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CorelDRAW com cara de escritório


Com recursos de CAD e interface de Office, a versão 12 busca espaço fora do mundo gráfico

POR LUCIA REGGIANI

A Suíte de Aplicativos Gráficos CorelDRAW chega à versão 12 com poucas — mas boas — inovações e muita disposição para ganhar terreno no ambiente de escritório. Um bom indicador desse rumo é a estrela do pacote, o popular programa de desenho vetorial CorelDRAW 12, que agregou ferramentas de precisão para o desenho técnico à capacidade de deixar a área de trabalho com a cara dos aplicativos de escritório do Office, da Microsoft. Como na versão anterior, o CorelDRAW divide o palco da suíte com o competente programa de edição de imagens e criação de pintura, o Photo-Paint, agora na versão 12, e o editor de animações Rave, que emplaca sua edição 3.

As mudanças da nova versão começam no empacotamento da suíte. Ao contrário da edição 11, que abrigava em cinco CDs híbridos as versões para Macintosh e Windows e tentava, assim, cooptar os usuários de máquinas Apple, a versão 12 vem só para PC em três discos. E a Corel não tem planos de lançar tão cedo uma atualização para a turma da maçã, sabidamente fã dos aplicativos gráficos da rival Adobe.

A instalação do pacote teve um ajuste bem-vindo. Até a versão 11, o usuário que quisesse uma máquina mais leve deveria optar pela instalação personalizada e deixar as fontes-padrão para depois, desabilitando esse item. Agora, a instalação- padrão leva um número mínimo de fontes para o PC, aliviando a memória. Quando o usuário quiser usar outras fontes, bastará levar a pasta correspondente ao diretório-raiz e gerenciá-las pelo Bitstream Navigator 5, que continua o mesmo da versão anterior da suíte.

As novidades mais relevantes estão nas ferramentas espertas. A ferramenta Desenho Inteligente do CorelDRAW reconhece formas nos esboços feitos a mão livre e os transforma em figuras geométricas na posição e medida corretas. Enquanto o usuário desenha com a ferramenta ativada, as curvas são suavizadas, encurtando o número de etapas na criação de gráficos. E o usuário ainda pode escolher a intensidade da suavização de acordo com o efeito mais ou menos preciso que desejar. O recurso é interessante para a pré-diagramação e aos adeptos de tablets, por ser sensível à pressão da caneta.

Para os desenhistas técnicos e diagramadores, o CorelDRAW 12 traz Guias Dinâmicas, que são linhas de guia temporárias que podem ser puxadas de pontos dos objetos. Ao passar o cursor sobre os objetos ou arrastá-los para uma Guia Dinâmica, o programa informa a distância do objeto ao ponto de ancoragem da guia, permitindo soltá-lo no lugar certo, de forma semelhante à adotada pelos programas de CAD. Essas guias são de boa ajuda para posicionar objetos em relação aos outros. É possível mostrar uma Guia Dinâmica em vários ângulos pré-configurados ou em ângulos que o usuário definir. Como ela adere à linha de base do texto, torna-se uma boa ferramenta para criar espaçamento de texto alinhado com objetos, o que antes não era tão fácil, uma vez que as linhas de desenho obedecem a unidades métricas, enquanto as de texto são medidas em pontos tipográficos.

Alguns outros recursos foram aprimorados, como o de alinhamento. Ao passar o cursor sobre o objeto, aparecem pontos de alinhamento, como borda, nó etc., que facilitam o ajuste. E o texto ganhou as opções de alinhamento com objetos tomando a primeira linha como base, a última linha ou a caixa delimitadora.

As ferramentas de desenho Conta-gotas e Lata de Tinta também melhoraram. Agora elas podem ser usadas para copiar cores, propriedades, efeitos e transformações de um objeto para outro facilmente. Para copiar uma cor, por exemplo, basta um clique com o Conta-gotas na borda do objeto de origem, outro clique em Cores na lista de propriedades, ativar a Lata de Tinta e clicar com ela no objeto de destino.

A área de trabalho ganhou mais poder de personalização. É possível configurar a interface para tarefas diferentes, como desenho ou diagramação, e salvar para reutilização posterior. Dá para importar áreas de trabalho personalizadas do CorelDRAW 11 e adotar o estilo de outros aplicativos. Além do estilo do Illustrator, da Adobe, incluído na versão 11, a nova encarnação do CorelDRAW pode assumir as feições dos aplicativos do Microsoft Office, com direito a todas as barras de menus e de ferramentas. A escolha da interface, seja a padrão, seja a Illustrator, seja a Office, pode ser feita durante a instalação da suíte ou após, acessando as opções de área de trabalho pelo menu Ferramentas.

A compatibilidade com aplicativos do Office vai mais além. Desenhos feitos no CorelDRAW podem ser exportados para exibição em apresentações do PowerPoint, por exemplo. Há dois modos de exportação para o Office: Compatibilidade, em que o arquivo é salvo em formato PNG (Portable Network Graphics), PNG (Formato de arquivo de imagem para a internet similar ao GIF) e Edição, em que vetores, bitmaps e textos são salvos juntos em formato EMF (Enhanced MetaFile), EMF (Formato de arquivo gráfico que reúne vetor, texto e bitmap) que admite edição no Office e no WordPerfect, a suíte de aplicativos de escritório da própria Corel. No Photo-Paint 12, a principal novidade é o pincel Retoque, que produz correções rápidas nas fotos, como rugas e outras imperfeições da pele, com efeito melhor do que a ferramenta Borrar. As grandes inovações aconteceram mesmo na versão anterior, que acrescentou ferramentas de recorte de imagem e correção de áreas danificadas bastante eficientes e fáceis de usar.

O editor de animações Rave não sofreu mudanças significativas, além de uma integração melhor com os demais aplicativos da suíte. Com o CorelDRAW, o Rave foi alinhado em escala Panose, um sistema de correspondência de fontes que permite especificar uma substituta para quando o usuário abrir um arquivo com fontes que não estão instaladas no seu PC. Também agregou o reconhecimento de formas, as Guias Dinâmicas e as melhorias no alinhamento do aplicativo de desenho.

Integram a suíte como coadjuvantes os programas Capture 12, para a captura de imagens, Trace 12, para a conversão de bitmaps em objetos vetoriais, o gerenciador de fontes Bitstream Navigator 5, o assistente de impressão em frente e verso Duplexing Wisard e o SP Profiler, um gerador de perfis de impressão para bureau de serviços. O pacote completo tem o preço sugerido pela Corel de 1 499 reais, menos da metade do que a Adobe cobra apenas pelo Illustrator, concorrente do CorelDRAW em desenho, o que dá ao produto canadense uma excelente relação custo/benefício. Para quem não possui aplicativos gráficos ou trabalha com versões antigas, como a 8 e a 9, a nova edição da suíte da Corel atende perfeitamente às necessidades e representa um upgrade considerável. Já os usuários das versões 10 e 11 devem pesar bem se os novos recursos valem os 799 reais da versão de atualização. Tanto a versão completa quanto a de atualização vêm em dois idiomas, português e espanhol. A acadêmica, com desconto para estudantes e professores (custa 249 reais), inclui as opções de idiomas inglês, alemão, francês, italiano e holandês. E aqui tem outra novidade. O usuário pode instalar mais de um idioma e alternar entre um e outro quando quiser, acionando o menu Ferramentas.

       


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