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tendências / robótica

edição 192 - Março/2002

Tudo é caro e difícil de achar nesse hobby que filtra os aficionados pelo bolso. Para dar aulas a adolescentes carentes no fim de semana, o professor Barretto apela para lojinhas da Santa Ifigênia, onde consegue comprar, por cerca de 10 reais cada, kits para montar amplificador, pisca-pisca e sirene. Fora dessa área, pouca coisa se salva. Os kits de peças de ferro da francesa Meccano o professor Sérgio Boggio vai pinçar - quando encontra - em lojas paulistanas de brinquedos sofisticados para dar aulas de mecatrônica a turmas do segundo ano do ensino médio no Colégio Bandeirantes. Kits RoboLab, da Lego Dacta, que custam de 500 a 1200 reais, já vão direto para as escolas, acompanhados de aulas estruturadas para os professores. Lego robótico nas lojas, só os kits MindStorms, ainda mais caros.

O problema é que os coloridíssimos kits de Lego são fascinantes e fáceis de lidar. O tijolo RCX, cérebro dos robôs, tem sensores de temperatura, toque, luz e rotação e armazena até cinco tarefas programáveis em segundos, num software baseado em ícones. Bico. Que o diga o designer Arthur Secek, 19, que passou o colegial enfurnado no laboratório de robótica do Pueri Domus, em São Caetano do Sul. No primeiro ano, fez uma fábrica de embalar chicletes em caixas de fósforo. No segundo, construiu um robô que jogava o Jogo da Velha e lhe rendeu o emprego na Edacom, distribuidora da Lego, onde monta e desmonta o que for. Só seu último robô, que os colegas chamam de "filho do Secek", se mantém inteiro.

No outro extremo, da maior dificuldade, mora o hardware idealizado. "A parte mecânica é a pior", reclama Leonardo Schunk, que manda fazer sob medida os eixos dos seus carrinhos e improvisa tudo o que pode em sua impecável oficina de Mauá, arredores de São Paulo. Toda economia é bem-vinda para o EXP1, o robô explorador que ele está montando com o poderoso microcontrolador AVR Atmel numa placa caseira.

Também está no hardware difícil e caro o maior obstáculo às batalhas de robôs. Febre há pouco mais de um ano nos Estados Unidos, onde protagonizam programas de TV de grande audiência, as máquinas de guerra são raras por aqui. Apareceram com a primeira Guerra de Robôs promovida pela Unicamp no ano passado, na categoria de 25 a 50 quilos.

A equipe Los Cuervos, da mecatrônica da Poli, levou dois robôs. Um com quatro serras, motor de kart para acioná-las e motores de pára-brisa de caminhão para mover as rodas. Outro de impacto, com dois motores de arranque de Gol, cada um acionando uma roda de carrinho de pedreiro. Participaram equipes da EFEI de Itajubá, da Unicamp e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Saiu vencedor o robô da EFEI, o único que funcionou até o fim do torneio. Os demais, teleoperados por controle remoto de aeromodelos, pifaram com problemas na eletrônica de acionamento.

A diversão das batalhas se repetirá este ano, com mais escolas e o mesmo gargalo: o dinheiro. Mesmo não sendo autônomos e muito inteligentes, os robôs de batalha exigem equipamentos caros, como transmissores e receptores de rádio e motores. Os dois guerreiros da Poli custaram 3 mil reais. Embora as peças possam ser reaproveitadas, parte da turma desanimou e quer se concentrar no futebol de robôs, estimulada pelo desafio da visão computacional.

   


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