propósito óbvio de manter as tropas de prontidão e destruir a concorrência. Mas dessa vez essa tática não vai funcionar. Ela não vai deixar ninguém em pânico, porque não há ninguém para se apavorar. A Google vai fazer o que quiser e pode talvez copiar o que a MS faz, enquanto o pessoal do Firefox continuará aperfeiçoando seu browser com base em sugestões de usuários. É um processo que não vai ser barrado por nenhum pré-anúncio. Mesmo que a MS apareça milagrosamente com um novo e fabuloso browser, o pessoal do código aberto vai continuar incomodando. É por isso que estou rindo. Talvez seja a hora de a Microsoft fazer mais do que falar.
Claro, não haveria esse problema se a Microsoft tivesse feito mais do que sentar em cima das mãos depois de ter o browser dominante. Isso parece um bug na psique da empresa. Nunca faz muito, a menos que seja atacada. Sempre comparo a estratégia da Microsoft com a da Adobe. Esta sempre aperfeiçoa o Photoshop, embora enfrente pouca competição. A Microsoft, pelo jeito, não faz isso. Ela passa na frente e encerra a corrida. Quando a concorrência a alcança, ela vem e faz um pré-anúncio, reúne as equipes e chega na frente. Mas nesse caso a empresa não somente parou a corrida como ficou dormindo no ponto. Os outros passaram. Agora é a hora de correr atrás. Não sei se ela vai conseguir.
Certamente, a Microsoft vai lançar mão de um velho truque já empregado há uma década, quando estava ameaçada pelo DR-DOS. Ela copia os recursos mais inovadores da competição e então anuncia um novo produto, como se tivesse inventado aquelas funções. Só que esse truque não vai funcionar na era da internet, quando tudo é verificado em detalhes por blogueiros e pelo pessoal dos sites de fofocas. Para a Microsoft, seria um desastre tentar essa manobra. Veremos.
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