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RobomaníacosEles vivem num mundo de controladores, Assembly, circuitos, sensores, polias, motores, correias... POR LUCIA REGGIANISábado de Carnaval. O professor de robótica Sérgio Costa acorda cedo para se reunir com o bloco da sucata. Samba no pé de manhã? Nem pensar. O grupo vai gastar sola de sapato garimpando, em lojas de aparelhos eletrônicos usados da região da rua Santa Ifigênia, centro de São Paulo, componentes para construir robôs.
Placas, sensores, motores, correias, polias, nada se perde, tudo se transforma. Uma impressora matricial fornece dois motores de passo para mover as pernas do robô. Quatro serras circulares e um motor de kart podem compor um modelo de batalha. Velhas câmeras de vídeo situam as engenhocas no espaço e dão asas à programação de processadores de imagem. Tudo em nome de uma paixão que começa na infância.
Fascínio por coisas que se mexem sozinhas, curiosidade incontrolável sobre o que as faz se movimentar e uma paciência imensa para desmontar, explorar cada componente e montar tudo de novo até o último parafuso. Esse é o caldo de onde brotam os robomaníacos. Na história de cada um sempre tem pai, tio ou amigo da família com gosto por eletrônica e uma oficina franqueada às crianças. Foi assim com o técnico em vidros elétricos para carros Leonardo Marcilio Schunk, 23, o professor de tecnologia Sérgio Américo Boggio, 55, e o recém-formado engenheiro mecatrônico Celso Ramos de Souza, 25. Não falta inspiração em filmes, desenhos animados ou seriados de TV com robôs.
Os carrinhos de controle remoto são as primeiras vítimas dos garotos. A destruição criativa fornece luzes, sons e movimento para robôs com corpo de caixa de sapato, como o primeiro de Sérgio Costa, 34, ou de lata de leite em pó, como o do empresário Loreno Minati, 30. Mais tarde eles começam a produzir suas placas, protegendo o circuito com esmalte de unha, como lembra Marcos Ribeiro Pereira Barretto, 41, professor de mecatrônica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Em geral, fazem colegial técnico e, por razões diversas, nem todos seguem para a universidade. Mas continuam fiéis aos seus projetos robóticos.
Attos, robô limpador de pisos e carpetes, é exibido com orgulho por seu criador, o catarinense Loreno Minati, no site de sua empresa de automação (www.cebeletro nica.com.br/attos_fotos.htm). Com jeitão de cafeteira, Attos tira a sujeira girando duas escovas sob as ordens de um PIC 16F84, da Microchip, um microcontrolador tão trivial no mundo da robótica quanto um Pentium na computação, programado na trabalhosa linguagem Assembly. Sensores proporcionam navegação sem trombadas, e uma câmera de bordo transmite por VHS as imagens do ambiente, permitindo a Minati vigiar sua cria pelo canal 10 do televisor. Fazia parte do projeto um dispositivo de carga inteligente, abortado por outra idéia: o Concept, um manequim esperto, projetado para interagir com humanos em eventos. "Terá sensores de presença nos olhos, reconhecimento de voz nos ouvidos, voz sintetizada para falar com as pessoas e alguns movimentos", adianta. O software de reconhecimento de imagem está em desenvolvimento em Delphi, enquanto cabeça e braços recebem motores. E o criador já pensa em dar ao manequim expressão facial com solenóides, incluir webcam, acoplá-lo a um quiosque e por aí vai. Como seria de esperar, o Attos perdeu peças para o Concept, que, nas contas de Minati, deverá custar perto de 10 mil reais.
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