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O velho HalHAL-9000. Foi o primeiro computador a estrelar um filme. Tecnicamente, HAL não podia ser menos profético. POR DAGOMIR MARQUEZIAlô, HAL. Pronto para a longa jornada? 2001 chegou e você está a caminho de Júpiter. HAL-9000 é o computador a bordo da nave Discovery, eleito pela revista VIP como o "homem do mês". E com toda a razão. Qualquer lista coloca 2001 - Uma Odisséia no Espaço como um dos mais influentes filmes. Ele nasceu do escritor Arthur C. Clarke e recebeu um tratamento cinematográfico psicodélico do diretor Stanley Kubrick. O romance original acabaria tendo três seqüências, escritas por Clarke, ambientadas nos anos de 2010, 2061 e 3010.
2001, o filme, esbanjava imagens de impacto e cenas enigmáticas decifradas inúmeras vezes nas mesas de bares. Foi lançado em 1968 e representou mais uma marca deixada por um ano especialmente marcante. Era um filme de primatas, aeromoças, monólitos negros, paisagens lisérgicas e nenhum astro do cinema. Num filme de grandiosidade absoluta, seus personagens ficaram pequenos. Com uma exceção: HAL-9000. Foi o primeiro computador a estrelar um filme. Tecnicamente, HAL não podia ser menos profético. Ele representa uma concepção que reinava em 1968, distante de conceitos como computador pessoal e internet. HAL é um mainframe capaz de controlar a vida no interior da Discovery e de seus tripulantes. Era a maneira IBM de computar. Você provavelmente já sabe que as letras H, A e L estão imediatamente antes das letras I, B e M no alfabeto.
A aparência de HAL hoje parece muito estranha. Sua onipresença se dava através de um "olho", uma câmera vermelha que parecia ter expressão. Seus circuitos de memória ("holográfica") eram muito mais charmosos que os atuais chips - placas de acrílico que se encaixavam nos slots em câmera lenta. O que encantou o público foi a personalidade de HAL-9000. Sua fala mansa, sua educação impecável. Ele acabou se tornando o vilão da história, mas é preciso deixar claro que ele foi inocente.
Retomando: um misterioso monólito negro é achado em 2001 na superfície da Lua, na cratera de Clavius. Quando descoberto, o monólito envia uma mensagem a Júpiter. Para decifrar o mistério, a Nasa manda a Discovery para Júpiter, comandada por David Bowman. A nave é controlada por HAL-9000. Quando se aproxima de Júpiter, HAL acusa um mal funcionamento da antena principal. Seus principais tripulantes verificam que HAL está errado.
Apanhado no erro, HAL entra em "paranóia" e mata todos a bordo. O comandante Bowman sobrevive, e desliga HAL. É a mais "humana" das cenas do filme: HAL implorando para continuar ligado e cantando uma cantiga infantil como despedida. De cortar o coração. Os fãs de HAL devem assistir sua continuação, 2010 - O Ano que Fizemos Contato. Em 2010 explicam-se as causas de seu comportamento "criminoso" em 2001. Foi um conflito de programações. Ele foi criado para ajudar a tripulação no vôo a Júpiter, mas uma diretiva secreta do governo americano o instruiu a cumprir a missão sozinho. Numa palavra, HAL pirou.
A causa do "massacre da Discovery" não existe mais: um computador central, totalitário, cumprindo ordens rígidas, controlando cada aspecto das vidas humanas. Hoje não haveria um HAL, mas vários HALs ligados em rede, um sistema muito mais ágil e mais controlado pelos tripulantes da Discovery. Com todos os defeitos, HAL, nós te amamos. E, mesmo que ninguém tenha vôo reservado para Júpiter neste ano de 2001, nós cantamos Daysy em sua homenagem.
Dagomir Marquezi é editor sênior da revista Playboy. dagomir.marquezi@abril.com.br
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