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O FreeBSD é bom de brigaA análise da versão 5.1 mostra que ela está pronta para aplicações pesadas POR MAURíCIO GREGO E LEANDRO LEITEEm junho, a empresa americana Netcraft fez um estudo para identificar os provedores de hospedagem com melhor desempenho na web. Os cinco nomes no topo da lista — New York Internet, Above.net, Yahoo!, Pair e About.com — têm uma característica em comum que chama a atenção. Todos eles rodam o FreeBSD em seus servidores. Estudos como esse vêm reforçando a reputação que o FreeBSD conquistou de ser um sistema operacional confiável, seguro e de excelente desempenho em aplicações de rede. A mesma Netcraft estima que haja 2 milhões de sites baseados em FreeBSD na web. O INFOLAB conferiu a nova versão 5.1 e verificou que ele continua muito forte na sua área tradicional de utilização — em roteadores, firewalls, servidores de DNS, e-mail, FTP e HTTP. Mas o sistema também pode surpreender em outras aplicações.
Liberado em junho, o FreeBSD 5.1 traz basicamente correções para os bugs da edição 5.0, lançada em janeiro depois de três anos de desenvolvimento. As novidades do FreeBSD 5.x ficam ocultas no kernel e aprimoram o sistema principalmente em três aspectos: escalabilidade, robustez e segurança. O aperfeiçoamento mais importante é um melhor suporte para máquinas multiprocessadas. Nas versões anteriores, um aumento no número de processadores não melhorava o desempenho o bastante para tornar o multiprocessamento vantajoso. Agora, dizem os autores, o sistema está apto a explorar melhor as máquinas multiprocessadas.
Na área de segurança, há dois acréscimos. O primeiro é o recurso conhecido como MAC (Mandatory Access Control), que permite criar restrições de acesso aos arquivos para cada usuário ou grupo. A segunda novidade é um sistema de criptografia de disco, o Geom. O FreeBSD também ganhou a possibilidade de rodar nas plataformas Sparc64, da Sun, e IA64, da Intel, além de x86, também da Intel, e Alpha, da HP, que já eram compatíveis com as edições anteriores. O INFOLAB verificou que o programa de instalação do FreeBSD é flexível e eficiente, oferecendo enorme variedade de opções de configuração. O lado ruim disso é que é fácil ficar perdido entre tantas opções. O FreeBSD pode rodar os ambientes KDE e Gnome, mas é raro o uso de interface gráfica nessa plataforma. A administração do sistema é geralmente feita em modo texto ou via browser, numa estação da rede. Além disso, os aplicativos mais usados nessa plataforma — como servidores para a web — também não requerem interface gráfica. Além de contar com uma lista razoável de softwares nativos, o FreeBSD pode, por meio de emuladores, rodar muitos dos aplicativos do Linux.
Uma característica interessante do FreeBSD está na maneira como é feita a instalação de novos softwares. Na maioria das variantes do Unix — incluindo o Linux —, a instalação envolve várias etapas e, dependendo do software, pode ser muito trabalhosa. Alguns aplicativos para FreeBSD estão disponíveis em pacotes que já contêm o programa pré-compilado e os demais arquivos necessários. Comandos como pkg_add, para adicionar um aplicativo, ou pkg_delete, para eliminá-lo, permitem realizar essas operações em uma única etapa.
Outros softwares são encontrados em forma de porte, um arquivo com as informações necessárias para baixar o código-fonte, descompactar, compilar e instalar o aplicativo. Há um conjunto de comandos específicos para operações com portes. Tanto no caso dos pacotes como no dos portes, as chamadas dependências — problemas causados pela falta de determinados componentes no sistema — são resolvidas automaticamente.
Mesmo com essas características atraentes, o FreeBSD não conta com o apoio dos grandes fabricantes nem com a visibilidade conquistada pela turma do pingüim. Um fator que dificulta seu uso é a escassez de serviços técnicos e de material de aprendizado. Uma pesquisa em dez das maiores livrarias online brasileiras não apontou nenhum livro sobre FreeBSD. Na Amazon.com americana, a busca revela apenas 20 livros sobre esse sistema, contra 920 sobre o Linux. Além disso, são raras as empresas que oferecem treinamento ou suporte para FreeBSD no Brasil. O site oficial do sistema e outros, criados por usuários, tentam suprir essa escassez de informações.
Tanto as características tradicionais do FreeBSD como os aperfeiçoamentos introduzidos na versão 5.x enfatizam o uso em servidores. Em aplicações de rede, especialmente em servidores da web, a confiabilidade e o ótimo desempenho desse sistema fazem dele uma opção bastante atraente.
Fique ligado em
CD-ROM Os CDs do FreeBSD à venda no Brasil são, ainda, da versão 4.7. Para obter a 5.1 é preciso fazer o download
APLICAÇÕES CRÍTICAS Para quem roda aplicações críticas, os autores do FreeBSD não recomendam o upgrade para a versão 5.1. É melhor esperar pela 5.2
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