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O PDA vai para a rua
O Palm OS e o Pocket
PC se infiltram nas aplicações
móveis das empresas
POR DéBORA FORTES
O cenário pode ser o consultório de um médico, um restaurante badalado, um helicóptero ou até um haras especializado em cavalos puro-sangue árabes. No Brasil, o uso dos handhelds vai discretamente ganhando espaço nas apli-cações móveis das empresas em áreas tão heterogêneas quanto essas. Mas é na automação da força de vendas que está a face mais evidente do movimento. Ambev, Kaiser, Coca-Cola e Elma Chips são apenas alguns dos grandes nomes do país que já têm vendedores tirando pedidos na rua na tela do micro de mão. Segundo o instituto de pesquisas Gartner, um terço dos 11 milhões de PDAs vendidos globalmente no ano passado foram comprados pelo mercado corporativo.
O predomínio das aplicações de automação de vendedores tem uma explicação simples. “As empresas estão começando pelas áreas em que é fácil medir o retorno sobre o investimento”, afirma Cristina Palmaka, diretora de produtos da HP Brasil. Hoje, 80% das vendas de handhelds da HP no país vão para as empresas. Boa parte dos vendedores carregam PDAs sem acesso instantâneo à rede — ou seja, apenas uma parte do processo é concluído na rua. Na maioria dos casos, o funcionário usa o equipamento para tirar o pedido no cliente e depois se conecta à empresa para mandar as informações. Pode ser remotamente mesmo, por um modem, ou por meio da tradicional sincronização no berço ao voltar para o escritório. “Muitas vezes, ao mesmo tempo que transmite os dados, o vendedor já recebe a agenda e as atualizações da lista de preços”, diz Valmir Francisco Bozoni, gerente da área de mobilidade da Itautec. Na empresa farmacêutica Eurofarma (veja a matéria na página 67), os vendedores levam o PDA e um modem. Antes de fechar o pedido, eles se conectam a um telefone 0800 para consultar a posição dos estoques e a situação do cliente.
Os casos realmente ligados à internet ainda são poucos. E não é só o custo de transmissão de dados pelo celular que explica isso. “No Brasil, ainda falta muito para poder chegar a um mundo ideal, com uma rede de telefonia celular bem capacitada”, diz Lúcio Di Domenico, gerente-geral da Gradiente Telecom.
Um estudo do Yankee Group realizado com 500 empresas brasileiras apontou que 41% delas ainda não usam nenhum tipo de aplicação wireless para dados. Nessa área, o notebook é o dispositivo adotado por 31% dos entrevistados. Os telefones celulares com WAP aparecem em segundo, com 29%, e os PDAs na seqüência, com 10%. Mas essa situação deve se inverter. Quando as empresas foram perguntadas sobre o que pretendem usar no futuro, o handheld passa o celular, por um placar de 28% contra 23%.
Nas aplicações que envolvem ambientes delimitados, como é o caso dos restaurantes e dos centros de distribuição, o Wi-Fi tem sido o parceiro mais comum do handheld, deixando o Bluetooth como mero coadjuvante. Os garçons tiram os pedidos na tela do PDA e tudo vai automaticamente para a cozinha e para o caixa. Há restaurantes que já usam até impressoras com cartão Wi-Fi, como é o caso da rede paulista America. Ao solicitar a conta no handheld, o ticket sai na hora.
Por aqui, uma das pioneiras no desenvolvimento de soluções para os restaurantes foi a paulista Tango. Em 2000, a empresa criou seu primeiro sistema com Po- cket PC, implantando no finado restaurante Red da avenida Paulista, em São Paulo. Na equipe de cinco desenvolvedores da Tango, a principal ferramenta é o C++. As soluções da empresa já cruzaram as fronteiras brasileiras. “No ano passado, começamos a exportar para a Argentina, o México, a Espanha e os Estados Unidos”, afirma o argentino Gabriel Alfredo Germinara, diretor e um dos sócios da Tango. No Brasil, vai crescendo o número de empresas que estão se especializando em desenvolver e integrar soluções móveis. A paulista MGI, por exemplo, foi criada há mais de dez anos como revendedora e assistência técnica da HP. Hoje, 80% do seu trabalho são voltados ao mercado de handhelds.
Somando usuários domésticos e empresas, a plataforma Palm OS continua sendo o nome mais forte no mundo dos handhelds. Ficou com quase 50% das vendas mundiais de 2003, segundo o Gartner. Mas o Pocket PC vem ganhando músculos rapidamente. Se no ano passado rodava em 37,7% dos equipamentos vendidos, em 2005 chegará a 65%, de acordo com a pesquisa. O crescimento é motivado principalmente pela adoção do Po-cket PC no mercado corporativo. O estudo mostrou que hoje 40% dos dispositivos Pocket PC são comprados por empresas contra menos de 20% no caso do Palm OS.
No Brasil, o mercado corporativo responde por 30% das vendas da PalmOne, segundo os números da própria fabricante. “O preço do produto ainda é muito importante para as empresas. Modelos como o Zire 21 e o Tungsten E, mais econômicos, estão sendo bastante usados”, afirma Alexandre Szapiro, vice-presidente de marketing e vendas da PalmOne. Uma das empresas brasileiras que se especializaram na plataforma da Palm para o mercado corporativo é a mineira Most. “Costumo comparar o Linux com o Palm, que é um sistema extremamente estável”, diz o francês Jean Michel Guillaume, diretor executivo da Most. A equipe de desenvolvimento de computação móvel tem 20 pessoas e trabalha principalmente com C. A Most montou até um laboratório para estudar novas tecnologias, como bancos de dados com grandes quantidades de informação rodando no próprio palmtop.
O movimento de integração entre o handheld e o celular continua forte nas áreas de pesquisa e desenvolvimento dos fabricantes — até mesmo no Brasil. A Itautec, por exemplo, tem o protótipo de um smartphone, ainda sem previsão de anúncio. “Além de integrar o celular, a tendência é embutir o Wi-Fi no equipamento. Caberá ao usuário escolher que tecnologia quer usar, dependendo do ambiente em que estiver”, afirma Celso Winik, gerente de sistemas embarcados da Microsoft. Na mesma onda, vai crescer cada vez mais a integração do handheld com a infra-estrutura de serviços da empresa, estimulada até pelo uso de tecnologias como o web services. Dará para ir para a rua levando, literalmente, a empresa no bolso.
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