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Talento sem fio


O que o mercado quer do profissional de tecnologia que vai trabalhar com Wi-Fi? Mobilidade!

POR VIVIANE ZANDONADI

O emaranhado de fios some, a oportunidade de trabalho aparece. As redes locais wireless avançam, desplugando escritórios, lojas, empresas, hospitais, escolas, casas. A principal alavanca desse movimento atende pelo nome de Wi-Fi, a tecnologia para rede sem fio mais forte no momento. Resultado: o mercado começa a chamar para a linha de frente o profissional capaz de desenvolver, implantar e vender soluções na área.

As oportunidades estão nos fabricantes, nos distribuidores, nas empresas onde as soluções sem fio são criadas e onde são aplicadas. “Sem dúvida, as redes sem fio ainda são novidade no Brasil, mas são uma tendência inevitável por ser mais baratas e fáceis de implantar do que as cabeadas”, diz Wanderlei Rigatieri, presidente da WDC Networks, distribuidora especializada em soluções wireless. “O cara que se preparar hoje valerá ouro amanhã.”

Amanhã, pode ser. Hoje parece que ele vale uma prata muito bem polida. De acordo com Pérola Lucente, consultora de carreira da Manager, os profissionais jovens que conhecem muito bem redes sem fio, mas ainda não têm experiência na aplicação das soluções e na integração com o negócio, podem ter salários de até 4 mil, 4,5 mil reais. “O sênior vai valer desde 5,5 mil reais”, diz. Mas qual é o perfil desse profissional? Para começar, poucos fios o amarram a uma única área. Para trabalhar com redes Wi-Fi, é preciso conhecer muito bem topologia de redes (as cabeadas mesmo), telecom, segurança, radiofreqüência e acompanhar de perto as mudanças que acontecem o tempo todo no mundo dos padrões Wi-Fi (802.11, de a a g), chegando a 802.16. Saber se expressar é condição sine qua non, assim como dominar o inglês e ter criatividade.

Ainda não é possível traçar um perfil definitivo do profissional, pois existem vários padrões de tecnologia Wi-Fi e as coisas mudam muito rápido. “Sabemos que o técnico dessa área é bem qualificado e versátil. Tanto pode trabalhar na equipe de TI como na de telecom ou de negócios”, diz Flávio Duarte, gerente de infra-estrutura da IBM. “Nos EUA, país que lidera o avanço do Wi-Fi, o consumidor conversa sobre isso de igual para igual com o vendedor e sabe o que aquele produto vai fazer na casa ou no escritório dele. Todo mundo entende minimamente a tecnologia”, diz Daniel Kanaoka, diretor comercial da D-Link, fabricante de produtos para rede. “O Brasil ainda não tem profissionais que saibam vender esse tipo de equipamento. Há um mercado imenso a ser explorado.”

Gustavo Schramm, de 21 anos, é formado em ciência da computação e trabalha na 3Com, um dos principais nomes do mercado de infra-estrutura de redes. Schramm já é especialista em wireless. “A tecnologia está cada vez mais segura e barata”, diz. “Eu me especializei nisso por causa da demanda da 3Com e do mercado. E também porque gosto. Pessoalmente, acho que agrega muito valor à carreira.”

O engenheiro de sistemas da Cisco Maurício Gaudêncio, de 36 anos, concorda. “Os certificados nessa área valem mais do que uma faculdade.” Gaudêncio é especialista em segurança e em wireless. Tem uma coleção de canudos, com certificações em rede e em segurança, inclusive a Wireless Certified Administration, que não é atrelada a nenhum fabricante. Trabalha na pré-venda dos projetos e vive fazendo palestras para os clientes. “Saber falar em público e traduzir o que é técnico, derrubar os mitos de que Wi-Fi ainda é muito inseguro (sic) e ser capaz de defender as vantagens da solução para um ou outro tipo de negócio fazem muita diferença”, diz. Hoje, a maior parte das aplicações é indoor, mas dá para espiar mais adiante. “Para muitos especialistas, nos próximos cinco anos a banda larga Wi-Fi vai explodir”, diz Janete Dias, consultora de carreira da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap). “Outra tendência é a integração do Wi-Fi com tecnologias de transmissão de telefonia celular.”

Seja como for, para as empresas é difícil achar o exército de um homem só, a pessoa que é ao mesmo tempo técnica e comunicativa. A solução costuma ser investir na capacitação dos funcionários que, por sua vez, precisam estudar sempre. A 3Com desenvolveu um programa de treinamento. O 3Com Wireless Specialist é inicialmente voltado para o pessoal da própria companhia que conhece redes cabeadas e aplicações sem fio, e para os parceiros. Cobre tecnologia e produtos e tem no currículo, além de infra-estrutura de redes, gerenciamento e segurança, radiofreqüência, criptografia e padrões. Há uma parceria com o Senac, que oferece o mesmo curso no Rio de Janeiro. Em São Paulo, a primeira turma estava programada para começar em março.

A D-Link também tem um programa de certificação em wireless para funcionários e clientes. Faz parte do DPP (D-Linking People Programm) e deve começar a ser oferecido comercialmente ainda este ano.

A Cisco, que tem as certificações em rede mais valorizadas do mercado hoje, criou uma modalidade wireless para o CQS (Cisco Qualified Specialist), que dá ao profissional — da própria Cisco e dos parceiros — status de especialista. Para fazer a prova desse certificado, é preciso ter CCNA (Cisco Certified Network Associates) ou CCDA (Cisco Certified Design Associate) e pelo menos um ano de experiência com essas certificações. O custo total, com a prova, fica em torno dos 1 800 dólares.

Se você está a fim de migrar para o mercado Wi-Fi e é formado em alguma das engenharias informatas, como telecom, computação ou elétrica, ou em ciência da computação, dê uma olhada no próprio umbigo: criatividade e certificações em rede e em segurança e especializações em wireless podem alavancar a sua carreira para um mundo sem fios.

       


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