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A Intel não manda no chip X86


Com o fiasco do chip Itanium, a empresa retorna ao padrão X86 e assume um rumo apontado pela rival AMD

POR JOHN C. DVORAK

O fato mais interessante do cenário tecnológico aqui nos Estados Unidos foi o anúncio repentino da Intel de que vai seguir a AMD e produzir uma versão de 64 bits do chip X86. A empresa estava rumando noutra direção, com o processador Itanium e sua nova arquitetura, enquanto a AMD decidira permanecer com o padrão X86 e fazer os chips de 64 bits Opteron e Athlon-64. Para ser honestos, todos sabíamos que seria apenas uma questão de tempo para a Intel adotar esse caminho.

O Itanium foi anunciado com estardalhaço há alguns anos e toda a indústria dava como favas contadas que esse era o futuro e todo mundo iria adotar a nova arquitetura da Intel. Até a Sun Microsystems declarou que iria embarcar no trem do Itanium e abandonar seus chips Sparc. A Sun depois mudou de idéia, mas em certo ponto parecia que toda a indústria seguia a Intel antes que um único chip fosse lançado ou mesmo prototipado! Com o tempo, informações negativas começaram a vazar. Dizia-se que o chip não iria fazer isso ou aquilo. Ou, então, que tinha bugs. Ou era lento. Por fim, quando os primeiros modelos apareceram, eram mais lentos que chips anteriores com o mesmo clock. O Itanium (antes conhecido como Merced) não foi bem recebido. No Vale do Silício, era chamado de Titanium — uma referência ao navio Titanic. É verdade que ele nunca afundou, mas também nunca empolgou o mundo, como se supunha.

Conforme o esperado, o Itanium deveria ser o chip dominante em 2002 ou 2003. Mas as vendas do chip em 2003 não passaram de 110 mil unidades num mercado em que se comercializaram mais de 110 milhões de chips X86. Essa brutal diferença não deveria ser reduzida tão cedo. Então a Intel, sabiamente, engoliu em seco e deu marcha a ré. O pessoal da AMD deve ter rido, satisfeito. Nada disso teria acontecido não fosse a arrogância de alguns executivos da Intel, que não aprenderam a lição deixada por erros do passado cometidos pela IBM, pela própria Intel e outras empresas do setor. O erro: assumir que você é tão grande que controla os rumos de suas invenções. Na verdade, muitas dessas invenções assumem vida própria e o melhor que se pode fazer é atuar como mero tutor para elas. O X86 tornou-se dono de si.

Coisa semelhante aconteceu com a IBM em 1987, quando ela achou que era dona do IBM-PC. É como num filme ruim em que o boneco passa a comandar o ventríloquo. A IBM tentou eliminar o drive de 5,25 polegadas, mudar o PC para a arquitetura Microchannel, migrar para o OS/2 e ignorar o chip 386 — tudo numa única tacada. Isso marcou a introdução dos micros PS/2 e terminou o domínio da IBM na arena do PC quando a mudança foi rejeitada pelo mercado. Não se sabe se a falta da Intel terá o mesmo efeito adverso.

Acho que a Intel pode dar a volta por cima nesse caso. Mas há outros problemas mais sérios. No front internacional, o chip PowerPC parece estar reemergindo na forma de velha aliança IBM-Motorola. Esse projeto, que a Apple um dia ajudou a promover, nunca morreu totalmente e há engenheiros europeus e asiáticos desenvolvendo algo chamado MorphOS, sistema operacional semelhante ao AmigaOS e inspirado nele. Essa conjunção MorphOS/PowerPC pode surgir a qualquer momento como bárbaros atacando Roma. O potencial é alto, e é a hora certa para uma ação desse tipo, depois do lançamento do poderoso chip PowerPC G5. Uma vantagem adicional para o G5 é que recentemente o Linux foi portado para esse chip.

       


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