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A parada dos truetones


Enfim, música de verdade começa a aparecer nos ringtones

POR LUCIANA BENATTI

O silêncio no escritório é quebrado por um solo de guitarra da canção Vertigo, do U2. O colega da mesa ao lado se apressa em atender o celular. Essa é uma cena cada vez mais comum. Personalizar o toque do aparelho com trechos originais de músicas, os truetones, virou mania entre os usuários de modelos sofisticados. Por enquanto, baixar música de verdade em vez dos enjoativos toques monofônicos e polifônicos ainda é privilégio dos proprietários de cerca de 20 tipos de aparelhos, que não custam menos de 700 reais.

No ano passado, 80 milhões de ringtones foram baixados no Brasil, segundo as operadoras de celular. Para 2005, a previsão é que esse número chegue a 150 milhões. É claro que os truetones, que surgiram há menos de um ano, ainda representam uma parcela pequena desse mercado, dominado pelos tons monofônicos, que equivalem hoje a 70% do total.

Estima-se que a popularização dos truetones, também chamados de mastertones, realtones ou music tones, ainda leve pelo menos dois anos. Vai depender da velocidade com que as pessoas trocarão seus aparelhos antigos por outros, compatíveis com o serviço. Hoje, eles somam menos de 1,5 milhão, num universo de 26 milhões de celulares habilitados a baixar ringtones.

A tentativa das operadoras para um futuro bem próximo é o casamento definitivo da música com o celular, com os novos aparelhos enfrentando MP3 players portáteis, como o iPod. As gravadoras, que durante o reinado dos toques monofônicos e polifônicos ficaram de fora da festa, estão chegando a esse mercado com o apetite dobrado. A Universal Music, por exemplo, já fechou um acordo com a Claro. A operadora levou para o seu portfólio de Hits MP3, nome comercial que deu aos truetones, mais de 100 canções, de artistas internacionais como U2 e Bon Jovi, além dos brasileiros Ivete Sangalo, Zeca Pagodinho e Kid Abelha.

A BMG, por sua vez, negociou os sucessos do Capital Inicial com a Vivo e reservou os hits de Lulu Santos para a Oi. A Trama acaba de assinar parceria com o Ligaki, portal de conteúdo de entretenimento móvel. Com isso, músicas de Luciana Melo e Simoninha, entre outros nomes da gravadora, já estão disponíveis para clientes da Vivo e em breve também para os usuários das demais operadoras.

As estratégias de marketing para turbinar esse mercado estão cada vez mais agressivas. Os jovens são o público-alvo. Em janeiro, entrou no ar em Belo Horizonte a rádio Oi FM, que funcionará como divulgadora do serviço. A operadora também acaba de lançar um portal de downloads em parceria com a MTV. Já a Vivo criou uma revista de música para celular, a Vivo Music Tones, com notícias e toques para download, e fez acordos de divulgação com as rádios Mix e Jovem Pan, de São Paulo. O interesse pelas rádios tem um motivo óbvio. As músicas mais tocadas nas paradas das FMs são as mesmas que vão ocupar o topo das listas de ringtones mais baixados.

       


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