Brasileira no MIT
Em Cambridge, a paulistana
Daniela Pucci de Farias ensina futuros
engenheiros a tomar decisões
POR VIVIANE ZANDONADI
Duas vezes por semana, Daniela Pucci de Farias, de 28 anos, formada em engenharia de computação pela Unicamp, dá aula para uma platéia de 40 alunos do Massachusetts Institute of Technology, o MIT, o mais respeitado e o mais esnobe instituto de tecnologia do mundo. Daniela é professora no departamento de engenharia mecânica. Entre uma aula e outra, ela conversou com INFO.
INFO - Você dá aulas de quê?
DANIELA - Criei a matéria Tomada de Decisões em Sistemas de Larga Escala, que estuda o comportamento dos sistemas, variáveis e probabilidades.
Isso não é teórico demais?
Não. Imagine o mercado de ações. As simulações ajudam a decidir se vale ou não investir. Nos complicados sistemas de energia, algumas coisas podem ser evitadas, como o apagão de Nova York no ano passado. O sistema parou porque foi surpreendido.
Foi difícil se adaptar ao MIT?
No começo, sim. Alguns alunos são mais velhos do que eu e há só duas ou três meninas. Mas, no cotidiano, não dá muito tempo de pensar nisso.
Por que fazer carreira acadêmica?
Gosto do ambiente intelectual, do desafio do conhecimento. Tenho mais autonomia do que em empresa e ninguém fica dizendo o que tenho de fazer. Na minha área, gosto de pensar em redes e nos métodos para controlar os sistemas. Quero entender a matemática deles, sua propriedade.
Você usa muito o computador?
Quando vou fazer alguma simulação e testar um algoritmo, faço um programinha em C ou C++, que é mais rápido. Mas prefiro lápis e papel.
O que você diria para quem quer seguir um caminho parecido?
Estar aberto aos riscos de largar tudo pela vida acadêmica é tão importante quanto escolher temas apropriados para pesquisa. A vida mudou completamente, mas eu gosto.
Você vai voltar para o Brasil?
Não penso nisso agora. Quero saber para onde isso tudo vai me levar.