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Tijolo, cimento e voz sobre IP
A construtora Andrade Gutierrez
adotou o VoIP nas ligações entre
três de seus principais escritórios
POR FLáVIA YURI
Quando transferiu sua matriz de Belo Horizonte para São Paulo, em 2001, a Construtora Andrade Gutierrez viu emergir um dinossauro do meio de sua infra-estrutura de telecomunicações. O sistema de ligação direta entre as duas cidades, montado em 1996 por meio de um link dedicado de voz, estava obsoleto, causava delay nas ligações e levava os usuários a optar pelo uso do caríssimo DDD convencional. A saída encontrada pela empresa foi adotar a tecnologia de voz sobre IP para interligar seus três principais escritórios — em Belo Horizonte, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Com isso, desde agosto de 2002, o DDD entre essas unidades foi abolido.
Quando a conexão direta por link de voz foi feita, em 1996, a economia imediata com os interurbanos chegou a 30%. Mas, com a diminuição da qualidade das ligações, esse percentual foi se reduzindo — e as contas de DDD entre filiais voltaram a crescer. Os links de voz foram contratados da Pegasus Telecom, e os multiplexadores de voz eram da marca americana Netrix. “Nossos links eram suficientes, mas os equipamentos não tinham mais assistência técnica no Brasil e estavam dando problemas”, afirma Lauro Zanforlin, gerente de TI da construtora.
Para resolver esse problema, a Andrade Gutierrez decidiu partir para o VoIP. VoIP (Sigla de voz sobre IP. Permite transportar sinais de vozpela internet). Foram dois meses de ajustes para afinar a qualidade das ligações e, segundo a empresa, em pouco tempo o desempenho se equiparava ao das linhas convencionais. Nada de som metálico nem tampouco delay. “Não dá para perceber a diferença entre as ligações pela internet e a linha de uma operadora”, diz Zanforlin. Além disso, a substituição da solução permitiu à empresa subtrair 11 mil reais de seus gastos mensais com links de voz — sem contar a economia nos interurbanos.
A qualidade do sistema de VoIP duplicou seu uso em pouco tempo. A primeira reserva de banda para a telefonia IP, dentro do link de dados, foi de 128 KB. No mês seguinte, a empresa precisou aumentá-la para 256 KB. A construtora, entretanto, não teve de ampliar seu link de dados. Hoje, telefonia responde por 20% da banda gasta entre os três pontos. O resto se divide entre internet e videoconferência.
Depois da mudança, o gerenciamento de todo o sistema de telefonia da Andrade Gutierrez em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte passou a ser feito de um único ponto, na matriz, pela prestadora de serviços A.Telecom. Antes disso, os links de voz entre as três cidades não eram integrados ao sistema de telefonia convencional, o que prejudicava o controle de qualidade, que era feito de forma independente em cada uma das cidades. Com o gerenciamento centralizado, a solução de correio de voz, que existia apenas em São Paulo, também pôde ser compartilhada com os ramais de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro.
Na migração, a construtora levou em conta que já usava o sistema de PABX Meridian, da Nortel, preparado para trabalhar com voz sobre IP. Por isso, acabou optando pela marca canadense para a solução de voz sobre IP. Bastou acoplar as placas ITG (sigla de IP to Telephone Gateway), da Nortel, aos sistemas de PABX. Elas vêm com um software que faz a integração com o gerenciamento central de telefonia da empresa. A capacidade é de até 32 ligações simultâneas entre cada uma das três unidades. A empresa investiu 120 mil reais nessa solução — e o retorno veio em dez meses.
A satisfação com a tecnologia levou a empresa a procurar uma alternativa que se adequasse aos custos de suas filiais menores. Desde dezembro passado, o escritório em Brasília conta com um sistema de VoIP de dois ramais externos para poder falar com a matriz, em São Paulo. A solução, da empresa PL Tecnologia, custou 8 mil reais. O número de linhas é limitado, mas dá conta das necessidades da filial de apenas dez funcionários e, principalmente, do orçamento da unidade.
De olho nas contas de interurbano nacionais e internacionais de seus executivos nas viagens, a equipe de TI está testando quatro licenças do programa Soft Phone, da Nortel, uma alternativa do sistema de VoIP para quem está em trânsito. O programa leva a voz sobre IP para a VPN da empresa e permite deixar o ramal do funcionário disponível pela internet para fazer e receber ligações como se ele estivesse em sua mesa na empresa. Basta plugar um fone de ouvido com microfone a um notebook conectado à VPN para acessar a linha da empresa. Se o usuário estiver na França e telefonar para alguém em São Paulo, por exemplo, a Andrade Gutierrez pagará por uma ligação local. Se a chamada for para algum ramal da própria empresa, não há custos. “Já usei o sistema em algumas viagens que fiz para Belo Horizonte e ele vem funcionando direitinho”, diz Zanforlin. Além dos executivos, os engenheiros dos canteiros de obras também podem vir a usar esse aplicativo. A construtora estuda a possibilidade de estender a tecnologia para seus postos de obras, em que há escritórios com até 100 computadores. A equipe de TI trabalha para incluir esses postos na VPN da Andrade Gutierrez. “Temos duas saídas em uso: a de Brasília e a Soft Phone. Depois de preparar a VPN, o posto só precisará decidir o que se adequa à sua estrutura”, diz Zanforlin.
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